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Da perda do marido e dos filhos a instabilidade psicológica: a vida de Mary Todd Lincoln

Esposa do lendário presidente americano Abraham Lincoln, Mary sofreu de depressão após a perda de entes queridos e procurou a ajuda de médiuns para se comunicar com os filhos

Fabio Previdelli Publicado em 19/05/2020, às 07h00

Retrato de Mary Todd Lincoln
Retrato de Mary Todd Lincoln - Wikimedia Commons

Mary Todd Lincoln levou uma vida trágica, afinal, sofreu com a perda de sua mãe, seus três filhos e seu marido, o 16º presidente da história americana, de forma trágica. Como senão bastasse, sua memória também sofre com o olhar frio da história.

Quando a Guerra Civil chegou ao fim, em 14 de abril de 1865, a esposa de Abraham Lincoln chegou a repreender o marido por ser excessivamente carinho quando estavam no Ford’s Theatre. Entretanto, minutos depois, uma bala perfuraria o cérebro do político, que morreria na manhã seguinte.

Quadro que representa o assassinato de Abraham Lincoln / Crédito: Wikimedia Commons

 

A morte de Abraham a destruiu emocionalmente. Mas o brutal assassinato não foi a primeira marca negativa a acontecer em sua vida e, infelizmente, também não seria a última.

A infância difícil de Mary Todd

Desde pequena, Mary já teve que conviver com os infortúnios da vida. Nascida em 13 de dezembro de 1818, em Kentucky, desfrutou de uma infância de luxo proporcionada por sua família, que era proprietária de escravos.

Entretanto, a vida da quarta entre os setes filhos de Robert Smith Todd — um político e empresário de sucesso — e Elizabeth Parker Todd começou a mudar aos seis anos, quando perdeu sua mãe no parto de um de seus irmãos.

Pouco tempo após o trauma, viu seu pai se casar dois anos depois, com Elizabeth "Betsy" Humphreys. Juntos, tiveram mais nove filhos e a concorrência por atenção fazia com que o relacionamento de Merry com Betsy não fosse muito amigável.

Embora Mary Lincoln desfrutasse de mais educação do que a maioria das meninas de sua época, passaria a descrever sua infância como "desolada”. Apesar disso, a moça tinha uma reputação de ser indisciplinada. Seu cunhado disse uma vez que ela “poderia fazer um bispo esquecer suas orações”.

Em 1839, quando completou 21 anos, aproveitou a oportunidade para deixar a casa infeliz e foi morar com sua irmã mais velha em Springfield, Illinois. Foi lá que conheceu Abraham Lincoln pela primeira vez.

Mary e Abraham, um casal incompatível

Em 1940, Todd e Lincoln iniciaram um namoro lento que começou como uma amizade, com base no interesse mútuo que tinham pela política. Mas os amigos e a família dos dois logo disseram que a relação começou a florescer com ansiedade.

Apesar de uma breve interrupção, em 1841, o casal passou a se ver novamente no ano seguinte. Assim, alguns meses depois, casaram-se em uma cerimônia que suas irmãs, mais tarde, diriam que não fora o maior dos espetáculos. Nove meses depois, Mary Todd Lincoln dava à luz ao primeiro filho do casal, Robert — no entanto, não há nenhuma evidência conclusiva que ambos se uniram matrimonialmente por causa dessa gravidez.

Casamento de Lincoln e Todd / Crédito: Divulgação

 

Lincoln, por sua vez, teria declarado que "precisarei me casar com essa garota". Já no dia de seu casamento, alguns lembraram de sua aparência como a de alguém que estivesse "indo para o matadouro". Questionado sobre onde iria, respondeu: "Acho que estou indo para o inferno".

Apesar de comumente disserem que tiveram um casamento infeliz — isso não era inteiramente verdade. Quando Lincoln venceu a eleição, em 1860, ele escreveu à esposa: “Mary, Mary, we are elected!” (Mary, Mary, nós fomes eleitos!).

Juntos, tiveram quatro filhos, todos meninos, embora somente o primogênito tenha sobrevivido até a idade adulta. A morte do segundo filho, Edward Baker Lincoln, que faleceu um mês antes de seu quarto aniversário, devastou o casal, principalmente Mary, que não parava de chorar, se recusando a comer e a dormir.

Depois de chegarem à Casa Branca, mais uma perda significativa: William Wallace Lincoln, o terceiro filho do casal, tido como o favorito pela mãe, que pereceu aos 13 anos, vítima de uma febre tifoide. A matriarca se recusou a sair da cama por três semanas e não compareceu ao funeral do filho. Ela sofria de depressão severa e começou a procurar a ajuda dos médiuns para entrar em contato com Willie.

Abraham Lincoln com Mary Todd Lincoln e seus filhos, Robert e Thomas / Crédito: Wikimedia Commons

 

O último entre eles, Ted, dois anos mais novo que Will, pegou um forte resfriado ao voltar da Europa com sua mãe. Logo, a enfermidade tornou-se algo sério, o que levou a sua morte aos 18 anos. Essa perda teve que ser superada sozinha pela matriarca, que havia ficado viúva seis anos antes.

Acusada de loucura e a sanidade antes de morrer

Em 1875, o último filho sobrevivente de Mary Todd Lincoln, Robert, solicitou ao manicômio que levassem sua mãe. Ele acompanhava de perto os gastos compulsivos da matriarca, além das visitas a médiuns e outros comportamentos que considerava erráticos — o que, de certa forma, lhe envergonhava publicamente.

Assim, Mary Todd foi surpreendia com policias batendo à sua porta, que o levaram ao tribunal. Sem ser capaz de se defender, foi julgada brutalmente pelo filho: “Não tenho dúvida de que minha mãe é louca. Ela tem sido uma fonte de grande ansiedade para mim”. Consequentemente, acabou sendo condenada por insanidade e ficou internada por três meses em um asilo.

Retrato de Mary Todd Lincoln / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com a ajuda de amigos, conseguiu a liberdade e, no ano seguinte, foi considerada sã por um novo júri. Mary Todd Lincoln viveu o resto de seus anos da mesma maneira que teve os primeiros: ao lado de sua irmã, Elizabeth Edwards. Ela morreu de derrame na manhã de 16 de julho de 1882, aos 63 anos.


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