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De abrigo para quarentena a hospital psiquiátrico: os mistérios de Poveglia, a ilha macabra da Itália

Os episódios relacionados ao local não apenas são obscuros, como só podem ser vistos de perto por pessoas autorizadas pelo governo italiano

Wallacy Ferrari Publicado em 04/05/2020, às 11h33

A ilha em fotografia distante (à esq.) junto aos corpos encontrados (à dir.)
A ilha em fotografia distante (à esq.) junto aos corpos encontrados (à dir.) - Wikimedia Commons / Divulgação

Localizada em Veneza, no norte da Itália, a ilha de Poveglia tem o rótulo de maldita por um histórico repleto de mistérios mal-assombrados. Apesar do tamanho relativamente pequeno para uma ilha — com 17 acres — o local tem um histórico de fenômenos relacionados à paranormalidade.

Antes de ser palco de vários experimentos sociais e físicos, o território foi disputado por genoveses e venezianos durante o século 14, usado inclusive como local de batalhas durante o império napoleônico. A disputa, no entanto, foi interrompida no século 18, com um imprevisto que mudaria para sempre a forma que os italianos enxergam a ilha.

Em 1776, a administração pública italiana descobriu que haviam pessoas infectadas com a peste bubônica em dois navios cheios e decidiu deslocar suas rotas para estacionar a embarcação na ilha, de maneira que seus tripulantes ficassem em quarentena. Sem nenhum plano secundário de ajuda externa, o episódio se tornou uma tragédia bizarra.

Ao longo dos dias, os novos habitantes vindos navio recém-atracado eram infectados com a peste de outros passageiros e, gradativamente, toda a população da ilha estava infectada. De acordo com o The Telegraph, as autoridades italianas na época estimaram 16 mil mortos em decorrência da doença, visto que agentes oficiais foram até a ilha para enterrar os corpos em um sepultamento coletivo, sem a possibilidade de identificação individual.

Uma das salas utilizadas para tratamentos da Peste Bubônica na ilha / Créditos: Luigi Tiriticco / Flickr 

 

Os reconhecimentos dos cadáveres só foram possíveis devido a lista de passageiros da viagem, que continha dados pessoais dos tripulantes. Com poucos sobreviventes, a ilha só teve sua quarentena encerrada em 1814, quase 40 anos após seu início. Algumas estruturas, construídas para abrigar os infectados, ficariam sem uso na ilha até o século 20.

Uma tragédia ainda maior

Em 1922, um hospital psiquiátrico destinado exclusivamente para idosos foi instalado pelo governo italiano nas estruturas usadas para abrigar o isolamento da peste bubônica. Os distúrbios de pacientes, no entanto, salientaram a teoria de que o local estava sendo assombrado por fantasmas dos mortos em decorrência à quarentena forçada.

Afirmando descaso e abandono, relatos de pacientes que observaram vultos foram tantos que envolveram até mesmo os responsáveis pela administração do hospital. De acordo com o History, há uma crença popular de que o diretor da instituição enlouqueceu com a presença sobrenatural do local e teria se atirado da torre de vigilância do edifício.

Uma hipótese ainda mais bizarra se dá pelas operações realizadas na instituição, que envolvem experimentos violentos realizadas com pacientes incapazes, como registros de lobotomias incisivas. O hospital psiquiátrico foi considerado um fracasso pelas autoridades do país por não obter resultados progressivos em seus pacientes além de acarretar em custos desnecessários de deslocamento.

Escombros da estrutura abandonada do hospital psiquiátrico da ilha / Créditos: Luigi Tiriticco / Flickr

 

Fechado em 1968, a ilha permanece inacessível para visitantes desde então, com a possibilidade de entrada restrita para pesquisadores e autoridades do governo. Qualquer tipo de registro audiovisual no local ou acesso as imediações do hospital devem ser autorizadas pelo governo individualmente.

Em 2014, o estado italiano buscou uma recuperação financeira propondo um leilão da ilha, com um valor estimado de 3,8 milhões de euros. No contrato, o comprador teria 99 anos para restaurar as propriedades e monetizar as visitas turísticas, porém, continuaria a ser uma propriedade do governo.

A aquisição não foi concluída, mas em 2018, foi criada uma instituição que busca abrir a ilha para a visita de qualquer cidadão italiano, em busca de maiores informações sobre o tal local amaldiçoado.


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