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Daniel Taylor: o homem que passou a vida procurando o Yeti — e acreditou ter encontrado

Procura começou depois de Taylor ver a famosa foto de suposta pegada da criatura. "Foi quando a faísca foi acesa"

Fabio Previdelli Publicado em 28/07/2020, às 12h46

Imagem ilustrativa de um Yeti
Imagem ilustrativa de um Yeti - Pixabay

Segundo a crença popular, o Yeti é uma criatura metade humano e metade macaco que vive nos arredores do Himalaia. Frequentemente, sua figura costuma ser relacionada a outra criatura que possivelmente pode existir: o Pé Grande, que também pode ser conhecido como sasquatch.

A lenda da inusitada criatura ganhou força em 1951, quando o explorador britânico Eric Shipton procurava uma rota alternativa até o Monte Everest. Na ocasião, Shipton encontrou uma enorme pegada que parecia ser de um humanoide, mas que não tinha nenhuma similaridade com a dos animais que viviam naquela região.

“A fotografia foi tirada na geleira Menlung, a oeste do Monte Everest, na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Shipton e Michael Ward estavam procurando uma rota alternativa para o Everest quando encontraram as impressões. Shipton foi um dos mais respeitados exploradores do Everest. Porém, nunca questionou seu achado. Mas afinal, o que é isso?”, questiona Daniel Taylor, autor de Yeti: A Ecologia de um Mistério que desde criança procura sinais desse "Abominável Homem das Neves" no alto Himalaia, em entrevista ao National Geographic.

Suposta pegada de um Yeti fotografada por Eric Shipton / Crédito: Wikimedia Commons

 

“O que foi cativante nas impressões é que elas são realmente nítidas. Como a neve estava forte, a foto parecia uma escultura em gesso. A segunda característica era que as impressões pareciam uma pegada humana, mas com o polegar. Então, você tem esse sentimento de primata, mas hominoide ao mesmo tempo. Seu tamanho enorme — cerca de 30 centímetros — também sugere uma magnífica criatura, uma imagem do tipo King Kong!”, explica.

A partir desta data, começou a chamada febre do Yeti, quando diversas expedições foram realizadas no Himalaia com o intuito de encontrar a suposta criatura. Segundo Taylor, a mais importante delas aconteceu em 1954. “O petroleiro americano Tom Slick montou várias expedições. Uma delas tinha 500 carregadores e passou 6 meses em campo. Eles até levaram cães de caça para rastrear o cheiro da criatura”.

O fascínio de Daniel pelo Yeti surgiu quando os avós dele compraram uma propriedade no topo de uma montanha perto da antiga estação britânica em Mussoorie, na Índia. "Um sábado, vi a famosa foto da pegada do Yeti em uma revista. Eu conhecia a maioria dos animais da selva, então quando o curador do Museu Britânico disse que ele achava que eram impressões do macaco Langur, eu disse: ‘Isso é escandaloso! Conheço o macaco Langur, pulando no telhado de zinco o tempo todo. Algum outro animal deve ter feito essa pegada misteriosa e humana’”.

Foi então que ele questionou seu pai e seu avô. "’Danny, esse é o Yeti!’". Eu disse: ‘O que é o Yeti?’. Eles responderam: ‘O Yeti é um homem selvagem que mora nas montanhas, e essa é a pegada dele’. Foi quando a faísca foi acesa”, conta.

Com isso, Taylor começou a busca incansável pelo animal, e começou a sua jornada no Vale Barun. “Quando entrei naquele vale, encontrei pegadas. Eu já tinha visto pegadas antes, mas estas eram novas e não havia dúvida de que havia encontrado o Yeti”.

A partir daí a grande questão que ficou foi: quem fez essas pegadas? Daniel disse que um caçador local com que trabalhou sugeriu que elas fossem de um urso que sobe em árvores. “De repente, tivemos uma explicação para a origem do polegar. Um urso que vive em uma árvore força um dígito interno para baixo, para que possa fazer um aperto oponível. Os ursos normais não podem se segurar. Mas se você passa muito tempo na árvore, treina aquele polegar para agarrar um galho ou quebrar o bambu. Então passei dois anos tentando descobrir se era uma espécie, subespécie ou um urso juvenil”.

Após uma analise de DNA feita por um professor de Oxford, descobriu-se que o material genético encontrado no local pareciam ser realmente a de um urso, embora não fossem coincidentes de nenhum animal conhecido. “A conexão de DNA mais próxima é a com o urso polar, mas o DNA também apresentava sequências misteriosas em seu gene”, explica.

Perspectiva dos Himalaias e do Monte Everest e todo o planalto do Tibete / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois da publicação do estudo, o mito do Yeti foi reativado em todo mundo, com diversos estudantes de doutorado analisando a sequência genética do material encontrado. “Os pesquisadores mostraram que o professor de Oxford cometeu um erro e que, em vez de se tratar de um novo animal, aquilo era a sequência incompleta de um bicho já conhecido. Mais uma vez voltamos ao urso”.

Apesar de não ser o que realmente esperava, a descoberta abriu os olhos de Daniel de outra maneira. Ele diz que, assim como muitos biólogos, passou a entender um novo lado da biologia chamada de bio-resiliência.

“Enquanto procuramos salvar a própria vida, estamos nos concentrando na diversidade do DNA. Mas existem certas formas de vida, como o corvo, as baratas ou os mexilhões-zebra, que são mais resistentes que outros e podem lidar com as mudanças de temperatura e umidade devido às mudanças climáticas. A lição do Yeti é que precisamos valorizar e fortalecer a resiliência da biologia se quisermos salvar a própria vida”.

“O profundo mistério em nossa essência é que queremos estar conectados ao grande além. E precisamos de símbolos para nos ajudar a entender a conexão. É por isso que acreditamos em Deus, nos anjos ou até mesmo no Monstro do Lago Ness. Ao longo da história humana e através das culturas humanas, buscamos desenvolver uma conexão com o além. Em última análise, é isso que o Yeti é”.


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