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De vítima do Titanic a astro olímpico: a extraordinária saga de R. Norris Williams

Após perder a pessoa mais importante de sua trajetória, o sobrevivente conseguiu forças para retomar a carreira e se tornar um ídolo nacional

Wallacy Ferrari Publicado em 16/05/2020, às 10h00 - Atualizado às 10h00

Richard Norris Williams em uma premiação (à esq.) em montagem junto ao Titanic (à dir.)
Richard Norris Williams em uma premiação (à esq.) em montagem junto ao Titanic (à dir.) - Encyclopedia Titanica / Wikimedia Commons

Nascido em 1891 na Suíça, Richard Norris Williams II foi concebido em uma família de classe alta com segurança financeira suficiente para proporcionar uma ótima educação ao jovem. Seu pai, Charles Duane, era um advogado estadunidense com ligações familiares ao presidente americano Benjamin Franklin, além de ser um entusiasta do tênis.

Essa admiração pelo esporte estimulou o filho a iniciar a prática aos 12 anos, guiado de maneira regrada pelo pai na realização de treinos físicos e técnicos. Aos 20 anos de idade, o resultado de seu esforço passou a ser convertido em medalhas, quando venceu, em 1911, o torneio Suíço de Tênis. No ano seguinte, o jovem conseguiu uma bolsa em Harvard e começou a representar a faculdade no torneio intercolegial de tênis.

Já Charles aproveitava sua influência e ligações entre a Europa e América para tentar organizar um torneio mundial de tênis. Com os esforços obtidos, o advogado foi fundamental na fundação da Federação Internacional de Tênis (ITF) e na criação de um dos primeiros rankings de tenistas. Prestes a inaugurar a instituição, decidiu visitar a esposa nos EUA junto ao filho, antes de dar início aos trabalhos, escolhendo o RMS Titanic como meio de transporte.

Richard em treino na Universidade de Harvard / Crédito: Wikimedia Commons

 

O navio mais seguro do mundo

Dado como inabalável, o navio da White Star Line pareceu a escolha mais segura para o pai e o filho, que precisavam se deslocar da Inglaterra até os Estados Unidos. Instalados em cabines de primeira classe, os parentes estavam em locais diferentes, mas próximas. Na noite de 14 de abril de 1912, o acesso de ambos ao deck C foi essencial para não se tornar uma história ainda mais trágica.

Quando o navio atingiu o iceberg, Richard e Charles conseguiram se movimentar pelos corredores dos quartos, até que o tenista notou que havia um passageiro preso em uma cabine. Apesar do caos, Richard arrombou a porta com chutes e chegou a ser notificado por um mordomo, que passava as orientações de emergência, afirmando que o atleta seria multado por danos a propriedade. Apesar da represália, a porta foi aberta e o tripulante foi salvo.

No convés, ambos mergulharam na água. Richard, com braçadas mais rápidas, tentava se aproximar de um bote salva-vidas. Seu pai também nadava com facilidade, mas foi morto quando uma chaminé do navio se deslocou e caiu em sua cabeça, o matando e ancorando seu corpo ao fundo do mar. O filho observou paralisado, mas logo retomou o nado em direção ao barco dobrável.

O recomeço sem o tutor

A perda do pai não apenas tirava um membro querido de sua família, mas tirava o empresário e treinador do jovem, na época com 21 anos. Enquanto aguardava o resgate, Richard ficou apoiado no bote com água até os joelhos em uma temperatura de -2°C. Quando o navio-irmão RMS Carpathia chegou, estava imobilizado da cintura para baixo.

Sua situação preocupou os médicos da embarcação, que acreditavam que o congelamento dos membros inferiores havia causado uma falência funcional e, caso não fosse amputado, poderia necrosar assim que retomasse a temperatura ambiente. O atleta preferiu recusar a proposta e arriscou um método próprio como fisioterapia, levantando de duas em duas horas para realizar caminhadas de curta distância.

A ideia deu certo; o atleta recuperou os movimentos da perna por completo, além de retomar os treinamentos. Quatro meses depois, decidiu se inscrever no torneio U.S. Open — anteriormente chamado U.S. Tennis Championship  — onde obteve seu primeiro título nacional na categoria de duplas mistas, junto de Mary Browne.

O tenista em competições profissionais durante a década de 1910 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A consagração

No ano seguinte, a associação criada por seu pai foi finalmente inaugurada e Richard teve a oportunidade de disputar o torneiro intercolegial por Harvard, ganhando o título nacional universitário individual. Em 1914 e 1916, Williams conquistou o principal título no U.S. Open a categoria individual masculina. Na segunda ocasião, foi ranqueado como o segundo melhor tenista do mundo.

Aos 33 anos, sua parceria com Hazel Wightman garantiu uma medalha de ouro na Olimpíada de 1924 pelo desempenho em duplas mistas. Apesar de nascer em Genebra, o tenista fez questão de atuar na competição representando os Estados Unidos como forma de demonstrar gratidão pelas origens de seu pai.

Com 5 títulos do U.S Open, um do torneio de Wimbledon e um ouro olímpico, o atleta se aposentou, aos 44 anos. Introduzido ao Hall da Fama do Tênis em 1957, o tenista não teve interesse em contar detalhes sobre o naufrágio até 1962, quando conheceu Walter Lord, um escritor e estudioso do caso. Richard morreu em 1968, aos 77 anos de idade, vítima de um enfisema.


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