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David Frankfurter, o homem que assassinou um nazista com cinco tiros

Cansado da situação hostil aos judeus na Europa, o estudante decidiu que iria acabar com a vida do líder do partido nazista da Suíça, Wilhelm Gustlöff, com suas próprias mãos

Isabela Barreiros Publicado em 02/09/2020, às 16h27

David Frankfurter em 1945
David Frankfurter em 1945 - Wikimedia Commons

Em 31 de janeiro de 1936, o estudante David Frankfurter pegou um trem em Berna com destino a Davos, nos Alpes suíços. Ninguém desconfiou que ele levava um revólver na maleta. Seu plano era matar Wilhelm Gustlöff, líder do Partido Nazista na Suíça.

Ele havia decidido dar cabo de Gustlöff com as próprias mãos. Assim, naquele 31 de janeiro ele fez o check-in num hotel em Davos e esperou o momento de agir. Já em 4 de fevereiro, tocou a campainha da casa do chefe nazista e pediu à esposa dele uma breve audiência com o líder. Ela deixou o rapaz entrar e foi chamar o marido.

"Durante alguns minutos, o garoto de 27 anos observou os objetos nazistas que decoravam o aposento, inclusive uma foto de Hitler com dedicatória", explicou o pesquisador canadense David Krawczyk em entrevista à AH.

Quando Gustlöff apareceu, David tirou o revólver do casaco e disparou-lhe cinco tiros contra a cabeça, o pescoço e o peito. Depois saiu calmamente, enquanto a mulher gritava ao lado do morto. Convencido de que seu ato não era um crime, David se entregou à polícia e foi condenado a 18 anos de prisão.

Quem era David Frankfurter?

Nascido na cidade de Daruvar, na Croácia, David veio de uma família judia. Isso explica muito bem o ódio que começou a ter dentro de si quando o nazismo passou a ser uma ideologia dominante na Alemanha, inferiorizando os judeus.

Filho do rabino da cidade em que nasceu, mudou-se para Vinkovci em 1914, onde seu pai se tornou rabino-chefe. Embora vivessem uma vida tranquila, o menino tinha uma saúde muito prejudicada: ele sofria com uma periostite incurável, uma espécie de inflamação na parte mais externa do osso que fez com que o jovem precisasse passar por sete cirurgias no total, que aconteceram entre os seus seis e 23 anos de idade.

Muitos dos médicos que atenderam Frankfurter falavam que ele poderia ter consequências drásticas em sua vida devido ao problema de saúde. Ainda assim, ele se formou tanto no ensino fundamental como no médio com notas muito boas, o que possibilitou que ele entrasse em uma faculdade.

Ele havia começado a cursar medicina na Alemanha, primeiramente na cidade de Leipzig e depois, em 1931 na cidade de seus ancestrais: Frankfurt, origem de seu sobrenome. No entanto, com a ascensão do nazismo, teve de continuar seus estudos na Suíça. Foi quando percebeu a ameaça que também pairava sobre os judeus do país em que passou a habitar.

Assim, Frankfurter retomou sua educação formal na cidade suíça de Berna, em 1934. Mas ele ainda não estava livre do incômodo nazista em sua rotina. No país, a ideologia racista começou a ter cada vez mais adeptos, tanto os nascidos no país quanto os que tinham o alemão como sua língua principal. E seu líder era Wilhelm Gustloff.

De volta para o começo

O "transatlântico mais moderno do mundo" Wilhelm Gustlöff / Crédito: Arquivo/Aventuras na História

 

Wilhelm Gustloff era o principal líder do Partido NSDAP (Nazista) suíço e também o chefe da Seção de Relações Exteriores. Foi o maior responsável pela divulgação e distribuição do livro Os Protocolos dos Sábios de Sião na Suíça, uma obra antissemita que relatava a falsa e difamatória ideia que judeus e maçons tinham um projeto de conspiração de dominação do mundo ocidental.

Cansado das humilhações e ofensivas vindas dos nazistas, Frankfurter decidiu que iria colocar fim em um deles com suas próprias mãos. Foi quando ele adquiriu uma arma para si próprio e conseguiu o endereço do dirigente por meio de uma lista telefônica.

Tudo aconteceu rapidamente naquele dia 4 de fevereiro de 1936, quando o estudante foi até a casa de Gustloff e o matou com cinco tiros. As consequências para o atirador, no entanto, duraram muito mais que isso: ele foi condenado a 18 anos de prisão.

O legado do nazista também persistiu após a sua morte. Hitler alçou Wilhelm Gustlöff a mártir do nazismo, batizando com seu nome o "transatlântico mais moderno do mundo", que foi vítima do maior naufrágio já conhecido na história.

Frankfurter foi preso mas, terminada a guerra, a Suíça o perdoou com a condição de que deixasse o país. Ele emigrou para Israel, onde integrou o Ministério de Defesa. Os suíços retiraram a ordem de exílio em 1969, mas Frankfurter ficou em Tel Aviv, onde morreu em 1982.


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