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Dos possíveis amores ao sucesso do reino: os segredos da rainha Vitória

A monarca inglesa que permaneceu no trono por 63 anos se apresentava como uma pessoa inabalável, mas a verdade estava longe disso

Alana Sousa Publicado em 18/07/2020, às 11h15

Retrato da rainha Vitória, em 1887
Retrato da rainha Vitória, em 1887 - Getty Images

A rainha Vitória foi, sem dúvida, uma das mulheres — e rainhas — mais influentes da História, governando a Inglaterra por 63 anos e sete meses, de 1837 a 1901. A monarca perde o recorde de reinado mais longo de todos apenas para sua tataraneta Elizabeth II, que ocupa a posição há 68 anos. Seu tempo no poder foi tão relevante que seu governo ficou eternizado como Era Vitoriana, que, até hoje, é lembrada por suas peculiaridades.

Eterno símbolo do imperialismo britânico e da popularidade da monarquia, Vitória apoiou a expansão territorial inglesa e o fortalecimento industrial, consolidando o reino como digno e confiável. Entretanto, por trás daquela mulher imbatível, tanto como governante, quanto esposa, a britânica escondia um lado oculto e muitos segredos.

Os segredos de Vitória, a rainha imperfeita

Rainha Vitória já com a sua coroa / Crédito: Wikimedia Commons

 

“Que a mulher permaneça o que Deus queria que fosse: um apoio para o homem, com deveres e uma vocação completamente diferentes”. Essa foi uma das declarações que expunham a ideia de Vitória contra a emancipação feminina. “Estou cada dia mais convencida de que nós, mulheres, se queremos ser boas, femininas, amáveis e agradáveis na intimidade, não somos feitas para reinar”, a fala da rainha é difícil de entender, dado que ela era o oposto do que pregava.

Para Raquel Gryszczenko Alves Gomes, professora de história contemporânea na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, sua trajetória é uma dubiedade muito grande. “Falamos de uma mulher liderando um dos maiores impérios mundiais num momento em que as mulheres não têm direito ao voto, não têm direito de participação política”, explica.

Retratada como uma esposa devota para o príncipe alemão Albert de Saxe-Coburgo-Gota, ela não era perfeita. Manteve um caso com o oficial escocês John Brown, e o casal “nem sempre concordava nos primeiros anos de casamento”. É o que revela o livro Vitória, a Rainha, da historiadora australiana Julia Baird. A obra foi publicada no Brasil em 2018, pela Companhia das Letras.

Em sua pesquisa que durou dois anos, Baird descobriu outra Vitória, que ao invés de inflexível, era apaixonada. Mesmo que amasse intensamente Albert, também se apaixonara por nobres e mantinha uma fascinação por sexo, o que resultou em nove gestações. Quando os médicos a proibiram de conceber mais um filho, indignada a rainha exclamou: “Doutor, isso quer dizer que não vou poder mais me divertir na cama?”.

Impaciente, a monarca não aceitava que o marido mostrasse qualquer interesse em mandar na corte, o que ela enfatizada ser seu reino. No período em que estava grávida, Albert atuou como príncipe regente, para o desagrado da mulher, que enfurecidamente gritava com ele pelo palácio. “Na verdade, deveria ser chamada de Era Albertiana”, comenta Baird.

Uma das fotos oficiais da rainha Vitória / Crédito: Getty Images

 

Após ficar viúva, Vitória incorporou o personagem, aparecendo apenas com vestes pretas, em sinal de luto. Ainda assim, se envolveu em outra polêmica quando esteve próxima de seu criado, Abdul Karim, o que escandalizou a sociedade vitoriana. A companhia constante, inclusive, revoltou os familiares. Mas Vitória foi além. 

Como a mais importante monarca do século 19, ela passava uma imagem que especialistas contradizem. Ao analisar seus anos no trono e seu sucesso liderando seu povo, suas aquisições podem ser mais atribuídas aos seus ministros do que a si própria. Focava mais em priorizar a indústria do que pensar nos mais necessitados da população. “Não se preocupava em elaborar uma política social para proteger os pobres”.

O que não anula sua importância e exemplo feminino que perdura até os dias atuais. “O que esquecemos hoje é que Vitória é a mulher sob cuja proteção se constituiu o mundo moderno”, alega Julia.

Até hoje a popularidade da família real britânica segue forte, com a família de Elizabeth sempre no foco das atenções internacionais. Tal qual como no dia da coroação de Vitória, em 1837. “Fui ovacionada e cada face parecia repleta de contentamento”, registrou a rainha em um de seus icônicos diários.


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