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De queridinha de Chaplin a acusação de assassinato: a melancólica carreira de Mabel Normand

A atriz do cinema mudo, que ficou conhecida por sua parceria com Charles Chaplin, teve seu nome envolvido em polêmicas

Paola Churchill Publicado em 18/04/2020, às 08h00

Mabel em um cartão-postal em 1909
Mabel em um cartão-postal em 1909 - Wikimedia Commons

Nos primórdios do cinema, os filmes eram completamente sem falas: à carência de tecnologia da época impedia que as frases fossem sincronizadas com a imagem. Para reverter esse problema, toda sessão cinematográfica era acompanhada de um pianista e entre uma cena ou outra, eram colocadas legendas.

Apesar da ausência sonora, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o entretenimento era o maior sucesso. No entanto, se conhecessem os bastidores da vida real, as pessoas saberiam que grande parte das estrelas da época viviam um verdadeiro inferno. A principal delas era Amabel Ethelreid Normand, uma das grandes divas do período.

Queridinha de Chaplin

Amabel começou a sua carreira muito cedo, quando tinha apenas 16 anos, em 1909, como modelo artística de cartões postais. Não demorou muito para que sua beleza e o sorriso enigmático conquistassem os diretores e ela se tornasse a estrela principal dos filmes durante uma década.

Mabel Normand e Roscoe Arbuckle em cena/Crédito: Divulgação/Youtube 

 

Sua grande estreia se deu no curta-metragem Her Awakening, em 1911, do cineasta D. W. Griffith. Era o início de uma carreira aclamada. Em primeiro momento, as obras cinematográficas só focavam em seus dotes físicos, no entanto, ganhou destaque na comédia. Ela, inclusive, é creditada como a primeira estrela de cinema a receber uma tortada na cara.

Mabel foi essencial na carreira do simbolo do cinema mudo, Charles Chaplin com quem atuou como protagonista e mentora, muitas vezes co-escrevendo e dirigindo filmes ao seu lado. No começo da carreia de Chaplin, devido a uma grande pressão e demanda, sua atuação era considerada ruim, e as pessoas duvidavam realmente de seu potencial.

Foi a atriz que o incentiva e convenceu os diretores a deram outra chance para o jovem ator. Depois disso, em quase todos os filmes do grande astro, Mabel o acompanhava.

Mabel Normand no set de filmagem em 1912/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Escândalos

Mabel estava no topo, era amada pelo público e convidada para protagonizar todos os filmes da época. No entanto, quanto mais cobiçada a pessoa é, maior é a queda. Isso porque a artista passou a se envolver em escândalos que abalaram o cinema. 

A primeira delas envolveu o nome do comediante Roscoe Arbuckle, que foi julgado por homicídio culposo após a morte da atriz Virginia Rappe, em 1921. Embora tenha sido absolvido, o escândalo destruiu sua carreia e os filmes foram banidos. Normand, que trabalhava com frequência com o ator, viu grande de suas produções saírem de cena. Era o começo de uma crise, que seria agravada.

Entretanto, o crime que realmente manchou o nome de Normand se deu diante do assassinato do diretor William Desmond Taylor. Os dois eram muito apaixonados pela leitura, e por causa dessa paixão, tinham um relacionamento próximo.

Na noite de seu assassinato, em 1º de fevereiro de 1992, Mabel deixou o bangalô de Taylor carregando um livro que ele havia emprestado. Ela entrou na limusine, e olhou mais uma vez para seu velho amigo, e com carinho soprou um beijo de despedida, enquanto o veículo se afastava. A atriz a última pessoa que viu o cineasta vivo.   

Pouco tempo depois ter ido embora, ladrões entraram na casa de Desmond, em West Lake, em Los Angeles, e atiraram duas vezes contra o cineasta, que morreu na mesma hora. O crime teve muita repercução nos veículos de comunicação. Primeiro porque William eram um nome em ascessão de hollywood, e segundo porque nada foi roubado.  

Quando a polícia chegou a cena do crime e investigaram o cadáver do homem, a primeira suspeita do assassinato foi Mabel. Tudo isso, por conta que no bolso do diretor assassinado havia uma foto da atriz. 

Mabel Normand sempre atuava junto de Charles Chaplin/Crédito: Divulgação/Youtube

 

Mabel rapidamente foi chamada para depor. Foram horas e mais horas de interrogatório enquanto a estrela estava exausta de tantas perguntas e devastada pela morte de um de seus melhores amigos. Após muito tempo na delegacia, ela foi liberada e descartada como suspeita, no entanto, sua carreira entrou em colapso. Isso porque o verdadeiro assassino de Desmond nunca foi identificado, levando a atriz a viver na sombra de um crime.

Apesar de ainda ter realizado pequenas participações em algumas produções, a  trajetória de Normand brilhante estava acabada. Em 1926, ela se casou com o ator Lew Cody. Os dois moravam em Bervely Hills, mas a aposentada atriz vivia triste e com a saúde debilitada por conta de uma tuberculose. Em 1930, aos 30 anos de idade, Mabel morreu por conta das complicações da doença e foi enterrada em Calvary Cemetery, em Los Angeles.


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