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Da acusação de adultério aos problemas com o álcool: os escândalos de Gail Russell

Aos 18 anos a jovem assinava seu primeiro contrato com a Paramount Pictures. Mas sua rotina desgastante e sua relação com a bebida foram fundamentais para o final trágico de sua carreira

Fabio Previdelli Publicado em 11/05/2020, às 08h00

Foto da atriz Gail Russell
Foto da atriz Gail Russell - Divulgação

Apesar de ter apenas 18 anos, a jovem Gail Russel assinou seu primeiro contrato de longa duração com a Paramount Pictures em 1942. Embora fosse extremamente tímida e não ter nenhuma experiência com atuações, o estúdio tinha grandes expectativas com ela.

Por isso, contrataram um treinador particular para auxiliá-la em tudo que fosse necessário. Mais tarde, a jovem chegou a declarar: "de repente, havia uma quantidade enorme de trabalho para mim e não havia tempo para mim. Foi assim por dez anos".

Sua beleza sempre chamou a atenção por onde passava, mas por trás dos grandes olhos azuis e um sorriso sedutor, havia uma mulher emocionalmente frágil e instável. Mesmo assim, durante sua curta carreira, contracenou com alguns dos protagonistas mais populares da época, como John Wayne, Joel McCrae e Alan Ladd.

Gail Russell em 1946 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Gail estreou no cinema aos 19 anos, em 1943, no longa Henry Aldrich Gets Glamour. Além disso, também teve um pequeno papel em Lady in the Dark, e participaria na continuação Henry Aldrich Haunts a House, mas desistiu quando foi escalada para um papel de relevância em The Uninvited, em 1944.

Em seu próximo filme, Russell estrelou a bem recebida comédia Our Hearts Were Young and Gay. No ano seguinte, deu vida a uma professora em Salty O'Rouke — que foi indicado ao Oscar. Conforme emplacava um sucesso, sua agenda ficava cada vez mais lotada, o que lhe causou um colapso nervoso. Mesmo assim, foi forçada a repetir sua rotina de três filmes por ano.

Em 1946, reviveu um antigo papel em Our Hearts Were Growing Up — sequência de Our Hearts Were Young e Gay. A produção também foi bem recebida pelo público e revisores. Antes do final do ano, Russell completaria mais um filme: The Bachelor's Daughters. Adicionado a esse cronograma exaustivo estava a provação tortuosa de Russell, que tinha medo do palco — problema o qual tratava com uma dose generosa de álcool.

No ano seguinte, a atriz realizou um de seus papéis mais famosos com o inocente interesse amoroso de John Wayne por Quaker em Angel and the Badman. Foi durante essas filmagens que Wayne percebeu que a relação de Gail com o álcool a ajudava a superar seus problemas de timidez. E passou a oferecer ajuda a colega de cena.

Irene Rich, Gail Russell e John Wayne em Angel and the Badman / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nesse meio tempo, ela se casou com o ator Guy Madison em 1º de agosto de 1949. Eles se separaram em menos de seis meses, mas depois reataram a união. Em 1953, quando John Wayne passava por um processo de divórcio, sua ex-esposa disse que um dos motivos da separação era por conta do envolvimento do ator com Russell. Entretanto, os dois companheiros de cena negaram isso.

Meses depois, a atriz foi presa após ser flagrada dirigindo embriagada. Posteriormente, se declarou culpada perante um tribunal em Santa Mônica, na Califórnia. Como condenação, recebeu uma multa de 150 dólares e foi proibida de usar intoxicantes ou comparecer a casas noturnas por dois anos.

No ano seguinte, se separou, mais uma vez — agora em definitivo —, de Guy Madison. O ator alegou que, durante todo o período da união, Gail jamais fizera qualquer serviço doméstico e alegou que ela não permitia visitantes ou empregados na casa.

Gail Russel e Guy Madison / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em outubro daquele ano, Russell foi internada após complicações causadas pela hepatite. Mas logo se recuperou e voltou a vida de polêmicas: como quando dirigiu embriagada e bateu em um carro de um casal que transportava um bebê. O acidente lhe gerou outra multa e foi obrigada a fazer um acordo com os envolvidos.

Em 1956, ela voltou a atuar em Seven Men from Now. O sucesso do filme parecia ser o que ela precisava para retomar a carreira, mas em 1957 foi encontrada inconsciente no chão de sua casa.

A partir daí, sua carreira se mesclava, ainda mais, entre gravações e problemas com álcool. Após a aparição em um filme de baixo orçamento em 1961, decidiu que iria morar sozinha em um pequeno apartamento.

Periodicamente tentava parar de beber, mas sempre falhava em tal tarefa. Em 26 de agosto de 1961, Gail Russel foi encontrada morta, aos 36 anos, em seu apartamento em Los Angeles. Seu corpo só foi achado pois dois vizinhos estavam preocupados com o fato de não a verem há vários dias.

No chão, ao lado do corpo, estava uma garrafa de vodca vazia — havia algumas outras espalhadas pela casa. A causa da morte foi em decorrência de uma lesão no fígado atribuída ao "alcoolismo agudo e crônico”. Ela também apresentava um quadro de desnutrição. Seu corpo foi enterrado no cemitério Valhalla Memorial Park, em North Hollywood.


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