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Depressão, solidão e mágoa: A saga de Lucy, a chimpanzé criada como humana

Acolhida por um casal de Oklahoma, a primata aprendeu a comer com talheres, tomar gin, fazer chá e falar por linguagem de sinais

Pamela Malva Publicado em 06/07/2020, às 15h00

Lucy no colo de Janis Carter, na Gâmbia
Lucy no colo de Janis Carter, na Gâmbia - Wikimedia Commons

Depois de Planeta dos Macacos, um sucesso de bilheteria, o mundo passou a se questionar ainda mais sobre as capacidades dos primatas. Os entusiastas, por exemplo, começaram a refletir sobre a possibilidade de criar tais animais como pessoas.

Muito semelhantes à raça humana, os macacos já demonstraram uma imensa habilidade de raciocínio. Assim, seria possível que eles se desenvolvessem como crianças, aprendendo línguas e costumes humanos?

Foi nisso que Maurice K. Temerlin, psicoterapeuta e professor da Universidade de Oklahoma, pensou quando adotou a pequena Lucy. Ao lado de sua esposa, Jane, o profissional criou a chimpanzé como se fosse sua filha.

Ao final do quase experimento, no entanto, alguns resultados inusitados foram identificados. Com extrema dificuldade em se relacionar com outros primatas, Lucy estava demonstrando sinais de solidão e depressão.

Imagem meramente ilustrativa da estudante Janis Carter com chimpanzé na Gâmbia / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Criança com polegar opositor

Inicialmente, a pequena chimpanzé era de propriedade do Instituto de Estudos sobre Primatas de Oklahoma. Quando foi apresentada a Maurice, no entanto, ela logo passou a fazer parte da família do pesquisador.

Durante anos, os Temerlins cuidaram de Lucy como se ela fosse sua própria filha. A educação da primata, então, foi basicamente humana e ela aprendeu a comer com talheres, vestir-se e sentar-se à mesa do jantar ao lado dos guardiões.

A fim de se comunicar com Lucy, então, Maurice e Jane pediram ajuda ao primatologista Roger Fouts. Foi a partir da Linguagem de Sinais Americana que o especialista criou um projeto de comunicação e, assim, ensinou cerca de 140 sinais para a primata.

Fama e solidão

Quando já estava enturmada com a vida humana, Lucy começou a chamar atenção. Ela apareceu na revista Life e ficou conhecida por seus costumes distintos. Apesar de jovem e primata, por exemplo, ela bebia gin e esculpia bustos humanos com suas fezes.

Foi mais ou menos nessa época, no entanto, que os Temerlins decidiram reapresentá-la à natureza. Assim, colocaram Lucy frente a frente com um chimpanzé macho. Assustada e desconfiada, contudo, a primata nem olhou para o companheiro da mesma espécie.

No final das contas, Lucy era humana demais para os primatas e primata demais para os humanos. Quando recebia visitas, ela preparava e servia bules de chá, mas não conseguia se relacionar com outros macacos, porque só sentia atração por pessoas.

Imagem meramente ilustrativa da estudante Janis Carter com chimpanzé na Gâmbia / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Longe de casa

Quando Lucy chegou aos seus 12 anos, ela ficou forte demais para continuar morando com Jane e Maurice. Sua capacidade de destruição, mesmo que fosse inesperada e sem querer, estava aumentando a cada dia conforme sua natureza se desenvolvia.

Com isso, os Temerlins não viram outra saída que não fosse enviar sua filha adotiva para um centro de reabilitação de chimpanzés na Gâmbia. Para que sua melhora fosse expressiva, ela foi acompanhada por Janis Carter, uma estudante de psicologia.

Distante da única casa que conheceu, Lucy começou a demonstrar uma real incapacidade de se aproximar de outros primatas. Ela nunca teve relações com outros chimpanzés e, enquanto estava na instituição, desenvolveu sinais e sintomas de depressão. Ela se recusava a comer e expressava mágoa pela linguagem de sinais.

Fotografia da estudante Janis Carter na Gâmbia / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Ao ar livre

Por muito tempo, Lucy teve uma extrema dificuldade em se adaptar à vida na natureza. Um ano depois de ser deixada no centro de reabilitação, no entanto, ela passou a conviver com outros primatas com maior facilidade e frequência.

Durante uma de suas visitas, inclusive, Janis percebeu que a chimpanzé não a tratava da mesma forma que antes. Ela ainda era carinhosa, mas não demonstrava a admiração e os laços anteriores — uma consequência da boa adaptação no centro.

Um ano mais tarde, todavia, o esqueleto incompleto de Lucy foi encontrado. A impressionanete primata estava morta. Para muitos, seus restos haviam sido roubados, mas cientistas do centro de reabilitação contestaram a possibilidade, afirmando que o esqueleto não fornecia qualquer evidência de caça ilegal.


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