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Das raposas das Malvinas ao Rinoceronte-branco: Como Darwin ajuda a explicar a extinção animal?

O britânico deixou respostas em seu aclamado ‘A Origem das Espécies’

Fabio Previdelli Publicado em 20/03/2021, às 08h00

Retrato de Charles Darwin
Retrato de Charles Darwin - Wikimedia Commons

Durante cinco anos de sua vida, o naturalista Charles Darwin rodou o mundo a bordo do HMS Beagle. Entre seus destinos, o britânico passou pela América do Sul, inclusive pelo Brasil, mas foi nas Ilhas Malvinas que ele fez uma importante previsão que ajudaria a cimentar sua teoria: a extinção das raposas daquela região.  

Na opinião de Darwin, a espécie — que mais tarde teve sua classificação corrigida como lobos e não raposas, como aponta artigo publicado pela Unicamp — era tão mansa que logo não sobraria mais nenhuma delas para contar história.  

E foi justamente isso que aconteceu, como explica matéria da Folha de São Paulo de 2009, que divulgava uma pesquisa coordenada por Graham Slater, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que aponta que o bicho era um parente próximo no nosso lobo-guará. 

As raposas/lobos da Ilhas Malvinas / Crédito: Wikimedia Commons

 

O que ajuda a exemplificar isso é o que o britânico escreve no capítulo 7, intitulado de “Instintos”, do seu aclamado ‘A Origem das Espécies’. Para o naturalista, o medo do homem é algo adquirido lentamente por grande parte dos animais que habitam ilhas desertas, como é o caso das Malvinas — que ficam a mais de 800 quilômetros da costa da Argentina.  

Assim, esse “excesso” de confiança pode ajudar na facilidade com que a espécie se torne uma presa fácil, que foi justamente o que aconteceu com as raposas/lobos de lá. Por não se sentirem ameaçadas, foram facilmente abatidas pelo homem, que desferiam impiedosos golpes de martelo em suas cabeças, ou esfaqueando-os, como aponta matéria da Super.

Mas nem só a falta de medo ajuda com a extinção de uma espécie. “Um número enorme de fatos prova a extrema diversificação da índole dos indivíduos da mesma espécie nascidos na Natureza. Também é possível oferecer vários exemplos de certas espécies com hábitos estranhos e ocasionais que poderiam, sempre que for vantajoso para a espécie, dar origem a novos instintos através da seleção natural”, escreve Darwin.  

E é justamente nesse ponto que podemos usar como referência outro animal considerado extinto na natureza: o rinoceronte-branco-do-norte.  

A morte de Sudan 

Como explicado em matéria publicada pelo AH nesta última semana, hoje, 20 de março, completa três anos da morte de Sudan, último rinoceronte-branco-do-norte macho, que há meses vinha sofrendo problemas de saúde. 

Sudan passou a ser o último animal de sua subespécie, conforme explica matéria da BBC, depois que outro rinoceronte-branco-do-norte morreu em 2014. Agora, a reserva de Ol Pejeta abriga os dois últimos rinocerontes-brancos-do-norte do mundo: as fêmeas Fatu Najin.  

Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho da Terra/ Crédito: Divulgação/ Ol Pejeta


Na década de 1970, quando Sudan passou a viver em uma reserva natural, existia menos de 500 rinocerontes-brancos-do-norte. Porém, de lá pra cá, sua população — que vivia em Uganda, na República Centro Africana, no Sudão e no Chade — foi dizimada. 

O motivo, segundo a BBC, seria a caça da espécie que foi estimulada pela demanda de chifres de rinoceronte-branco, que eram usados para a medicina tradicional chinesa (mesmo que seus efeitos não sejam comprovatórios), e para a confecção de alças de punhal, no Iêmen.  

Assim, em 2008, segundo apontamento da WWf, entidade de preservação ambiental, a subespécie foi considerada extinta da natureza.  Já no ano seguinte, os últimos quatro rinocerontes-brancos-do-norte (duas fêmeas e dois machos) foram transferidos de um zoológico da República Tcheca para essa reserva no Quênia. 

Mas o que facilitou a caça do animal? E como Darwin explica isso? 

Segundo explica matéria da Galileu, o extinto dos animais para marcar território ajudaram os caçadores a identificá-los facilmente, afinal, eles pisavam nas próprias fezes e as arrastavam pelo solo para delimitar suas próprias fronteiras. Logo, uma pessoa bem treinada poderia identificar seus rastros e achar sua morada.  

Aqui caímos novamente na teoria de Darwin, que nem sempre o mais forte sobrevive na natureza, mas sim o mais adaptado a ela. Apesar de ser o um dos cinco grandes animais da África, ao lado do leão, do elefante, do búfalo e do leopardo; a espécie está fada ao seu fim. É só uma questão de tempo.  

Livro de Charles Darwin que aborda a origem das espécies/ Divulgação

 

“Uma vez quebrada a corrente da geração ordinária, nem uma espécie única nem grupos de espécies reaparecem”, explica Charles Darwin sobre a extinção. “Temos razões para acreditar que toda vez que uma espécie desaparece de vez da face da Terra, a mesma forma idêntica nunca mais reaparece”. Algo que, infelizmente, se concretizou.


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