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De Monroe a Tate: Thomas Noguchi o legista que examinou os cadáveres mais famosos de Hollywood

Em sua carreira, o médico analisou os corpos de grandes artistas, alguns inclusive têm a morte debatida até hoje

Penélope Coelho Publicado em 02/07/2020, às 16h55

Thomas Noguchi, em  2016
Thomas Noguchi, em 2016 - Wikimedia Commons

Quando personalidades da mídia, astros e estrelas morrem de maneira controversa, é comum que aconteça um alvoroço em torno do episódio. Entender como o artista passou seus últimos momentos e as reais causas da morte, são sempre alvos de perguntas da mídia.

Para responder a esses questionamentos existe uma longa investigação, inclusive médica. Durante os anos em que Thomas Noguchi foi o legista-chefe da cidade de Los Angeles, o homem comandou as perícias mais importantes da história de Hollywood. Seu nome ficou marcado para sempre na história, já que o doutor deu tudo de si para que todas as verdades fossem reveladas. Não à toa, Noguchi recebeu o apelido de legista das estrelas.

Primeiros anos

Nascido em 4 janeiro de 1927, Thomas Tsunetomi Noguchi é de origem japonesa e foi criado na província de Yokosuka, no Japão. Desde jovem, o menino demonstrava interesse pela área médica.

Formado pela Tokyo's Nippon Medical School, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos em busca de grandes oportunidades em sua carreira. Talentoso, logo assumiria uma posição de destaque: começou a atuar como médico legista-chefe do condado de Los Angeles — a famosa cidade das estrelas.

Principais casos

A primeira vez que o nome de Noguchi apareceu na mídia foi em agosto de 1962, quando o médico supervisionou a autópsia da morte de uma das mulheres mais famosas do mundo: Marilyn Monroe.

Depois de inúmeras pesquisas no corpo da estrela, o doutor concluiu que a causa do falecimento foi o alto nível de medicação para dormir em uma dose letal, chegando ao laudo de suicídio. Embora a morte de Marilyn ainda desperte inúmeras teorias como a de um assassinato envolvendo membros da família Kennedy, as conclusões de Thomas foram as oficialmente aceitas.

Marilyn Monroe para a divulgação do filme Some Like It Hot, de 1959 / Crédito: Getty Images

 

Curiosamente, no ano de 1968, o médico analisou as causas da polêmica morte de Robert Kennedy, senador norte-americano e irmão de JFK. Bobby — como era chamado —, comemorava os resultados das eleições em 5 de junho daquele ano, quando foi atingido por um tiro na cabeça.

De acordo com especialistas, a meticulosidade e a rapidez do trabalho de Thomas e sua equipe foram imprescindíveis para que Sirhan Bishara Sirhan — o culpado pelo crime — fosse preso o mais breve possível.

Em sua análise, Noguchi concluiu que o tiro fatal foi disparado na parte de trás da cabeça do senador, de um ângulo relativamente próximo. A velocidade do doutor nesse caso foi um marco para que ele se tornasse um dos principais cientistas forenses do mundo.

 

Análise difícil

No ano seguinte, em 1969, um dos casos mais brutais da história aconteceu em Los Angeles e mais uma vez, Noguchi foi chamado. Tratava-se da morte da jovem atriz de 26 anos, Sharon Tate — que foi assassinada enquanto estava grávida de oito meses, por criminosos que invadiram sua casa, a mando de Charles Manson.

Noguchi realizou a autópsia no corpo de Tate e no casal LaBianca — que também foram mortos pelo grupo organizado por Manson. Acredita-se que essa tenha sido a análise mais árdua realizada pelo médico.

Fotografia de Sharon Tate / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1970, mais uma triste perda iria marcar a carreira do legista, dessa vez a cantora e compositora, conhecida como a rainha do rock, Janis Joplin. O diagnóstico de overdose por heroína foi dado rapidamente pelo especialista.

Nos anos em que comandou seu departamento, o homem costumava ser muito julgado na comunidade médica por sempre falar abertamente com a imprensa. Por isso, em 1982, o doutor acabou sendo removido do cargo.

Além de Monroe, Kennedy, Tate e Joplin, o médico analisou os corpos de outros grandes artistas que morreram, como: Inger Stevens; Gia Scala; David Janssen; William Holden; Natalie Wood e John Belushi.

Aposentado desde 1999, Thomas Noguchi já ganhou diversos prêmios e homenagens por sua atuação. Aos 93 anos, o nipo-americano continua sendo uma das maiores referências para os patologistas forenses, após os longos anos em que se dedicou nos mais famosos casos de Hollywood.


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