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Da Polícia Militar ao Senado: a longa trajetória de Major Olimpio

Tendo atuado na política durante 15 anos, o senador faleceu por complicações causadas pela Covid-19 em março de 2021

Pamela Malva Publicado em 18/03/2021, às 19h30

Fotografia de Major Olimpio
Fotografia de Major Olimpio - Wikimedia Commons

Nesta quinta-feira, 18, o perfil oficial de Major Olimpio no Instagram anunciou a trágica morte do senador. Segundo informações divulgadas pela família do político, ele sofreu uma morte cerebral em decorrência de complicações causadas pelo Coronavírus.

Tendo dedicado 15 de seus 58 anos para os cargos políticos que desempenhou, Major estava internado na UTI do hospital São Camilo, em São Paulo. Entubado desde o dia 6 de março, ele demonstrou certa melhora e saiu dos aparelhos pouco depois, no dia 9.

Na última quarta-feira, 10, contudo, o estado de saúde do senador entrou em declínio e ele precisou voltar a ser entubado. Com o paciente em estado “gravíssimo”, seus médicos afirmavam, quando questionados pela família do político, que o Major sobreviveria "só por um milagre", segundo informações do UOL.

“Obrigado por tudo que fez por nós, pelo nosso Brasil”, comentaram os familiares, no comunicado sobre a morte do político. Por enquanto, acredita-se que Majorfoi contaminado pelo Coronavírus durante um mutirão de prefeitos que protestavam a fim de conseguir recursos para emendas parlamentares.

Um major obstinado

Sérgio Olimpio Gomes nasceu em meados de 1962, no município paulista de Presidente Venceslau. Aos 20 anos, entrou para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco e serviu como agente durante longos 29 anos de sua vida.

Mesmo apaixonado pela carreira militar, ele ainda fez questão de tornar-se bacharel em ciências jurídicas e sociais. Além do título, Olimpio ainda era jornalista, professor de educação física, técnico em defesa pessoal e instrutor de tiro.

Autor de diversos livros sobre segurança pública, ele tinha opiniões políticas bastante afiadas. Identificando-se com pautas consideradas conservadoras, então, o agente decidiu entrar para a política em meados de 2006, quando filiou-se ao Partido Verde.

Fotografia do senador Major Olimpio / Crédito: Divulgção/Instagram/Major Olimpio

 

Início da carreira política

Uma vez presidente da Associação Paulista dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Major Olimpio conquistou sua primeira cadeira política na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), em 2006, ao receber 52 mil votos.

Mais tarde, já reconhecido pelo nome de campanha, transferiu-se para a chapa do Partido Democrático Trabalhista (PDT), através da qual entrou para o poder Legislativo do estado de São Paulo, em meados de 2010.

Quatro anos mais tarde, ainda no mesmo partido, Major lançou-se para o cargo de Deputado Federal, ganhando 179 mil votos. Na Assembleia Legislativa, inclusive, ele desempenhou o título de líder do PDT, desligando-se apenas em janeiro de 2015.

Major Olimpio durante evento oficial / Crédito: Divulgação

 

Um camaleão

Ao longo de toda a sua carreira política, Major Olimpio passou por seis partidos diferentes, sendo eles o PP, PV, PDT, PMB, Solidariedade e PSL. Nesse meio tempo, em 2015, ele assumiu seu primeiro mandato como deputado federal, com 179 mil votos.

Uma vez na Câmara dos Deputados, Major passou a erguer mais bandeiras e continuou defendendo os policiais militares. Foi nessa época, inclusive, que nasceu a rivalidade entre o mais novo deputado e o partido PSDB — ele e o ex-governador Geraldo Alckmin até chegaram a protagonizar um conflito público, em setembro de 2017.

Foi apenas em março de 2018, contudo, que Major filiou-se ao PSL. Agora aliado de Jair Bolsonaro, ele conquistou 9 milhões de votos nas eleições daquele ano, tornando-se o senador mais votado do país. Esse foi um dos mais expressivos saltos de sua carreira.

Major Olimpio em imagem divulgada nas redes sociais / Crédito: Divulgação/Instagram/Major Olimpio

 

Fim de acordos e críticas

O problema, contudo, veio depois que Olimpio foi eleito. Constante crítico da corrupção e dos ‘esquemas’, o Major passou a ser criticado pela família do presidente Bolsonaro, o que levou ao rompimento do senador com o governo em vigência — em 2020, durante entrevista ao UOL, ele afirmou que os filhos de Jair Bolsonaro "só atrapalham".

Na época, o Major chegou a chamar o presidente de traidor. Segundo Olimpio, Bolsonaro teria brigado com ele "porque não queria que eu assinasse a CPI da Lava Toga do STF para proteger filho bandido". Nesse sentido, ele afirmava que as maiores críticas que recebia eram sobre uma suposta “mudança de lado” após a eleição.

Tendo retirado suas candidaturas à Presidência do Senado em 2019 e 2021, Major Olimpio faleceu no dia 18 de março de 2021. Aos 58 anos, ele era casado com Claudia Regina de Abreu e tinha dois filhos, Mariana e Fernando Bezerra Olimpio Gomes.


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