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A decapitação de Luís XVI, o ápice da Revolução Francesa

Em 21 de janeiro de 1793, o rei da França era declarado culpado por traição e morto na guilhotina

Carlo Cauti Publicado em 21/01/2020, às 07h00

Pintura mostra os momentos finais de Luís XVI
Pintura mostra os momentos finais de Luís XVI - Wikimedia Commons

A carruagem chegou às 10h15 aos pés da guilhotina erguida na Praça da Revolução, anteriormente Praça Luís XV, em frente ao pedestal do qual a estátua do tirano com esse nome havia sido derrubada. As estradas de acesso eram defendidas por inúmeras peças de artilharia. Chegando a esse lugar terrível, Luís Capeto foi entregue aos carrascos. Eles tomaram posse dele, cortaram-lhe os cabelos, tiraram-lhe as roupas e amarraram-lhe as mãos atrás das costas.

Então perguntaram- lhe três vezes seguidas se ele tinha algo a dizer ou declarar ao seu confessor. Como ele continuou a dizer não, o abade o abraçou e, deixando-o, disse-lhe: "Vá, filho de São Luís, o céu te espera".

Essa é a crônica que o Magicien Républicain, um jornal antimonarquista da época, fez da execução de Luís XVI, o último soberano francês do Ancient Régime, o Velho Regime, no dia 21 de janeiro de 1793. Que continua:

“O rei conseguiu avançar para a borda do patíbulo mostrando o desejo de pronunciar um discurso aos cidadãos e esperando que suas palavras pudessem salvá-lo. Mas o comandante Santerre ordenou que os tambores rolassem e os carrascos cumprissem seu dever. A ordem foi executada imediatamente. Os carrascos o pegaram, o levaram à mesa fatal, e ele teve tempo de pronunciar alto e claro: ‘Morro inocente dos crimes dos quais sou acusado. Perdoo os que me matam. Que meu sangue nunca caia sobre a França!’. A lâmina vingadora correu pela cabeça culpada. Removendo-a”.

Retrato de Luís XVI / Crédito: Wikimedia Commons

 

A morte de Luís XVI foi o ápice da Revolução Francesa, desencadeada por enormes problemas econômicos e políticos, além do grave conflito social que abalava a França no final do século 18. Luís XVI e a família real foram considerados como os principais responsáveis por essa situação e por isso terminaram destronados, processados e quase todos guilhotinados.

É o velho mas verdadeiro clichê sobre quem escreve a História: a tradição da França republicana acatou a visão dos vencedores – os revolucionários –, do rei como o principal culpado pelos males que desencadearam a Revolução. Ele passou a ser lembrado como fraco, corrupto, indeciso e inepto.

“Esses estereótipos se encontram nas pilhas de manuais escolares que os professores universitários não quiseram se esforçar em revisar, se mantendo próximos à descrição tradicional do rei”, afirma o historiador francês Jean-Christian Petitfils, autor da obra monumental Louis XVI.

“A educação do rei não deixava nada a dever, assim como seu modo de trabalhar, suas leituras numerosas, sua vasta cultura, sua paixão para as ciências, sua ação no caso da guerra de 1792, que ele tentou desesperadamente evitar, contradizem a opinião consolidada e constantemente repetida.”

No final, a monarquia como um todo foi vista como culpado, e o rei era sua encarnação. A servidão foi totalmente abolida na França em 4 de agosto de 1789, no começo da Revolução, pela Assembleia Nacional Constituinte, quando os privilégios feudais da nobreza foram declarados extintos.


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