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Da melancolia as peculiaridades do enterro: 5 curiosidades sobre os dias finais de Dom Pedro II

Após sofrer um golpe de Estado — que culminou com a Proclamação da República —, Dom Pedro II se exilou na França, onde permaneceu até sua morte, em 5 de dezembro de 1891

Fabio Previdelli Publicado em 07/10/2020, às 11h41

D. Pedro II em imagem colorizada
D. Pedro II em imagem colorizada - Creative Commons

Dom Pedro II foi o regente que governou o Brasil por mais tempo, um total de 49 anos — o segundo da lista é Getúlio Vargas, com 18 anos. Conhecido como “o Magnânimo”, seu reinado foi marcado pela expansão diplomática brasileira no mundo, assim como a interferência pelo adiamento da abolição em favor dos latifundiários escravistas e também agiu pela expansão territorial através de tratados e guerras.

Seu governo durou de 1840 a 1889 — sendo que alguns anos antes do fim ele já demonstrava um interesse cada vez menor pela política. Em 14 de novembro de 1889, sofreu o golpe de Estado que culminaria com a Proclamação da República.

Dom Pedro II, então, foi expulso do país e escolheu a França, mais precisamente Paris, a cidade-luz, para viver. Mas como foram seus últimos dias?

Conheça 5 curiosidades sobre os momentos finais de Dom Pedro II.

1. Vida solitária

Ao contrario do que estava habituado em terras tupiniquins, seus últimos dias na Europa foram bem mais solitários e melancólicos. Dom Pedro II passou a viver em hotéis modestos com quase nenhum recurso.

D. Pedro II usando uniforme real com condecorações e faixa em pintura oficial / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para se ter uma ideia do estado frágil em que o ex-monarca vivia, Manuel Joaquim Alves Machado, mais conhecido como Conde de Alves Machado, um de seus grandes amigos, ajudava constantemente com assuntos financeiros. Pedro II também municiava seu diário com pensamentos e sonhos em que eram permitidos voltar ao Brasil.


2. O passeio fatal

Nesse período de seu exílio, Dom Pedro II já carregava consigo alguns problemas de saúde. Mas aquele que seria fatal foi contraído durante um simples passeio de carruagem. Na ocasião, passeava sem nenhuma proteção pelas margens do rio Sena, apesar da temperatura extremamente baixa naquele dia.

Quando retornou ao hotel Bedford, à noite, já sentia os primeiros sintomas de um resfriado. A enfermidade evoluiu nos dias seguintes e logo se transformou em uma forte pneumonia. Seu estado de saúde decaiu rapidamente e no dia 5 de dezembro de 1891, às 00h35 da manhã, Dom Pedro II faleceu.


3. Cerimônia discreta e íntima?

Princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, desejava que a cerimônia de enterro de seu pai fosse algo mais discreto e intimista. No entanto, acabou acatando o pedido do governo francês para a realização de um funeral oficial.

Assim, no dia seguinte, centenas de dezenas de pessoas comparecerem a cerimônia que ocorreu na Igreja de la Madeleine. Além dos familiares de Dom Pedro II, o ato solene também contou com a presença de diplomatas franceses e diversos outros membros da realeza europeia.

Em seguida, o caixão foi levado em cortejo até a estação de trem mais próxima e o corpo do monarca partiu de trem até Portugal, onde desembarcou na Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa, e foi depositado no Panteão dos Braganças, em 12 de dezembro.


4. Repercussão no Brasil

Apesar do grande evento que aconteceu no Velho Continente, que contou com a participação de mais de 300 mil pessoas, os membros do governo republicano brasileiro se negaram a prestar qualquer manifestação oficial, já que estavam temerosos da repercussão que tivera a morte do imperador.

Dom Pedro II e a Princesa Isabel, sua filha / Crédito: Getty images

 

Porém, o povo brasileiro foi na contramão disso e não se demonstrou indiferente ao óbito de Pedro II. O país todo viu diversas manifestações de pesar, como comércios fechados, toques de finados, bandeiras a meio pau, tarjas pretas em roupas, entre outras coisas. Além disso, também foram celebradas missas solenes por todo o território brasileiro, que eram seguidas de pronunciamentos fúnebres que enalteciam a figura de Dom Pedro II e do regime monarquista.


5. Peculiaridades do enterro

Enquanto o corpo de Dom Pedro II era preparado para o enterro, um pacote lacrado foi encontrado no quarto do monarca. Nele, havia uma mensagem peculiar escrita pelo próprio imperador: "É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria". A urna continha terra de todas as províncias brasileiras e foi colocada junto a seu caixão.

Outro item curioso que foi sepultado junto de Dom Pedro II foi um livro, que estava embaixo do travesseiro que repousava a cabeça do Imperador. Aquele item simbolizava que ele levaria todo o conhecimento adquirido em vida mesmo após a morte.


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