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Dennis Nilsen, o assassino e necrófilo que foi desmascarado por acaso

Depois de matar mais de dez pessoas, o escocês viu seus crimes vindo à tona em todo o Reino Unido

Pamela Malva Publicado em 27/11/2019, às 18h18

O escocês Dennis Nilsen
O escocês Dennis Nilsen - Getty Images

Quando Michael Cattran foi chamado para cuidar de um problema no encanamento de um prédio em Londres, em 1983, ele imaginou que seria mais um dia normal. Mal sabia ele, no entanto, que esse trabalho ficaria marcado tanto na sua história, quanto em sua memória.

Cattran descobriu, ao investigar as tubulações, uma quantidade impressionante de carne interrompendo o fluxo da latrina — eram mais de 30 pedaços bem cortados. Desconfiado, ele respondeu aos moradores que voltaria no dia seguinte com um supervisor. Sem querer, o encanador havia conectado seu próprio nome a um dos casos de assassinato mais famosos da história de Londres.

Os restos encontrados por Cattran nas tubulações eram algumas das muitas partes escondidas por Dennis Andrew Nilsen, um escocês nascido em 1945. Solitário e frustrado com sua vida amorosa, o homem matava para não ter que ficar sozinho em casa. Ele fez entre 15 e 16 vítimas entre 1978 e 1983 — os alvos eram sempre homens, entre 16 e 27 anos.

Um a um, Dennis os atraia para sua casa, para uma noite de prazeres e, enquanto seus companheiros dormiam, ele os estrangulava — ás vezes com gravatas, ás vezes com fios de eletricidade. O escocês, então, praticava atividades cotidianas com os mortos: assistia televisão, conversava sobre seu dia e, quando tinha vontade, transava com os corpos frios.

Gravata, facas e panela usadas por Dennis em seus assassinatos e esquartejamentos / Crédito: Getty Images

 

Para evitar o cheiro dos defuntos, o assassino e necrófilo passava desodorante pela casa, borrifando os cômodos quantas vezes fossem necessárias. Uma vez que o corpo entrava em decomposição, ele o esquartejava com cortes limpos com um facão — que aprendeu a usar em seus anos no exército inglês como cozinheiro — e fervia a cabeça em uma grande panela, para que o reconhecimento não fosse possível.

Com tudo pronto, ele escondia os pedaços das vítimas no seu jardim, em armários pela casa, incinerava-os em fogueiras ou descartava-os pela privada — daí os pedaços encontrados por Michael. Depois que o encanador encontrou as carnes, Dennis foi até a tubulação inspecionada e retirou as pistas que o incriminavam. Sem saber onde colocar os pedaços, ele os jogou no jardim do prédio em que morava.

Dennis Nilsen / Crédito: Getty Images

Seu erro, entretanto, foi não perceber que, na hora, vizinhos o observavam. Assustados com o comportamento suspeito de Dennis, as testemunhas chamaram a polícia que, logo, encontrou os pedaços que foram despejados. Testes foram feitos com as carnes e, assim que soube que eram de humanos, o investigador do caso foi confrontar o escocês. Ao ser questionado sobre o resto dos corpos, o assassino explicou sobre os sacos escondidos pela casa, impassível.

A polícia, então, passou a investigar a casa com mais afinco e, além dos pedaços encontrados, acharam diversos ossos quebrados enterrados no jardim do prédio — Dennis cozinhava braços e pernas para que a carne se soltasse da estrutura. Perguntaram ao assassino, então, sobre quantos assassinatos eles estavam falando “um ou dois?”, indagou o investigador, “quinze ou dezesseis”, respondeu Dennis, rindo de forma sarcástica.

O JULGAMENTO

Depois de alegar os, pelo menos, quinze assassinatos, Dennis foi levado à delegacia e, em um depoimento que durou mais de 30 horas, tirou todas as dúvidas dos investigadores, sem mostrar qualquer remorso. Ele relatou suas técnicas e ainda disse ter tentado matar mais sete homens, sem sucesso, além dos que realmente conseguiu ceifar.

Dennis, algemado, sendo levado à corte para seu julgamento / Crédito: Getty Images

 

Seu julgamento começou em 24 de outubro de 1983 e encerrou-se em 03 de novembro de 1983. Nilsen foi considerado culpado pelas acusações de seis mortes e mais duas tentativas provadas pelas investigações. Sua sentença foi à prisão perpétua, sem possibilidade de condicional. O assassino passou por quatro presídios até chegar a penitenciária Full Sutton, em East Yorkshire, onde morreu em maio de 2018, aos 72 anos.

Seu caso serviu de inspiração para a série de TV Des, da ITV, que deve ser lançada em 2020. O roteiro foi baseado no livro Killing for Company: The Story of a Man Addicted to Murder, de Brian Masters. A série explorará as consequências pessoais e profissionais de entrar em contato com um homem assassino e necrófilo como Nilsen.


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