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Das criadoras homicidas ao James Bonde londrino: 5 crimes antigos da Inglaterra

Crimes eram tão comuns por lá que Museu de Londres fez uma exposição em 2015

Fabio Previdelli Publicado em 05/05/2021, às 17h26

Cartaz da série Peaky Blinders
Cartaz da série Peaky Blinders - Divulgação/ Netflix

Peaky Blinders é uma das séries atuais de maior sucesso da Netflix. A trama, criada por Steven Knight, conta a história da gangue homônima que é formada por líderes de grupos de apostas e crimes gerais — que domina as favelas de Birmingham. 

Como explica matéria publicada pela equipe do site do Aventuras na História, o enredo é baseado numa gangue que realmente existiu, porém com adaptações para a produção televisiva.  

Os Peanky Blinders, por si só, já eram responsáveis por diversos crimes na Inglaterra do final do século 19 e início do 20. No entanto, ao longo da história, eles não foram os únicos responsáveis por terríveis práticas. 

Para se ter ideia de como era perigoso viver na Inglaterra nesse período, o Museu de Londres promoveu uma exposição em 2015 intitulada ‘The Crime Museum Uncovered’ (ou ‘O Museu do Crime Revelado’, em tradução livre). 

Nela, centenas de itens dos arquivos da nova Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres, redesenhava memórias dos assassinatos e roubos que marcaram aquela sociedade.

Abaixo, a equipe do site Aventuras na História selecionou uma lista com 5 desses crimes que marcaram por sua brutalidade e inventividade dos criminosos. Confira! 

1. Dr. Crippen e a fuga quase perfeita 

O nome Crippen é um dos que se destaca nos anais da história criminal do país, afinal, não era para menos. Como explica matéria da BBC, o médico homeopata era casado com Cora, uma cantora que se apresentava com o nome de Belle Elmore.  

Acontece que a relação dos dois acabou quando o doutor a assassinou. O crime aconteceu na casa deles, em Holloway, no norte de Londres. Na exposição, o item relacionado ao crime que mais chamou a atenção foi a pá que ele usou para enterrar Cora.  

Pá usada por Crippen / Crédito: Museu de Londres

 

Após o crime, ele tentou fugir em um navio comercial para o Canadá junto de sua amante, Ethel Le Neve. Como se não bastasse, Ethel estava disfarçada como um menino, para não levantar muitas suspeitas.  

Porém, quando o corpo de Cora foi encontrado, diversos cartazes sobre o crime, que aconteceu em 1910, rodaram o país. Um desses informes chegou as mãos do capitão do navio SS Montrose, o mesmo onde a dupla seguia viagem. 

O líder da embarcação avisou por rádio sobre a suspeita e um detetive pegou um navio o mais rápido possível. Por sorte, os dois acaram sendo presos quando chegaram em Quebec.

Segundo a BBC, Crippen acabou sendo enforcado em novembro daquele ano, quando já estava na prisão de Pentonville, na capital inglesa. 


2. Criadoras gananciosas 

No final do século 19 e início do 20, as criadoras de bebês eram uma ocupação muito comum na Inglaterra. Essas mulheres eram conhecidas por cuidarem de crianças abandonadas em troca de dinheiro, como explica a BBC. 

Porém, duas delas, Amelia Sach e Annie Walters, acharam uma solução para continuar recebendo sem precisar cuidar de ninguém. Assim, elas mataram diversas crianças. Quando lhe eram questionadas sobre o estado das crianças ou algo do tipo, elas sempre inventavam desculpas e diziam que estava tudo bem. 

Porém, logo essa história acabou ficando confusa demais e a trama acabou sendo descoberta. O item que marca esse caso é um desenho feito por William Hartley, que fazia rascunhos para jornais dos crimes que estavam sendo julgados.  

Desenho de Amelia Sach e Annie Walters/ Crédito: Museu de Londres

 

As duas ‘criadoras’ acabaram sendo enforcadas em fevereiro de 1903. Como relata a BBC, este é o único caso de um enforcamento duplo de mulheres na história moderna.


3. James Bond londrino  

Nos anos 1960, Londres tinha uma grande concentração de gangsters. Um dos mais famosos deles, como explica a BBC, eram os gêmeos RonnieReggie Kray. Violentos, temidos e poderosos, suas histórias reverberam até os dias atuais.  

Além de todos os elementos necessários para causarem terror, eles também dispunham de apetrechos engenhosos e mortais. Um deles, que esteve presente na exposição, é de uma pasta de couro que esconde uma agulha hipodérmica, um frasco de cianeto e um mecanismo feito com molas.  

Maleta dos Kray/ Crédito: Museu de Londres

 

De acordo com as curadoras da exposição, o item teria sido feito para um comparsa dos gêmeos eliminar uma testemunha que iria depor contra eles no tribunal. Porém, maleta assassina nunca foi usada.  

Apesar disso, o item acabou sendo mostrado no julgamento como prova e foi tratado com ironia por Reggie Kray: "James Bond está fornecendo provas neste caso?". Apesar de tentarem demonstrar surpresa com o item, os dois acabaram sendo condenados à prisão perpétua. 


4. Da máscara ao enforcamento 

Em 1927, Frederick Browne e William Kennedy, dois ladrões de carro, foram acusados de matarem um policial de Essex: PC George Gutteridge. Antes disso, eles já haviam furtado um veículo de um médico na noite anterior. Para tais atos, eles usavam uma máscara um tanto quanto medonha, que pode ser vista abaixo. 

Como explica a BBC, na manhã seguinte ao assassinato, o corpo do policial foi encontrado na beira de uma estrada. Ele havia sido baleado quatro vezes. Posteriormente, o carro foi achado no sul de Londres. 

Máscara usada pelos criminosos / Crédito: Museu de Londres

 

Dentro dele havia um cartucho vazio de munição. Graças a tecnologia microscópica, um perito conseguiu provar que o cartucho pertencia ao revólver que foi achado na casa de Frederick — que por sua vez foi o mesmo usado para assassinar o policial.  

Com isso, os dois acabaram sendo enforcados em 1928. À BBC, as curadoras da exposição disseram que o caso foi muito importante na época por "marcar uma nova era no uso de provas balísticas em julgamentos — e associando uma arma específica a um crime".

As manchetes dos jornais também destacaram o pioneirismo, com enunciados como: "Enforcado por um microscópio".


5. Os roubos do violonista 

Charles Peace era um violinista de mão cheia. Seu talento era tanto que, segundo a BBC, ele era descrito como o “Paganini moderno”. Porém, além do seu talento para a música, ele também era especialista em outra arte: a dos furtos.  

Para tais atos, ele carregava consigo uma escada portátil, que usava para invadir imóveis pelas janelas e roubar objetos de valor. Em uma dessas invasões, no entanto, ele acabou sendo preso em flagrante. 

Violino de Charles Peace/ Crédito: Museu de Londres

 

Com isso, a polícia acabou descobrindo que ele estava usando uma identidade falsa, já que seu nome estava na lista dos procurados em Sheffield em decorrência de um homicídio. No fim, ele acabou sendo condenado e enforcado em 1879. Acima você vê o violino que ele carregava.


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