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De Elvis a James Dean: Como o deepfake tem 'ressuscitado' grandes figuras da história

A técnica chama a atenção por reviver figuras marcantes, como Elvis anunciando um novo carro — mas abre o debate sobre o respeito a memória

Wallacy Ferrari Publicado em 04/11/2020, às 09h24

Figura de Elvis Presley representada em comercial do Fiat Strada
Figura de Elvis Presley representada em comercial do Fiat Strada - Divulgação / Fiat

Elvis Presley morreu em 1977. O carro modelo Strada, fabricado pela montadora Fiat, teve sua primeira versão em 1996. Obviamente, o Rei do Rock nunca cruzou com a picape enquanto andava pelas ruas, porém, foi responsável por protagonizar uma das principais ações de marketing deste ano — justamente por promover o novo Fiat Strada 2020, 40 anos após a morte.

Dançando, cantando e dirigindo o moderno modelo, o músico foi a principal estrela de um comercial, circulado na televisão e internet, com 2 minutos de duração. O método para obter o Rei foi alcançado com uma mistura de técnicas. Para facilitar a edição, o sósia americano Dean Z foi chamado para ser dublê de corpo de Elvis, tendo pontos de reconhecimento pintados no rosto.

Quando o material foi gravado, entrou a equipe com a mistura de duas tecnologias; a velha conhecida de Hollywood, o CGI (Imagem em Computação Gráfica), e a Deepfake, recém-chegada ao Brasil, que consegue reconhecer os pontos pintados no rosto do dublê e traduzir para um algoritmo capaz de realizar uma cobertura eficiente com a imagem de qualquer figura selecionada.

Dublê usado para captação (esq.) e set de filmagem (dir.) / Crédito: Divulgação/Instagram/deanzaelvis/13.07.2020

 

Abrindo o debate

A técnica do Deepfake já é usada massivamente em seu país de criação — e não apenas em megaproduções. O algoritmo inicial foi publicado de maneira aberta para qualquer um que tivesse interesse em desbravar a oportunidade de reposicionar os rostos em outras faces, dividindo opiniões.

No ano passado, a família de James Deanautorizou o uso da imagem do ator, morto aos 34 anos de idade em 1955, para o retorno ao cinema no filme Finding Jack, utilizando a mistura de Deepfake, CGI e dublagem de um imitador.

Para alguns fãs, no entanto, a ideia não foi uma das melhores. Mesmo sem ter acesso ao resultado final da tentativa, algumas críticas enalteceram o respeito a imagem e descanso da figura.

O ator Chris Evans afirmou que a tentativa seria “horrível” e ironizou: “Talvez podemos usar um computador para criar um novo Picasso. Ou escrever músicas de John Lennon. A completa falta de compreensão aqui é um pecado”. Zelda, filha do falecido Robin Williams, acrescentou que a indústria estaria “jogando baixo” com o avanço da tecnologia: “Golpe de marketing ou não, isso é usar os mortos por sua fama e abre espaço para ações horríveis no futuro”.

Fernando 3D junto a uma mesa digitalizadora em seu escritório / Crédito: Divulgação

 

Ajudando as produções

O entusiasmo da nova tecnologia não apenas pode reviver ídolos, mas abrilhantar ainda mais em produções audiovisuais, como afirma o diretor de arte Fernando 3D: “Se antes era necessário contratar um ator mais novo, um mais jovem e outro de mais idade para interpretarem as três fases da vida de um mesmo personagem, agora com essa ferramenta é possível fazer estas fases da vida da pessoa com o mesmo ator”.

Com parcerias junto a Bruno Sartori, principal deepfaker do Brasil, Fernando explica que a técnica é a mesma para qualquer pessoa, tendo de reunir o máximo de imagens possíveis de uma figura, dos mais variados ângulos, para um melhor escaneamento. Os maiores empecilhos, no entanto, são com imagens antigas, chegando a fazer o processo de produção de uma cena durar até duas semanas.

“Uma coisa que influencia muito é a qualidade da imagem. Na década de 90 e no início dos anos 2000 elas ainda eram feitas em SD (Secure Digital Card), o que ainda assim é de qualidade baixa. Pior é quando se achava arquivo na internet que muitas vezes possui qualidade até pior. Então tentamos achar uma versão melhorada em algumas formas, como pegando os arquivos diretamente com emissoras de televisão ou produtoras de filmes, pegando a fita beta deles para converter em meio digital”, explicou o diretor.

Fernando 3D ainda comentou a técnica utilizada no comercial brasileiro de Elvis Presley para a montadora Fiat, explicando a facilidade na produção: “É um comercial bem rápido. Mas usaram o Deepfake do Elvis, ainda mais que existem diversos materiais dele que podem ser usados, inclusive muitos deles remasterizados em HD. A meu ver foi algo bem trabalhoso e merece parabenizar toda à agência e produtora que realizou este projeto”, completa.


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