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Depressão e suicídio: a triste maldição da família Hemingway

A poderosa sina que tomou os familiares do escritor de O Velho e o Mar levou muitos parentes à morte

André Nogueira Publicado em 30/06/2020, às 10h00 - Atualizado às 11h24

Família Hemingway
Família Hemingway - Wikimedia Commons

A família do famoso escritor Ernest Hemingway sofreu com um sombrio legado que atingiu também o próprio jornalista: ao menos cinco integrantes tiraram a própria vida. Tudo começou com o ato suicidário do pai, que se matou em 1929, com uma pistola da época da Guerra Civil.

No período, o autor tinha seu primeiro sucesso midiático, com a publicação de Adeus às Armas. Porém, a vida do pai estava marcada por decepções e depressão. Ausente em muitos momentos, o homem tinha conflitos com a família, principalmente com a filha Gloria, nascida Gregory, que era transexual.

As memórias de Gloria, publicadas em 1976, revelam que, além disso, Clarence era um “alcoólatra incurável”, distante e egocêntrico. Sua depressão, que parece ter sido herdada por muitos parentes, incluindo Ernest, foi cabal para a ação radical.

Hemingway no fim da vida, em seu iate / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ernest, por sua vez, culpava fortemente a mãe pela morte do pai, por projeções de sua decepção com a mantenedora. Em constante conflito com o filho, ela queria que ele fosse músico ou coisa parecida, enquanto o futuro Nobel se identificava mais com o pai e com seu estilo de vida, que o levou a ser jornalista.

A vida agitada, a perda do pai e, ainda, mais tarde, o contato vil com as atrocidades da guerra, principalmente no conflito interno na Espanha, que acompanhou de perto, culminaram numa forte depressão em Hemingway. Ela fez com que, em 1960, ele fosse hospitalizado na Clínica Mayo de Rochester, onde passou por tratamento de eletrochoque.

Um ano depois, recebeu alta, mas em condição triste de degradação mental. Ernest havia obtido da mãe uma encomenda que continha a arma usada pelo pai no suicídio, o que o atormentou. “Alguns anos mais tarde, pelo Natal, recebi um embrulho da minha mãe. Continha o revolver com que o meu pai se suicidara. Trazia um bilhete dizendo que achava que eu talvez gostasse de o ter, mas não explicava se era agouro ou profecia”, escreveu ele, em trecho contido na biografia Papa Hemingway, de Aaron Hotchner.

Ernest Hemingway / Crédito: Divulgação

 

Aquele objeto fadou o destino do jornalista, que tirou a própria vida meses depois de sair do hospital psiquiátrico, atirando em si mesmo com uma espingarda. A reincidência de depressão culminando em suicídio fez com que o caso ficasse conhecido como efeito de uma maldição na Família Hemingway.

Ele não foi o último a sofrer com a sina. Cinco anos depois de sua morte, a sua irmã, Úrsula, também tirou a própria vida com um tiro, e ainda o outro irmão, Leicester, que também era escritor, se matou em 1982. Uma geração inteira se perdeu por conta do suicídio.

Mais tarde, mais um Hemingway perdera a própria vida em ato suicidário: em 1996, a neta do escritor, a atriz e modelo Margaux Hemingway, morreu de uma overdose induzida por uma dose letal de soníferos. A jovem tinha apenas 41 anos e sofria com a herança de depressão da família.

Margaux Hemingway, neta do escritor, vítima de suicídio / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 2003, o jornalista John Hemingway, que hoje mora na Itália, publicou uma série de memórias e uma biografia do avô e da mãe, Gloria. Seu lado da família é conhecido internamente como a geração que quebrou a cadeia de suicídios e depressão. Atualmente, o homem é casado e tem dois filhos, tendo perdido o avô Clarence com apenas onze meses de vida.

O legado de Ernest Hemingway apagou parte da tensão gerada pelo seu suicídio e da morte intergeracional, pois é considerado até hoje um dos mais importantes da história da literatura.

Suas obras são lembradas pela excelente qualidade, como Por Quem os Sinos Dobram, O Sol Também Levanta e o romance O Velho e o Mar, que o rendeu o Pultizer de Ficção em 1953. Também recebeu o Nobel de Literatura em 1954 e é conhecido por um dos relatos mais carnais da experiência da Guerra Civil Espanhola.


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