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Da infância conturbada ao Rancho Spahn: A vida íntima de Charles Manson

Antes de se tornar o guru que comandava assassinatos, Manson passou por alguns episódios traumáticos em sua vida

Penélope Coelho Publicado em 11/06/2020, às 14h00

Charles Manson em 1968
Charles Manson em 1968 - Divulgação

O nome de Charles Milles Manson é reconhecido ao redor do mundo pela brutal morte da atriz Sharon Tate. O guru hippie e líder de uma seita de assassinos, nunca precisou cometer os crimes com as próprias mãos, sua impressionante capacidade de manipulação fazia com que seus seguidores matassem em seu nome.

Antes de se tornar um dos criminosos mais famosos dos Estados Unidos, Manson cresceu em um lar problemático até que pudesse se desvencilhar de vez de sua família e criasse sua própria casa, o insólito Rancho Spahn.

Charles quando jovem / Crédito: Divulgação 

 

Infância corrompida

Nascido em 12 de novembro de 1934, em Ohaio, Estados Unidos, Charles nunca foi um filho desejado. Sua mãe, Kathleen Maddox, deu à luz ao menino quando estava prestes a completar 16 anos. Pela gravidez precoce, a mulher foi expulsa de casa e Manson cresceu sem a presença de um pai, vivendo em diferentes lugares.

Maddox tinha uma personalidade complicada, era viciada em álcool e drogas e a sua relação com o filho não era boa, por isso, quando cresceu, Charles decidiu adotar o sobrenome Manson de seu padrasto, William Eugene Manson.

Certa vez, quando sua mãe foi presa em decorrência de um roubo, o menino foi mandado para a casa dos tios, onde afirmou ter vivido um verdadeiro pesadelo. Charles chegou a dizer que sua mãe já tinha tentado trocar o menino por um copo de cerveja.

Foi no início de sua pré-adolescência que ele começou a demonstrar traços estranhos em sua personalidade. Aos 13 anos, já cometia pequenos crimes, como roubos.

Em 1949, chegou a ser detido por um desses delitos e na prisão teria sofrido agressões e abuso sexual. Charlie — como era chamado, viva fugindo dos centros de reabilitação juvenis e para se manter, roubava estabelecimentos.  

Ao longo dos anos, Manson foi preso por diversos crimes, incluindo abusos sexuais cometidos contra meninos e meninas. Foi na cadeia que Charles conheceu sua primeira esposa. Por diversas vezes, o homem investia em escapadas da prisão em tentativas frustradas.

O norte-americano chegou a ser liberado em condicional, mas, cometeu mais uma série de transgressões, de roubos a prostituição de menores. Manson foi liberado de vez, no ano de 1967. O homem já havia passado mais da metade de sua vida na prisão e aos 32 anos, começou a recrutar um grupo que viria a ser chamado de Família Manson.

O Rancho Spahn

No auge da contracultura, Charles se aproveitou do discurso de liberdade, para iniciar uma seita macabra, que pregava a morte de maneira sanguinária. Cada vez mais ciente de seu talento para a manipulação, o homem viajou para São Francisco e começou a resgatar pessoas com o objetivo de criar a sua própria família.

O lunático que explorava o uso de drogas exacerbado convencia seus seguidores através das histórias de sua infância, posteriormente, envolvendo essas pessoas em um relacionamento ditado pela manipulação. As mulheres facilmente se encantavam por ele, um homem mais velho com aspecto de guru.

Já com uma grande quantidade de adeptos de suas teorias, a Família Manson se mudou para um antigo set de filmagem abandonado em Los Angeles, conhecido como Rancho Spahn. O motivo da escolha foi porque Charles queria a todo custo se tornar músico.

No local, seus discípulos viviam sob regras rígidas dirigidas pelo líder da seita. As crianças nascidas ali eram separadas de sua mãe para que não criassem nenhum tipo de relação. Além disso, documentos de identidade eram destruídos e todos eram obrigados a mudar de nome.

Manson sendo julgado pelos crimes do casal LaBianca / Crédito: Divulgação

 

Cada pequeno detalhe era comandando por ele, por exemplo, ninguém podia comer antes de Manson e depois que ele comesse, os homens seriam servidos, em seguida os cachorros e por último as mulheres. A presença de pessoas negras era proibida, e o rancho foi palco para grandes orgias organizadas por ele.

O sonho de viver da música ainda era tudo que Manson almejava, após ser rejeitado pelo músico Terry Melcher, Charlie nunca se esquecera de seu endereço. Mesmo sabendo que Melcher não morava mais naquela mansão, em Los Angeles, o líder ordenou que seus seguidores Tex Watson, Susan Atkins, Linda Kasabian e Patricia Krenwinkel, invadissem aquela casa e matassem todos que estivessem dentro dela.

Em 9 de agosto de 1969, a atriz Sharon Tate — grávida de oito meses e o casal LaBianca foram brutalmente mortos.

Reações bizarras

Em 1971, Charles foi condenado à prisão perpétua e a Família Manson se tornou um marco da criminologia, virando motivo de estudo para especialistas e alvo de curiosidade. Para muitas pessoas, o lunático era considerado uma personalidade pop.

Mesmo que já tivesse sido condenado pelos crimes, o homem recebia uma grande quantidade de cartas de admiradoras, cerca de 60 mil ao todo. Além disso, o criminoso ainda tinha um site em sua homenagem, o endereço na web, MansonDirect.com.

No ano de 2013, uma das representantes do site, Afton Elaine Burton, começou a trocar cartas com Charles, na época a mulher tinha 27 anos e o prisioneiro, 79. Os dois ficaram noivos e tentaram oficializar a relação na cadeia, o que não aconteceu.

Em 19 de novembro 2017, Manson faleceu por causas naturais, aos 83 anos. Após sua morte, uma grande confusão foi gerada para saber o que seria feito com seu corpo. Seus parentes e amigos disputavam para ver quem teria o direito sob o cadáver do morto.

O plano de sua ex-noiva era que sua certidão de casamento fosse assinada mesmo após a morte de Charles, para que Afton fosse a representante mais próxima do homem. Seu objetivo junto ao amigo Craig Hammond era expor o corpo do noivo em um túmulo de vidro e cobrar ingressos para visitantes.

O longo processo na justiça fez com que o cadáver do criminoso ficasse armazenado em uma câmera fria por três meses. Entretanto, o direito acabou sendo deixado para o neto de Manson, Jason Freeman — que decidiu pela cremação do corpo de seu avô.


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