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A curiosa história da múmia suíça que é parente distante de Boris Johnson

Em 2018, cientistas foram capazes de fazer uma análise genética de enigmáticos restos mortais encontrados no século passado — e, de forma peculiar, suas conclusões foram relacionadas com o atual primeiro-ministro britânico

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 21/11/2021, às 08h00 - Atualizado às 22h54

Trecho de reportagem da BBC que mostra rosto da múmia
Trecho de reportagem da BBC que mostra rosto da múmia - Divulgação/ BBC

Em 1975, a basílica de Barfüsser, que fica localizada na cidade suíça de Basiléia, passava por reformas. Durante as obras, no entanto, os operários se depararam com um cenário inesperado: um caixão de madeira que fora enterrado na frente do altar. 

Dentro, estava o cadáver incrivelmente bem preservado de uma mulher. O estilo de sua sepultura sugere que pertencia à classe alta, de acordo com informações repercutidas em 2018 pelo site NPR. 

Esse era o início do mistério a respeito da identidade daquela nobre do passado. A despeito de todas as especulações, porém, ninguém imaginaria que ela era uma ancestral de Boris Johnson, o atual primeiro-ministro do Reino Unido.

Fotografia de Boris Johnson em 2021 / Crédito: Getty Images

 

A conexão peculiar entre a mulher mumificada e o político britânico foi revelada no ano de 2018, período em que Boris cumpria ainda a função de secretário de Relações Exteriores. Entenda abaixo como os cientistas chegaram a essa surpreendente conclusão. 

Mumificada por acidente

O primeiro aspecto impressionante a respeito dos restos mortais desenterrados na igreja suíça era justamente sua preservação fora do comum para um corpo que estivera apodrecendo durante 230 anos. 

Exames laboratoriais revelaram que o responsável pela mumificação acidental da mulher era o mercúrio. Embora hoje esteja claro que esse metal é tóxico para nosso organismo, na Idade Média era usado como tratamento para a sífilis, doença sexualmente transmissível que matou centenas durante o período.

Fotografia da múmia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Hoje, sabemos que a condição é facilmente tratável — embora definitivamente não com mercúrio, que foi estabelecido como a razão por trás da morte da nobre. Ainda de acordo com os especialistas, ela teria contraído a enfermidade enquanto cuidava de doentes.

Nome desconhecido

Infelizmente, apesar do evidente status social alto da defunta, seu caixão não continha nenhuma inscrição revelando sua identidade.

Sabe-se que, na época da morte dela, era comum que os membros das famílias ricas daquela região fossem enterrados nas proximidades da basílica de Barfüsser. 

Através da consulta a registros históricos, os especialistas chegaram à hipótese de que a múmia era parte da família Bischoff, que era particularmente prestigiada durante o período de sua morte.

O próximo passo da investigação foi a retirada de uma amostra de DNA de um dos pés do cadáver. Esse código genético foi então comparado com o de descendentes do rico clã, e, para a alegria dos cientistas, sua suspeita foi confirmada. 

Assim, a múmia até então incógnita teve seu nome revelado: em vida, ela fora Anna Catharina Bischoff, uma nobre que falecera ano de 1787, no século 18. Ela até que teve uma vida longa para os padrões da época, uma vez que conseguiu alcançar os 68 anos de idade. 

Ilustração que procura representar como seria a aparência da nobre / Crédito: Divulgação/ Naturhistorisches Museum Basel

 

Boris Johnson

A pesquisa não terminou com a identificação dos restos mortais: depois disso, os especialistas continuaram montando a árvore genealógica de Anna Catharina. E, de acordo com os registros, várias gerações mais tarde era possível chegar no então secretário de Relações Exteriores da Inglaterra. 

Na época em que a notícia foi divulgada, no ano de 2018, o político chegou a publicar em sua conta oficial do Twitter um link para a matéria da BBC que falava sobre o assunto, comentando que estava orgulhoso de sua ancestral por ter sido uma defensora de cuidados importantes para garantir uma vida sexual saudável — o que evita a disseminação de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como a sífilis, por exemplo.