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De socialite a freira: a história de Ann Russell Miller, a Irmã Mary Joseph

“Um tipo incomum de freira”, a mulher abandonou a vida de luxos e passou os últimos trinta anos de sua vida em um dos mais rígidos conventos do mundo

Isabela Barreiros, sob supervisão de Alana Sousa Publicado em 10/06/2021, às 18h00

Ann Russel Miller, a Irmã Mary Joseph
Ann Russel Miller, a Irmã Mary Joseph - Twitter/Mark. R. Miller

“Os primeiros dois terços da minha vida foram dedicados ao mundo”, disse Ann Russel Miller durante sua festa de 61 anos, no hotel Hilton em São Francisco, nos EUA. Vida própria e filhos tomaram conta dos primeiros e segundos 30 anos de vida. “O último terço será dedicado à minha alma”, afirmou aos seus 800 convidados.

Na época, em 1989, ela era conhecida por seu nome verdadeiro. Sua vida era repleta de luxos, como era de se esperar de uma rica socialite estadunidense. Mas, no seus últimos anos, ela passou a ser chamada de Irmã Mary Joseph. Isso porque a mulher largou a alta sociedade para se tornar freira.

Como informou a Folha de S. Paulo, a freira morreu no último domingo, 6, no mosteiro das Irmãs de Nossa Senhora do Monte Carmelo em Des Plaines, Illinois, aos 92 anos. O filho mais novo de Ann, Mark R. Miller, fez uma publicação em seu perfil no Twitter, em um desabafo sobre a vida da mãe, totalmente incomum.

Um sonho incomum

Nascida em 1928, Ann era filha do presidente da Southern Pacific Railroad, empresa que controlava uma importante ferrovia estadunidense. Ainda que tivesse uma vida de luxos, a menina sempre sonhou em ser freira. O desejo, porém, permaneceu apenas em sua imaginação por muitos anos.

O sonho de ser freira não se tornou realidade porque a jovem se apaixonou, como relatou a BBC, o que fez com que ela se casasse aos 20 anos de idade com o vice-presidente da Pacific Gas and Electric, Richard Miller. Assim, dentro da alta sociedade, a moça aceitou seu papel de socialite e viveu como tal.

Festas, férias de esqui, mansões, iates, escavações arqueológicas, viagens ao Mediterrâneo, e tudo de mais requintado estava na rotina de Miller, que viveu com a família em uma mansão de nove quartos, da qual se observava a bela Baía de São Francisco. Uma vida muito pomposa para uma mulher que queria ser freira.

"Aos 27 anos, ela tinha cinco filhos, e então teve mais cinco — um time de basquete de cada sexo. Ela tinha um milhão de amigos. Fumava, bebia, jogava cartas. Tornou-se mergulhadora em águas abertas. Ela dirigia tão rápido e imprudentemente que as pessoas saíam do carro dela com o pé dolorido de tanto pisar no freio imaginário”, escreveu Mark Miller em seu Twitter.

Esses foram os primeiros e segundos trinta anos da vida da socialite, os quais ela aproveitou intensamente. O marco para o último terço foi a morte do marido em 1984 devido a um terrível câncer. Lembrando de seu antigo desejo, ela começou uma tortuosa jornada para mudar sua vida.

O último terço

"Ela parou de fumar, beber álcool e cafeína no mesmo dia e de alguma forma conseguiu não cometer homicídio como resultado”, narrou o Miller mais novo. Ao longo de cinco anos, Ann se esforçou para se tornar uma freira, mas, muito mais do que isso: ela queria entrar no convento das Irmãs de Nossa Senhora do Monte Carmelo em Des Plaines, Illinois.

A ordem é conhecida por ser uma das mais rígidas de todo o mundo, porém, ainda assim, a mulher conseguiu entrar, com toda a sua motivação. Antes de entregar sua vida a Deus, a ex-socialite fez uma enorme festa, quando completou 61 anos, para anunciar a amigos e parentes que iria se tornar uma freira carmelita.

Já como Irmã Mary Joseph, ela fez voto de silêncio, solidão e pobreza, em uma vida totalmente diferente da qual estava acostumada. As freiras não podiam deixar o convento, não falavam mais que o estritamente necessário, dormiam em uma prancha de madeira com um colchão fino e não podiam comer carne.

Ainda que a rotina das Irmãs fossem rígidas dessa forma, ela ainda arrumava uma forma de ser nada tradicional. Foi Mark quem revelou isso: "Ela era um tipo incomum de freira. Ela não cantava muito bem, atrasava-se frequentemente para as tarefas exigidas no convento e atirava galhos para os cães comunitários, o que não era permitido."

Depois de 30 anos servindo não mais ao mundo, mas a Deus, parece que Ann conseguiu cumprir o que queria, ainda que de uma maneira inusitada e que parece ter saído de algum filme americano.


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