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Da pequena oficina ao sucesso na corte de Napoleão III: a história de Louis Vitton

Nascido em uma família humilde do interior da França, o artesão foi até Paris e se mostrou valioso no ramo

Caio Tortamano Publicado em 22/07/2020, às 19h05

Retrato do artesão Louis Vuitton
Retrato do artesão Louis Vuitton - Wikimedia Commons

Hoje a grife Louis Vuitton é, praticamente, sinônimo de grandeza e luxo, estampando os corpos mais famosos e ricos do mundo, representando o sucesso que muitas pessoas buscam alcançar. No entanto, o início da marca e, principalmente, de seu fundador, foi bem diferente do atual sucesso.

Louis Vuitton nasceu no interior da França, em 1821, em uma família de artesãos e carpinteiros. Depois que a sua mãe morreu, quando o pequeno Louis tinha então 10 anos de idade, não demorou muito para que seu pai também viesse a falecer.

Como se não bastasse, a relação dele com a sua madrasta adotiva também não era a das melhores. Isso tudo motivou o garoto a sair de casa quando tinha somente 13 anos. Apesar da pouca idade, uma coisa era certa, seu destino seria a grandiosa Paris.

Início da vida parisiense

O povoado de Anchay, onde Vuitton tinha nascido, ficava a mais de 470 quilômetros de distância até a capital. Demorou mais de dois anos até concluir a sua jornada, encarando pequenos trabalhos para se sustentar ao longo do caminho, mas finalmente alcançou a cidade-luz em 1837.

Assim, passou a ser aprendiz de um homem conhecido como Monsieur Marechal (Senhor Marechal, em tradução livre), um habilidoso fabricante de malas e empacotador. Não demorou muito para que Vuitton se tornasse um dos mais hábeis aprendizes em sua confecção, e ganhasse reputação entre a alta classe de Paris como um dos melhores artesãos do couro.

Depois de restabelecido o Império Francês nas mãos de Napoleão III, sobrinho do notório Napoleão, Vuitton passou a trabalhar exclusivamente desenvolvendo malas para a Imperatriz francesa Eugênia. A missão de Louis era, nas palavras da monarca, “empacotar as mais belas roupas com a maior perfeição possível”.

O trabalho do rapaz, claro, era muito bem feito, por isso sempre foi elogiado. Isso recompensou Vuitton com contatos para membros da elite social da França no período, além dos já tradicionais clientes reais que o ocuparam de funções durante o restante de sua vida.

Sucesso e pioneirismo

Alcançando sucesso com a corte, o recém-casado Louis — que, aos 33 anos se casou com Clemence-Emilie Parriaux, de 17 — abriu a sua própria loja de malas com a promessa de embalar os mais frágeis objetos com segurança, se especializando em bagagens estilosas.

Louis Vuitton, sentado na carroagem, e sua equipe / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1858, a confecção de Louis Vuitton entraria para a história como a primeira do ramo a confeccionar malas de viagem retangulares, em um mercado praticamente dominado por malas que tinham a parte superior circular.

Além disso, as malas que o francês confeccionava eram elogiadas e com um peso consideravelmente menor aos da concorrência. Isso tudo aumentou a demanda pelos produtos do artesão, que abriu um ateliê em Asnières, uma comuna francesa vizinha a Paris.

Como se não bastasse, Vuitton também projetou a primeira fechadura à prova de arrombamento do mundo, tornando a sua marca a mais segura de todas. Todos os modelos de "fechadura anti-vandalismo" foram mantidos em segurança nas salas de trabalho da Vuitton e registrados com o nome do proprietário.

Guerra Franco-Prussiana

Em 1871, por conta do conflito entre o Império Francês e a Prússia, a busca pelos itens de luxo caíram drasticamente, afetando os negócios de Louis, que já estava consolidado. Porém, isso não evitou que o seu espaço de trabalho fosse destruído no confronto: todos os seus equipamentos foram roubados.

Porém, não demorou muito para que ele reconstruísse seu negócio em outro lugar, bem no centro de Paris, voltando para a demanda real e da nobreza. A sua marca foi imortalizada em 1872, com a adoção de uma listra bege e vermelha como assinatura — exatamente a que apareceu na sua mente agora. Além disso, ele incluiu as mundialmente famosas flores reproduzidas no couro.

Vuitton faleceu em 1892, aos 70 anos de idade, deixando o legado de sua marca para seu filho Georges. O herdeiro não deixou de lado a grandiosidade do pai na marca, e decidiu que as peças iriam contar com as iniciais dele, L e V, formando o tão conhecido monograma.


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