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Delírios no sanatório: Os dias finais de Pedro Augusto, neto de Dom Pedro II

Mesmo em seus últimos dias, o membro da família imperial acreditava que um dia seria o imperador do Brasil

Nicoli Raveli Publicado em 24/05/2020, às 09h00 - Atualizado às 10h30

Dom Pedro II e o neto, Pedro Augusto
Dom Pedro II e o neto, Pedro Augusto - Wikimedia Commons

O nascimento de Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança, filho mais velho da princesa Leopoldina de Bragança e do príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, foi amplamente celebrado, já que sua mãe já havia passado por diversos abortos.

Em seus primeiros anos de vida, o garotinho foi considerado por muito tempo o herdeiro do trono de Dom Pedro II, já que era seu neto preferido e também seu afilhado – tal fato era levado em consideração também pela hipótese de que a princesa Isabel e o conde d’Eueram seriam estéreis.

Surpresa imperial

Foi então que todos tiveram uma surpresa: após dez anos de relacionamento, Isabel deu a luz Pedro de Alcântara. Os sonhos de Pedro Augusto foram abalados, mas sua esperança ainda reinava. No fim, o jovem ainda acreditava que seu avô iria beneficiá-lo ao manter a promessa.

Saxe-Coburgo e Bragança ainda tinha tal pensamento devido ao descaso do povo brasileiro pelos tios do recém-nascido. A falta da simpatia era caracterizada pelo ódio devido a abolição da escravatura e do péssimo desempenho do marido da princesa na Guerra do Paraguai.

Mas o filho mais velho da princesa Leopoldina de Bragança não conseguia afirmar com toda a certeza que seria escolhido para o trono. Dessa maneira, os inúmeros pensamentos o causaram insônia, dores de cabeça e até mesmo tremores nas mãos.

Pedro Augusto / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além disso, a morte de sua mãe – que ocorreu em 1871 devido a febre tifoide – o atormentava diariamente: ele tinha medo de morrer pela mesma causa. A fim de amenizar a situação, o governo do conde criou um terceiro reinado comandado que seria comandado por Pedro Augusto.

A partir de então, o jovem tornou-se popular por meio da corte informal e lutou por sua ascensão com a ajuda de seus avós, que o aconselhou a disseminar os defeitos de dona Isabel a fim de promovê-lo.

Sem sucesso e impedido pela Proclamação da República, demorou a voltar ao Palácio Imperial e, quando chegou ao local, viu que estava cercado por diversos homens do exército.

Exílio

A partir de então, todos os membros – menos Pedro Augusto - foram encaminhados para um exílio. Quando se deparou com a situação, o garoto teve uma crise: ele enforcou o comandante do navio e o acusou de ter sido subornado para matar as pessoas da família imperial que estavam na embarcação a caminho da França e Áustria.

Foi então que o filho da princesa Leopoldina também foi obrigado a embarcar. Suas loucuras, porém, não tinham fim. Ele vestiu uma boia alegando que o navio seria bombardeado e, posteriormente, jogou garrafas no mar com escrituras que pediam socorro.

Já na Áustria, Augusto foi levado diretamente para um tratamento psiquiátrico, onde foi analisado por Sigmund Freud. O homem foi liberado em poucas semanas e, ao deixar o local, decidiu procurar seus avós.

A família imperial brasileira / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas as más notícias pareciam não ter fim. Agora, Teresa Cristina – que era a única salvação de Pedro ascender ao trono - havia morrido. A perda o afetou profundamente e, mais tarde, o levou a pensar até mesmo na restauração da monarquia no Brasil.

Mais uma vez suas crises psicológicas pareciam atrapalhar seu desempenho. Os que ainda estavam ao seu lado e apoiavam seus planos, decidiram se afastar completamente.

Agravamento da situação

Abandonado por todos, suas crises tornaram-se cada vez mais frequentes. Seu sono estava desregulado, seu corpo sentia falta de nutrientes e as alucinações tomaram conta de sua cabeça.

Acredita-se que, após o tratamento com Freud, parte de sua razão foi recuperada, mas isso não fez com que seus antigos colegas e apoiadores voltassem a ter contato com o filho da princesa.

Todavia, sua sensatez teve fim com a morte de Dom Pedro II. Devido ao ocorrido, Pedro passou a desenvolver cada vez mais pensamentos impróprios, como a alegação de que a princesa Isabel e seu marido haviam espalhado os boatos sobre sua saúde mental.

Gravura da família imperial brasileira / Crédito: Getty Images

 

Além disso, Augusto dizia que os jornalistas eram responsáveis pelo levantamento de dúvidas sobre sua sexualidade. O clímax, porém, foi atingido a partir dos noticiários franceses e argentinos sobre Pedro de Alcântara.

Naquele momento, o filho do príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota enfrentou o ápice de seu distúrbio: saiu cavalgando sem rumo, até que foi conduzido novamente ao Palácio Coburgo e tentou se suicidar ao atirar-se da janela de seu quarto.

Infeliz com os acontecimentos, seu pai decidiu colocá-lo em um sanatório localizado em Tülln an der Donau. A partir de então, o Predileto de Dom Pedro II passou todos os dias de sua vida no local.

Pedro Augusto morreu aos 68 anos de idade em julho de 1934 e, mesmo em seus últimos dias, cogitava que em algum momento seria o imperador do Brasil.


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