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A curiosa história por trás da tumba do 'Príncipe Negro'

Enorme efígie dourada localizada no Reino Unido revelou detalhes sobre a política de propaganda da monarquia britânica

Isabela Barreiros Publicado em 14/11/2021, às 08h00

Tumba do Príncipe Negro
Tumba do Príncipe Negro - Jerrye e Roy Klotz via WIkimedia Commons

Conhecido como “Príncipe Negro”, Eduardo de Woodstock nasceu em 1330 no Reino Unido e ficou conhecido por ter vencido uma série de conflitos contra a França durante a Guerra dos Cem Anos, resultando na captura do rei francês Jean II.

Eduardo era herdeiro do trono inglês e morreu mesmo antes de assumir o trono, em 1376, provavelmente de disenteria. Um ano depois, o filho mais velho, Ricardo II, assumiu o poder aos apenas 10 anos de idade, em um momento conturbado na história da monarquia.

É por isso que o garoto provavelmente encomendou sua famosa efígie dourada, que apresenta o formato do Príncipe Negro, como forma de propaganda para reforçar sua soberania como rei da Inglaterra.

Efígie do Príncipe Negro na Catedral de Cantuária, Reino Unido / Crédito: LBM1948 via Wikimedia Commons

 

A famosa tumba está localizada atualmente na Catedral de Cantuária, no Reino Unido, e é uma das somente seis esculturas de metal de larga escala da Idade Média inglesa que resistiram até os dias de hoje.

A efígie dourada, que está localizada no topo do túmulo, foi investigada por pesquisadores do Instituto Courtauld, da Universidade de Londres, que descobriram que ela foi construída antes da morte do 'Príncipe Negro' (este apelido originado a partir da cor presente em sua armadura) não depois, como se pensava anteriormente.

Antes de morrer, Eduardo escreveu que sua tumba deveria ser totalmente de metal e "totalmente armada em uma placa de guerra". Segundo os especialistas, isso era “sem precedentes” na Inglaterra da época”. O corpo também deveria estar em um local onde as pessoas pudessem visitá-lo para orar por seu “seu cadáver em decomposição”.

O estudo

Para investigar a escultura, os cientistas utilizaram um dispositivo portátil capaz de emitir feixes de alta energia dentro da tumba, seguida de uma sonda de vídeo, que permitiu uma visão de dentro do artefato dourado pela primeira vez em mais de 600 anos.

Eles também puderam examinar as ligas metálicas usadas na construção da efígie do Príncipe Negro e chegaram à conclusão de que são extremamente similares às usadas em outra estrutura, dessa vez para o pai de dele, Eduardo III.

Local onde está localizado o túmulo do príncipe Eduardo / Crédito: Divulgação/Jessica Baker

 

Além das ligas metálicas idênticas na efígie, os pesquisadores perceberam detalhes similares no design no baú de mármore que serviu como túmulo, como o estilo de letras para os epitáfios.

Isso indicou que as efígies provavelmente foram criadas pelos mesmos artistas e quase ao mesmo tempo, usando os mesmos materiais para o desenvolvimento dos túmulos de pai e filho, que ainda não havia falecido quando sua tumba começou a ser feita.

Detalhes analisados pelos pesquisadores / Crédito: Divulgação/Jessica Baker

 

“É muito provável que Ricardo II estivesse procurando promover o caráter duradouro e imutável da Coroa por meio da confecção de efígies de metal precioso de seu pai e avô, semelhantes às que ele posteriormente encomendou para si e sua esposa, a Rainha Ana da Boêmia”, explica Jessica Barker, uma das autoras do estudo, professora do Instituto Courtauld.

Ela ressaltou ao portal Livescience que Ricardo II pode ter assumido o projeto da tumba do pai Eduardo em 1386 “em parte como uma forma de afirmar sua autoridade agora [que] atingiu a idade adulta", em meio a outros projetos para comemorar os feitos de sua família.

O novo rei lidava com uma grande impopularidade mesmo antes de assumir o trono. A Inglaterra poderia entrar em uma nova guerra com a França, o que poderia acabar com os recursos do país e gerar mais problemas. No entanto, pouco tempo depois, Ricardo II foi deposto por seu primo, o rei Henrique IV, e morreu em 1400.

A pesquisa completa sobre a tumba do Príncipe Negro pode ser lida na revista The Burlington Magazine.


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