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Da cientologia ao discurso de ódio: 4 temas em The Boys que retratam a sociedade atual

Uma das séries mais populares da Amazon Prime trouxesse uma segunda temporada muito mais politizada e crítica

Fabio Previdelli Publicado em 20/10/2020, às 18h13

Poster de The Boys
Poster de The Boys - Divulgação/ Amazon Prime Video

A segunda temporada de The Boys chegou ao fim, mas, mesmo assim, uma das séries mais populares da Amazon Prime Video (assine aqui) ainda rende inúmeras discussões que vão além do universo baseado pela HQ homônima de Garth Ennis que, apesar suas loucuras protagonizadas por super-heróis ensandecidos, parece cada vez mais com a sociedade atual.  

Nessa segunda temporada, o showrunner Eric Kripke expandiu ainda mais o universo da disputa entre Os Sete — principal time de super-heróis que são administrados pela Vought International — e Os Garotos, e introduziu a produção discussões mais cotidianas com tons políticos, sociais e de nosso cotidiano. Tudo isso, é claro, dando um cutucão em grandes personalidades e corporações. 

Confira nossa lista com 4 assuntos atuais retratados em The Boys: 

1. Cientologia

Ao final da primeira temporada nos deparamos com Profundo ser expulso dos Sete por suas polêmicas sexistas e, principalmente, depois ser denunciado por Luz-Estrela — de quem ele abusou sexualmente aproveitando seu ‘papel de superioridade’. 

Já no início dessa temporada, ele é recebido pela Igreja da Coletividade, que promete colocá-lo de volta no grupo de elite dos super-heróis. Após passar por diversas sessões espirituais de autoconhecimento, Profundo demonstra uma faceta mais positivista, passando a pregar ideias mais humanas. Isso tudo com influência do líder espiritual Alastair Adana.  

O refrigerante Fresca, um dos símbolos da Igreja da Coletividade / Crédito: Divulgação/ Amazon Prime Video

 

Essencialmente, a Cientologia e a Igreja da Coletividade são a mesma coisa, só trocando as celebridades pelos heróis. Assim, como na vida real, o culto aproveita da fama de seus membros para se tornar mais midiática e lucrativa.

O que não esconde a percepção de muitos de que seus participantes possam ter sofrido uma espécie de “lavagem cerebral”. Sendo isso, ou não, uma única pergunta fica no ar: Aceita uma Fresca?


2. Exploração midiática e aceitação por meio do socialmente correto

Por ser uma grande Corporação, a Vought é uma empresa que, acima de tudo e de todos, visa o lucro. Para isso, seu núcleo de Relações Públicas busca ao máximo usar tendências do cotidiano e das redes sociais, para se tornar mais bem vista pela população e por acionistas ou clientes. Mesmo que isso não reflita a opinião de seus super-heróis. 

Uma das questões mais usadas nessas duas temporadas é de como a empresa consegue se consolidar no mercado aproveitando de discussões sociais. A primeira delas, na temporada passada, foi dada ao movimento Me Too, que visa proteger as mulheres contra o assédio em suas profissões. Nesse caso, como já citado anteriormente, a denúncia de Luz-Estrela contra profundo. 

Já na segunda temporada, com a introdução de Tempesta, Os Sete passam a contar com três super-heroínas, o que é usado para fortalecer um posicionamento de “girl power” por parte da companhia, o que gera uma visão positiva nas redes sociais.  

Outro ponto é explorado é a sexualidade de Rainha Maeve que, ao se assumir um relacionamento com outra mulher, passa a ter sua imagem como uma influente personalidade do universo LGBTQ+, tendo quadros, camisas e até mesmo uma linha de comida retrabalhados para sua “nova imagem” - mesmo que essa revelação tenha acontecido sem sua vontade.

Quadro feito para a campanha Brave Maeve / Crédito: Divulgação/ Amazon Prime Video

 

"Ela é gay e está tudo bem!", diz a equipe de marketing da Vought. "Ela é #BraveMaeve! - #MeaveCorajosa". No meio disso, a assistente de RP interrompe, lembrando que Maeve é bi; entretanto, a equipe de marketing desconsidera isso, alegando que "lésbica é mais fácil de vender. Um pouco mais simples". 


3. Armamento de professores

No meio da temporada, temos mais informações sobre o uso do Composto V, droga usada pela Vought para dar superpoderes a suas cobaias. Com o vazamento de informações sobre o uso da substância, uma enorme discussão popular começa, afinal, o heróis querem mesmo proteger a população ou eles agem apenas pelo interesse de uma grande corporação? Se agem, quais são seus limites? O quão a população está em risco com isso? 

Influenciados pela jovem congressista Victoria Neuman, uma discussão no senado irá debater a responsabilidade da Vought diante dessa crise e se Os Sete são, ou não, uma ameaça para a população. No dia da audiência, porém, a cabeça de diversas pessoas que estão presentes no júri começam a explodir, o que muitos consideram um ataque terrorista de superterroristas.  

Capitão Pátria / Crédito: Divulgação/ Amazon Prime Video

 

Como consequência, Capitão Pátria, o líder dos Sete, faz uma campanha defendendo o armamento de professores, que usariam as armas como uma maneira de proteger alunos em supostos ataques em escolas — o que não é raro nos Estados Unidos. A declaração do Capitão Pátria faz um paralelo ao discurso do presidente americano Donald Trump que, em 2018, defendeu publicamente o armamento de professores em uma reunião televisionada na Casa Branca. 


4. Discurso de ódio supremacista

Com a discussão sobre o ataque os Estados Unidos sofreram de um superterrorista vindo de outro país, Tempesta endossa a discusão contra a chegada de imigrantes ilegais no país, alegando que qualquer um deles pode ser uma ameaça em potencial para a nação.

“Um superterrorista já chegou até nós. Mais virão. E, até onde sabemos, esses maníacos já podem ter cruzado nossas fronteiras e podem estar do nosso lado, esperando para nos matar”, diz ao defender que todos os imigrantes ilegais sejam mortos.  

O ódio contra imigrantes é algo cada vez mais latente na sociedade americana e, infelizmente, não é uma distopia de uma série. Apesar de esse assunto ser cada vez mais debatido na sociedade americana, não é incomum o número maior de grupos que defendem esses ideais.  

“Nós fomos percebendo que a série é meio que uma metáfora perfeita para o momento em que vivemos, em que não há uma delimitação definida para celebridade e autoritarismo”, disse Kripke em recente entrevista. “O ódio nos dias de hoje está envelopado em pacotes de mídia social muito atraentes”. 

Cena com discurso de Tempesta / Crédito: Divulgação/ Instagram/ Um Filme me Disse

 

No episódio final da temporada, uma fala de Tempesta corrobora com esse pensamento de Kripke. “As pessoas adoram o que eu tenho a dizer. Elas acreditam nisso. Só não gostam da palavra ‘nazista’”.


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