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Matérias / Personagem

Depois de 'O Golpista do Tinder', conheça o homem que fingiu ser espião do MI5

Assunto de nova minissérie da Netflix, 'Mestres da Enganação', Robert Freegard enganou suas vítimas de maneira inacreditável

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 12/02/2022, às 09h00

Foto polaroid do 'vigarista máximo' Robert Freegard (2003) - Divulgação / Netflix
Foto polaroid do 'vigarista máximo' Robert Freegard (2003) - Divulgação / Netflix

Iniciando sua árdua saga em 1993, o inglês Robert Freegard, melhor conhecido como Hendy-Freegard, foi acusado de criar uma teia de mentiras por volta de toda a Europa, resultando em múltiplas vítimas de suas histórias. Conseguindo o dinheiro dessas pessoas e as manipulando para viver em isolamento, o ‘vigarista máximo’, como foi apelidado, enriqueceu devido a isso.

Robert Hendy-Freegard, nascido em 1 de março de 1971, é o assunto de uma das mais novas minisséries documentais da plataforma de streaming Netflix, chamada “Mestres da Enganação’. A história de Hendy também foi repercutida pelo Independent. 

O documentário mostra as histórias de diversas vítimas de Freegard, com destaque para a família da última a ser reconhecida: Sandra Clifton. Após ter desaparecido com Robert, que usava, na época, o nome ‘David Hendy’, seus dois filhos dizem não saber do paradeiro da mãe. 

Os filhos, chamados Jake e Sophie, contam a história de como 'David'manipulou sua mãe e até os forçou a mudar-se da casa de sua família, onde moravam com a mãe. No entanto, ainda assim, desejam muito vê-la novamente.

Não importa o que passamos [durante os anos desde o desaparecimento de Sandra], nós ainda te amamos e te queremos de volta em nossas vidas”, afirmaram. 

No entanto, a saga do homem de muitos nomes começou bem antes disso. 

Trabalhando no pub The Swan, no início da década de 90, Robert foi acusado pelas vítimas de contar mentiras e inventar histórias para entreter os clientes. Porém, tudo mudou quando conheceu John Atkinson, que estudava na Faculdade Agricultural de Harper Adams. O antigo colega o acusa de usar o medo relacionado ao terrorismo da IRA para criar sua primeira vítima.

Após convencer Atkinson de que era um espião do serviço de segurança britânico, MI5, disfarçado, Freegard explicou para o então ‘amigo’ que eles precisavam fugir, afinal, haviam se tornado alvo da organização. Também convencendo duas amigas do estudante, Sarah Smith e Maria Hendy, os quatro iniciaram um período de 10 anos marcado por mentiras e roubos.

Caos

Correndo de casa em casa pois 'estavam em perigo', as três vítimas acreditaram em sua história e investiram centenas de milhares de libras para conseguir continuar fugindo. Hendy até começou um relacionamento com Freegard, com quem casou e teve dois filhos. 

Porém, as coisas mudaram em 2002 quando Atkinson percebeu que tudo havia sido uma mentira e retornou para sua família. Em seguida, ele informou os amigos e familiares das outras vítimas. Sentindo-se horrível devido ao seu envolvimento nas histórias de Robert, de acordo com a cobertura do Independent, o ex-estudante sofreu mentalmente.

Eu tinha acabado de perder uma fortuna e fiz das vidas de minha família um inferno. Eu havia arrastado duas garotas inocentes da minha faculdade para uma teia de mentiras, e o ódio a mim mesmo era imenso. Eu queria morrer, não queria existir”, Atkinson afirma durante o documentário.

Fazendo outras vítimas quando não estava com os três estudantes, Robert Freegard foi pego por um esquadrão do FBI unido à polícia de Londres quando envolveu-se com uma mulher americana e também a enganou. Graças a mãe da vítima, que armou uma armadilha num aeroporto, a prisão se deu em 2005 e seu tribunal foi logo após, com as acusações de sequestro, roubo e fraude.

Robert foi condenado a vida na prisão em 2006, no entanto, seus advogados defenderam que as vítimas não foram sequestradas, mas sim o seguiram por vontade própria. Após isso, ele estava livre em 2009.

Liberdade para um ‘vigarista’?

Robert Freegard e Sandra Clifton em uma de suas viagens - Créditos: Divulgação / Netflix

Três anos depois, Robert, cuja história já havia sido assunto de um documentário, lançado em 2005, voltou à sua vida polêmica. Sandra Clifton havia acabado de divorciar-se de seu marido e, em 2012, decidiu entrar no mundo de namoro online, onde conheceu David Hendy, que teoricamente trabalhava com mídia e marketing.

Após dois anos afastada dos dois filhos, Jake e Sophie, fazendo com que os filhos fossem morar com o pai, David e Sandra fugiram no ano de 2014.

Depois disso, a família somente ouviu falar dela quando o assunto era pedir dinheiro ou, em 2020, quando ocorreu um processo legislativo para que Sandra pudesse vender a casa que ganhou de herança dos pais, no qual ela saiu vitoriosa.

Em 2015, após reconhecer que David era, na verdade, Robert Freegard, a polícia encontrou o casal. Logo deram o relato dos filhos: Sandra havia sido quase sequestrada e enganada; além disso, o vigarista era realmente David. Porém, ela disse já sabia a verdade e recusou a oportunidade de retornar para casa.

De qualquer maneira, a saga de culpa e punição de Robert continua sendo um assunto intenso. No ano de 2017, uma vendedora de cães, que participou do documentário, relatou que Freegard transportava diversos animais para ela, no entanto, nunca revelou de onde eles vinham, ameaçando-a quando a mulher cortou a relação ao descobrir sua identidade.

O que diz o acusado?

Recentemente, o jornal The Times encontrou Robert, mesmo quando a equipe da Netflix não conseguiu, e conversou com ele sobre o passado, sem citar a situação de Sandra.

Expressando arrependimentos, Hendy-Freegard também apontou que tentou evitar qualquer foco na história e, possivelmente, acusou suas vítimas.

Tem muitas coisas que eu desejo muito que poderiam e deveriam ter sido diferentes para todos envolvidos nisso. Eu também seria o primeiro a admitir que cometi erros insensíveis durante a vida, pelos quais me desculpo sem demoras. No entanto, eu sentei-me e tentei por muito tempo, especialmente pela proteção de meus filhos, a ignorar o holofote e deixar as mentiras não serem corrigidas. Me parece que há alguns envolvidos neste triste episódio que precisam lembrar-se do número grande de fatos e verdades que esqueceram ou decidiram ignorar”, disse.