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De sequestro a rituais: 5 fatos sobre a inacreditável saga do cadáver de Eva Perón

A primeira-dama mais famosa da Argentina teve seu cadáver mumificado e politicamente cultuado, até que os militares decidiram dar fim aos restos

André Nogueira Publicado em 01/07/2020, às 10h36

Cena do filme Eva Não Dorme (2017)
Cena do filme Eva Não Dorme (2017) - Divulgação/Pandora Filmes

Eva Perón foi a mais famosa primeira-dama da Argentina. Esposa de Juan Domingo Perón, morreu em 1952, vítima de um câncer de útero. Importante articuladora com altíssimo capital político, chegou a ser mais popular que o próprio marido, se tornando peça essencial do jogo político na Argentina.

Como consequência, sua morte não apenas abalou o país, como também foi alvo de diversas ações que levaram a sua mumificação e, depois, ao roubo de seu cadáver mumificado.

Conheça cinco fatos bizarros sobre a saga do cadáver de Eva Perón.

1. Corpo e espírito

Corpo de Eva Perón / Crédito: Getty Images

 

Depois de morrer, aos 33 anos, Evita Perón deixou uma série de órfãos políticos. Uma sensação na Argentina, ela foi considerada uma grande perda para o país, marcado pela crise política. Então, com o óbito, seu corpo se tornou alvo de condecorações políticas e, praticamente, culto.

Ele foi embalsamado e disposto na sede da Confederação Geral do Trabalho, o sindicato hegemonicamente peronista em Buenos Aires. Os restos, preservados, passaram a ser quase uma relíquia religiosa.

Em um pedestal para visitação, os restos esperavam um novo mausoléu que estava sendo construído quando a Argentina sofreu um golpe de Estado pelos militares, que, pouquíssimo tempo depois, foram atrás do símbolo político. Em 1955, o Exército invadiu a CGT e o chefe do Serviço de Inteligência, Carlos Koenig, ficou responsável pela ocultação do cadáver.

2. Desrespeito completo

Koenig comandou um grupo que decidiria o que aconteceria com o corpo morto de Eva. Ao contrário dos oficiais da Marinha, que queriam dissolvê-lo em ácido, e do general Aramburu, que queria um sepultamento digno, ele, maniacamente, decidiu manter o cadáver como uma espécie de souvenir. Guardando o corpo num porão, permitia que amigos próximos visitassem. Uma verdadeira obsessão doentia.

Foi relatado que Koenig fazia de tudo no corpo da primeira-dama mais famosa da Argentina: masturbava-se sobre ele, urinava em cima, mexia nas mais diversas partes, entre outros atos hediondos. Até os militares discordaram da atuação do general, que foi levado a um regimento afastado na Patagônia.

3. Perseguição e culto

Eva Perón aclamada / Crédito: Getty Images

 

Existem muitas especulações de que movimentos clandestinos peronistas acompanhavam o trajeto secreto do corpo de Eva Perón, seguindo o cadáver a distância e prestando homenagens à falecida. Por isso, fora relatado uma série de aparições de flores e velas misteriosas que eram colocadas nos arredores do local onde ela estava escondida, que eram usadas como marco para peregrinações.

Isso teria feito com que os militares buscassem formas de despistar os perseguidores. Uma lenda na Argentina diz que os oficiais chegaram a fazer três cópias de cera da heroína para confundirem os peronistas. Porém, com menos de dois anos de confusão, foi decidido que o corpo não deveria mais se manter no país.

4. Exílio póstumo

Juan Domingo Perón / Crédito: Wikimedia Commons

 

Então, em 1957, o ditador Pedro Aramburu decretou que Eva fosse enviada para fora da Argentina, para diminuir os efeitos de sua adoração entre os opositores. Uma operação complexa e secreta, que até hoje não foi elucidada, teria a embarcado para fora da capital com um nome falso, com destino a Gênova, para que fosse enterrada em Milão. Pensando em efeito de segurança, ninguém sabia exatamente onde os religiosos a sepultariam na Itália.

O tiro saiu pela culatra. Um grupo de guerrilheiros peronistas de esquerda (Los Montoneros) sequestraram Aramburu, reivindicando o lugar onde estava guardado o corpo de Eva. Todavia, o general não sabia indicar, e acabou sendo executado. Isso desencadeou uma grande crise política que levou ao mandatário Alejandro Lanusse a decidir devolver a múmia da primeira-dama, que vivia exilada na Espanha.

 5. Bruxaria

José López Rega, El Brujo, com Isabelita, em 1970 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O corpo de Eva chegou a Madrid em 1971, onde o marido, morando com a nova esposa (Isabelita) e com um assistente, o anticomunista José López Rega, passou a cuidar da múmia. No entanto, o cadáver não encontrou o descanso final: o assistente, conhecido como “Bruxo”, passou a usar a Madre Mía como objeto de rituais ocultistas.

Ele teria tentado transferir a alma de Evita para o corpo de Isabel, fazendo com que a mulher se deitasse sobre a múmia enquanto ele entoava diversas orações.

Eram diversos os movimentos esotéricos que se tentava fazer com o corpo da argentina, que só encontrou paz depois de 1973, quando foi reivindicado pelos montoneros num atentado que sequestrou o corpo de Aramburu, declarando que só o deixariam em paz com o retorno e sepultamento da primeira-dama.


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