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Da perseguição nazista a morte na ditadura: conheça a trajetória de Vladimir Herzog

Simbolo de resistência e luta, o jornalista foi duramente perseguido pelo regime militar brasileiro

Victória Gearini Publicado em 19/08/2020, às 19h14

Vladimir Herzog, jornalista morto na ditadura militar
Vladimir Herzog, jornalista morto na ditadura militar - Divulgação / Instituto Vladimir Herzog

Vladimir Herzog foi um grande jornalista, professor e dramaturgo brasileiro, que teve a sua vida brutalmente interrompida em 25 de outubro de 1975, durante a ditadura militar no país. Sem qualquer envolvimento com a luta armada, Herzog não imaginava que seria perseguido por militares, e sua morte tornou-se um grande escândalo para a sociedade na época - sendo, até hoje, amplamente lembrada pela mídia.

Quem foi Vladimir Herzog?

Nascido Vlado Herzog, em 27 de junho de 1937, na cidade de Osijek, na antiga Iugoslávia — atual Croácia — Herzog era filho do casal de origem judaica Zigmund Herzog e Zora Wolner. Durante a Segunda Guerra Mundial, para fugir da perseguição nazista, a família mudou-se para o Brasil.

Em 1959, Herzog formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo e trabalhou em grandes veículos jornalísticos, como O Estado de S. Paulo e na BBC de Londres. Na época, Vlado passou assinar as matérias como Vladimir, pois acreditava que seu nome verdadeiro poderia soar um tanto quanto exótico no Brasil.

Já na década de 70, o jornalista assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura, em São Paulo. Professor de jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da USP, Herzog se vinculou ao Partido Comunista Brasileiro, onde passou a atuar no movimento de resistência contra o regime militar.

Prisão e execução 

Em 1974, o general Ernesto Geisel tomou posse da Presidência da República, afirmando que proporcionaria maior abertura política, isto é, a diminuição da censura e maior envolvimento político de civis no governo. 

Entretanto, embora tivesse uma militância amena, Herzog foi avisado pelo jornalista Paulo Markun que seria preso. O jornalista resistiu até o seu último suspiro de vida. Já em 24 de outubro de 1975, oficiais do Exército o convocaram para prestar depoimento sobre a sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro — oposição ao regime militar. 

De forma espontânea, no dia seguinte, Herzog compareceu ao DOI-CODI, local que ficou conhecido como a principal sede de tortura e execução de presos políticos — atualmente o prédio que abrigava o antigo DOI-CODI deu espaço ao Memorial da Resistência. Naquele mesmo dia, junto de mais dois jornalistas, George Estrada e Rodolfo Konder, Herzog foi preso pelos militares. 

Na manhã seguinte, o jornalista foi torturado pelos agentes do DOI-CODI, que para abafar o som da tortura, ligaram um rádio com o som alto. Na tarde daquele fatídico dia 25 de outubro de 1975, Herzog já havia sido brutalmente assassinado pelos agentes da repressão. 

Entretanto, para encobrir os rastros do crime, os militares forjaram uma cena de suicídio, contabilizando a 38º morte forjada. Posteriormente, fotografaram o cadáver do jornalista enforcado com um cinto preso a uma grade a 1,63 metro do chão e mostraram a imagem aos demais presos. 

Repercussão internacional e importância histórica 

Após a morte de Herzog, manifestações se alastraram pelo país, atingindo a imprensa mundial. A partir disso, iniciou-se um processo internacional em prol dos Direitos Humanos na América Latina, mobilizado por grupos intelectuais, que atuaram em jornais e teatro.

Além disso, o caso mobilizou uma grande massa de pessoas a protestarem nas ruas contra a ditadura militar no Brasil. O ato reuniu mais de 8 mil pessoas na Catedral da Sé, em São Paulo, e na época, tornou-se a primeira grande manifestação popular desde o decreto do AI-5. 

Para homenagear Herzog, em 1978, diversas entidades, entre elas o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e o Comitê Brasileiro de Anistia, instauraram o Prêmio Vladimir Herzog, símbolo de luta e justiça. Posteriormente, em 2009, foi criado o Instituto Vladimir Herzog, que consiste em organizar todo o material jornalístico sobre a história de Vladimir, a fim de resistir contra toda opressão instaurada pelo regime militar e que possa surgir futuramente. 

Já em 15 de março de 2013 foi concedido à família de Herzog um novo atestado de óbito, em que substitui a definição anterior, de "asfixia mecânica por enforcamento", para "lesões e maus tratos". Entretanto, foi apenas depois de mais de 40 anos do crime, em 20 de maio de 2016, que o caso de Herzog chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Atualmente, Herzog é considerado um dos maiores símbolos de luta e resistência desse período.


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