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Da origem a morte na fogueira: Veja 5 curiosidades sobre os antigos cátaros

Considerados hereges, os seguidores do catarismo foram duramente perseguidos pela Igreja Católica durante a Idade Média

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 16/03/2021, às 12h41

A perseguição aos cátaros
A perseguição aos cátaros - Wikimedia Commons

O período entre os séculos 11 e 13 foi marcado pelas as cruzadas. Contudo, nem todas foram realizadas contra pessoas que não acreditavam em Cristo. A chamada Cruzada Albiense teve início no ano de 1209, a mando do papa Inocêncio III, que se incomodou com uma nova religião que ganhava força na época: o catarismo.

Os membros dessa seita, conhecidos como cátaros, também se consideravam cristãos, por mais que tivessem inúmeras divergências com o catolicismo. Seguem abaixo 5 curiosidades sobre eles.

1. Influências de outros grupos

Os cátaros têm origens no sul da França, na região autônoma de Languedoc. Contaram com influências de grupos ainda mais antigos, em especial do Bogomilismo, que surgiu da união dos paulicianos com um padre chamado Bogomilo.

Certamente, a ideia mais característica do grupo era a crença de que o Deusque criou a matéria não era o mesmo que havia criado o mundo espiritual. Outra ideia pregada era a da igualdade social, além do afastamento dos pobres da dominação clerical e da nobreza. Esta religião, por sua vez, foi muito influenciada por um dos grupos cristãos que surgiram nos primeiros séculos após a morte de Cristo: os maniqueístas.

Papa Inocêncio III - Crédito: Wikimedia Commons

 

Fundada pelo persa Mani, quem nasceu por volta do ano 227 na região do atual Iraque, a seita logo passou a adotar conceitos de outras religiões, em especial o zoroastrismo, o budismo, o judaísmo e o hinduísmo. Assim, passou a difundir a ideia de um mundo dividito entre o Bem e o Mal.

2. Características

Os cátaros seguiam a Bíblia em parte, apenas o Novo Testamento. Ainda assim, não acreditavam que Jesus fosse filho de Deus, mas pregavam que ele seria um grande profeta.

Assim como os maniqueístas e bogomilos, acreditavam em um deus bom, responsável pela criação do mundo espiritual, e em um mau, que teria dado origem à matéria. 

Outra característica que devemos levar em consideração é que os sacerdotes cátaros podiam ser tanto homens quanto mulheres e eram considerados como "perfeitos". Abaixo destes estavam os seguidores, denominados "crentes". Já aqueles que simpatizavam com a doutrina, mas não necessariamente a praticavam eram chamados "ouvintes". 

Além disso, estava entre os princípios dos seguidores do catarismo viver a vida com simplicidade e pureza.

Representação de Jesus Cristo - Crédito: Divulgação

 

3. Único sacramento

Diferente do Catolicismo, que considerava necessário que seus seguidores cumprissem sete sacramentos, o catarismo pregava apenas um, o consolamentum, que reunia o batismo, a ordenação e a extrema-unção. Eles não realizavam missas por considerarem a transformação do pão na carne de Cristo como algo inadequado.

E foi esse um dos principais motivos que incomodaram o papa Inocêncio III, uma vez que se voltar contra a cerimônia, tão importante para os cristãos, era considerada uma heresia grave.

4. Fogueira

Na época em que se deu a Cruzada Albigense, havia regiões em que cátaros, muçulmanos e membros de ordens de cavalaria como os Templários viviam em paz, como no território da Provença Francesa. Muitos cátaros conseguiam abrigo nas casas de templários e escapavam da perseguição da Igreja, que enviava os considerados hereges à fogueira.

Os cátaros eram levados à fogueira - Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante a perseguição, muitas pessoas, incluindo crianças, foram mortas, já que acreditava-se que, somente assim, suas almas poderiam ser salvas.

5. O fim das perseguições

As perseguições tiveram fim apenas em 1229, com a realização de um acordo de paz. Contudo, pouco depois, veio a inquisição, restaurando a perseguição contra os seguidores do catarismo.

A última ação militar ocorreu em 1243, mas a maior parte dos cátaros já havia sido assassinada. O último sacerdote, Guillaume Bélibaste, foi morto em 1321, enquanto se escondia na Espanha. 


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