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Deikov, os irmãos que encontraram um grande tesouro trácio

Com 24 quilates de ouro, as nove peças foram perfeitamente construídas por artesões da Trácia e encontradas em um local inusitado

Alana Sousa Publicado em 10/06/2020, às 14h44

Os irmãos Deikov com o tesouro em foto colorizada
Os irmãos Deikov com o tesouro em foto colorizada - Wikimedia Commons

Era 8 de dezembro de 1949. Parecia mais um dia comum na cidade de Panagyurishte, localizada na província Pazardzhik, Bulgária. Os irmãos Pavel, Petko e Mihail Deikov iam para mais um dia de trabalho, mal sabiam eles da descoberta histórica que estavam prestes a fazer.

Em uma fábrica na cidade, os irmãos estavam cavando um poço no pátio para preenchê-lo com argila, até que, ao alcançar certa profundidade — existe um debate quanto a isso, alguns acreditam que seriam 2 metros, mas especialistas duvidam —, encontraram diversos objetos, dos mais variados tipos. Os Deikov não deram atenção aos artefatos, acreditando que teriam sido deixados para trás por ciganos e que nada valiam, continuaram então o trabalho.

Os rumores de objetos ciganos desenterrados começaram a circular pela pequena cidade, com em média 20 mil habitantes. O achado estava sendo repassado como “instrumentos de metal cigano”, e o pátio da fábrica se enchia de curiosos.

O tesouro de Panagyurishte / Crédito: Divulgação

 

No entanto, um dos visitantes viria a desmitificar a crença de que as relíquias eram de ciganos, ou até mesmo, instrumentos musicais antigos. Tratava-se de Petar Gorbanov, um arqueólogo formado pela Universidade de Viena, que estava na Bulgária a trabalho.

Outra versão da história afirma que desde o início os irmãos sabiam do valor histórico e monetário da descoberta, e que após salvá-la várias vezes de ladrões, teriam a levado para um conselho de pesquisadores, e então visto pela primeira vez por Gorbanov.

Mesmo com uma diferença de detalhes de como os fatos se sucederam, pois, a história foi repassada oralmente através dos anos, é consenso que as relíquias foram limpas e expostas em uma vitrine para quem quisesse ver de perto tais objetos instigantes e misteriosos.

Patera / Crédito: Divulgação

 

Cada dia que se passava a história ganhava novas proporções, até que chegou ao conhecimento de dois museus importantes: o Instituto Arqueológico de Sofia e o Museu Arqueológico de Plovdiv, que se tornou a casa do tesouro de Panagyurishte, enquanto análises não eram realizadas.

Ainda sem revelar a história antiga dos artefatos, eles foram postos em uma exposição que rodou o mundo, passando por lugares como Roma, Paris, Munique, São Petersburgo, Budapeste, Varsóvia e Montreal. Foram dez anos em uma vitrine de segurança máxima nos mais diversos locais para que o tesouro da Bulgária pudesse ser visto internacionalmente.

Relíquias históricas

Duas rimas encontradas / Crédito: Divulgação

 

Há inconsistências sobre a origem dos objetos. Enquanto alguns acreditam que eles foram feitos por artesões da Trácia, sendo assim remontariam ao rei trácio Seuthes III, que governou entre 331 a.C. e 300 a.C.. Outros apoiam a tese de que as peças vieram da antiga cidade grega de Lampsacus, onde hoje está a Turquia.

A teoria mais consistente é de que os utensílios seriam mesmo dos trácios, levando em conta sua datação, do final do século 4 a.C e meados do século 3 a.C. Os trácios são um dos três principais grupos ancestrais do país e, ficaram na Bulgária até 500 a.C., o que engloba o período no qual o tesouro foi feito.

Os pesquisadores acreditam que os instrumentos pertenciam ao governante trácio da época ou a uma pessoa rica que os mantinham guardados em segredo. O que mais impressiona são os detalhes de cada artefato, ricos não apenas em valor financeiro, já que eram feitos de ouro, mas também com um artesanato minuciosamente desenvolvido.

Tesouro de Panagyurishte

A coleção encontrada consiste em nove peças: quatro rimas, três jarros rítmicos, uma ânfora rítmica e uma grande patera (uma espécie de tigela rasa). Pesando pouco mais de 6 quilos, os objetos possuem 24 quilates de ouro. Os detalhes em traços finos pretendiam reproduzir a maneira que os trácios viam o mundo.

A ânfora rítmica / Crédito: Divulgação

 

O artefato que mais se destacou foi a ânfora rítmica. Com quase 2 quilos de ouro, ela possui particularidades fascinantes. Nela é possível observar sete figuras masculinas em uma cena comum do cotidiano, os personagens estão descalços, seminus e aparentam correr em uma superfície. Um deles possui uma trombeta, enquanto os outros estão armados com espadas. Nas alças do objeto existem dois centauros.

O tesouro é considerado um dos maiores achados do século 20, mostrando um passado rico da Bulgária, que antes não era tão reconhecido por instituições internacionais. Atualmente, há três réplicas oficiais do conjunto histórico: uma no Museu Nacional de História de Sófia, outra no Museu Arqueológico de Plovdiv e, a última, no Museu de História de Panagyurishte. As peças oficiais são mantidas em segredo em um cofre, para evitar que sejam roubadas ou que acabem no mercado negro.


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