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Democracia em cheque: entenda o recente Golpe Militar em Mianmar

Na madrugada desta segunda-feira, 01, os militares do país asiático declararam o fim do atual regime civil, instaurado em 2011

Pamela Malva Publicado em 01/02/2021, às 20h00

Fotografia de Aung San Suu Kyi, patrona da democracia em Mianmar
Fotografia de Aung San Suu Kyi, patrona da democracia em Mianmar - Wikimedia Commons

Em novembro de 2020, cerca de 70% dos eleitores de Mianmar foram às urnas para votar em prol da Liga Nacional pela Democracia (NLD). Meses mais tarde, no dia 1º de fevereiro de 2021, soldados do país anunciaram um Golpe Militar.

Alegando “fraude eleitoral”, os agentes tomaram conta de Yangon, a principal cidade do país no sul da Ásia. Liderados pelo comandante Min Aung Hlaing, ainda limitaram todo e qualquer acesso à informação, seja por telefone, televisão ou internet.

Em pleno 2021, no meio de uma pandemia, o país retornou ao estado em que se encontrava em meados de 2011, quando ainda era governado pelas Forças Armadas. Só que a situação atual parece ser um pouco mais complexa.

Fotografia do general Min Aung Hlaing / Crédito: Wikimedia Commons

 

A história de um país

No início da Era Cristã, o território de Mianmar era diretamente influenciado pela cultura indiana, relação que foi rompida séculos mais tarde, pelos britânicos, em 1937. Ainda chamado de Birmânia, o país tornou-se independente dos colonos europeus em 1948.

Foi apenas em meados de 1989, no entanto, quando ainda era dominado pelos militares, que a antiga Birmânia foi chamada de Mianmar. Na época, os governantes quiseram fazer tal mudança para homenagear outras etnias que viviam no território.

Em 2011, depois de quase 50 anos de um duro Governo Militar, Mianmar entrou em um novo e promissor período civil. Naquele ano, reformas democráticas lideradas por Aung San Suu Kyi deram um fim ao longo regime dos soldados.

Um retrato de família, com Aung San Suu Kyi, tirado antes do assassinato de seu pai em 1947 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Período democrático

A segunda eleição puramente democrática de Mianmar aconteceu em novembro de 2020. No dia 8 daquele mês, mais da metade dos cerca de 53 milhões de habitantes do país foram às urnas decidir entre os partidos concorrentes.

Ao fim das apurações, a NLD conquistou arrebatadores 83% das cadeiras em disputa. Com um novo governo prestes a ser instaurado, o resultado aparentou ser uma clara referência ao período marcado pela movimentação de Suu Kyi em 2011.

Para os militares, contudo, a derrota pareceu injusta demais. Contestando o resultado, eles alegaram "enormes irregularidades" nas eleições e apresentaram diversas denúncias ao Supremo Tribunal Federal — acusações estas que foram negadas.

Fotografia de Uppatasanti Pagoda, um importante marco em Naypyidaw, capital de Mianmar / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um Golpe de Estado

Nos últimos dias de janeiro de 2021, então, os militares deixaram as promesas de lado e começaram a agir. Poucas horas antes da primeira sessão do novo Parlamento escolhido em novembro, eles iniciaram uma tomada de poder sem atos de violência.

Na segunda-feira, dia 1º de fevereiro, então, os soldados anunciaram o Golpe Militar em uma emissora de televisão estatal, comandada pelas Forças Armadas. Pouco antes, diversas ruas e estradas do território foram bloqueadas por veículos blindados.

No mesmo dia, diversos membros da NLD foram detidos pelos comandantes do golpe, incluindo Aung San Suu Kyi e o então presidente Win Myint. Governadores, ministros, políticos da oposição, escritores e ativistas também foram presos.

Fotografia do então presidente de Mianmar, Win Myint / Crédito: Wikimedia Commons

 

Movimentação interna

Durante a transmissão, um apresentador relembrou a constituição de 2008 do país. Nela, as leis de Mianmar permitem que os militares declararem emergência nacional — estado que, segundo os novos comandantes, permanecerá em vigor por um ano.

Feito o anúncio, os militares passaram a interferir na infraestrutura do país. De repente, as transmissões de televisão foram suspensas, a internet móvel foi interrompida, assim como certos serviços telefônicos, o mercado de ações e os bancos foram fechados e diversos voos domésticos e internacionais foram cancelados.

Nas ruas, os moradores das principais cidades do país fizeram enormes filas para estocar alimentos. Isso porque, segundo especialistas, existe a expectativa que uma crise de liquidez atinja os principais pontos comerciais do país nos próximos dias.

Suu Kyi se reunindo com Barack Obama na Casa Branca em setembro de 2012 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Expectativa inflamada

Presa por quase 15 anos, entre 1989 e 2010, Aung San Suu Kyi é filha do general Aung San, um herói da independência de Mianmar. Ativista e defensora dos Direitos Humanos, ela viu sua liberdade desaparecer junto ao governo civil do país.

Em resposta à movimentação militar, diversos governos internacionais criticaram o Golpe de Estado. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e a ministra das Relações Exteriores da Austrália, Marise Payne, por exemplo, pediram que a democracia seja respeitada em Mianmar.

Se depender dos militares, no entanto, o Golpe do Estado será mantido por mais um ano. Resta esperar, então, para confirmar quais atitudes serão tomadas pelo general Min Aung Hlaing, agora que ele tem um novo regime militar em suas mãos.


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