Matérias » Personagem

Desaparecido no mar da Tasmânia: O enigma de Andrew McAuley

Com sede de adrenalina, o aventureiro adorava navegar de caiaque e, em uma travessia perigosa, fez a última viagem de sua vida

Pamela Malva Publicado em 04/08/2020, às 19h30

Cena de gravação de Andrew McAuley durante a travessia
Cena de gravação de Andrew McAuley durante a travessia - Divulgação/Youtube

Ondas revoltas, uma imensidão azul e a incerteza do que está logo a sua frente. Esses eram alguns dos grandes fascínios de Andrew McAuley, um amante de aventuras que adorava colocar seus caiaques no mar e remar pelas águas salgadas.

Natural de Nova Gales do Sul, na Austrália, o jovem teve uma infância comum, formando-se em uma escola anglicana, em 1984. Apaixonado por tudo que fazia o nível de adrenalina em seu sangue aumentar, ele logo encontrou os esportes radicais.

Já bastante reconhecido no universo da canoagem e do alpinismo, Andrew apostou todas as suas fichas em uma travessia ambiciosa: navegaria da Tasmânia para a Nova Zelândia usando um caiaque. A viagem, todavia, saiu bem diferente do planejado.

Fotografia de Andrew na casa dos McAuley / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Sede por aventura

Trabalhando como consultor de TI, Andrew tinha a vida de seus sonhos e, em seu currículo de escaladas, acumulava aventuras em picos na Nova Zelândia, no Paquistão e na Patagônia. Curioso e carismático, ele era um aspirante a explorador da natureza.

Com uma gentileza singular, o aventureiro conquistou o coração de Vicki McAuley e, com ela, teve o pequeno Finley — ou ‘Googie Egg’, como o pai o chamava. Juntos, os três formavam uma das famílias mais unidas da região onde moravam.

Apesar da comodidade e do aconchego de sua casa, Andrew sentia que a adrenalina chamava pelo seu nome. Ele precisava colocar os remos na água e ter algumas das experiências mais intensas e excitantes de sua vida.

Fotografia de Andrew durante a travessia do mar da Tasmânia / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Currículo nas alturas

Com uma lista enorme de aventuras de caiaque, como no Golfo de Carpentaria e no Território Antártico Australiano, o explorador recebeu o prêmio de aventureiro do ano pela Australian Geographic Society, em 2005. Mas ele queria mais.

Andrew sentia falta de um trajeto em seu álbum de fotos e, em meados de 2006, decidiu que sua próxima viagem seria na travessia do mar da Tasmânia. Assim, em dezembro daquele ano, ele subiu em seu caiaque e saiu pelo mar aberto.

Entre as costas da Nova Zelândia e da Tasmânia, Andrew teria de superar pouco mais de 1,6 mil quilômetros de águas revoltas e de um oceano congelante. Devido ao clima frio, a primeira tentativa foi cancelada em menos de um dia.

Filmagem feita por Andrew durante a travessia do mar da Tasmânia / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Viagem de sua vida

No dia 11 de janeiro de 2007, preparado para a viagem que tinha em mente, Andrew escolheu sua embarcação: um pequeno caiaque, feito para apenas uma pessoa. E, assim, aos 38 anos, ele partiu para a última aventura de sua vida.

Com toda a sua experiência, o explorador planejava chegar na Nova Zelândia no dia 11 de fevereiro, um domingo. Dessa forma, durante um mês de navegações intensas, ele manteve comunicações constantes com sua esposa.

No dia que estava marcado, no entanto, Vicki e Finley, que tinha 3 anos, esperaram por Andrew no porto durante horas. Sem qualquer sinal do marido, a mulher percebeu que seu maior medo havia se concretizado: Andrew simplesmente desapareceu no mar.

Fotografia de FInley na frente da canoa de Andrew / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Mistério congelante

No dia 8 de fevereiro de 2007, após ter enfrentado algumas das maiores ondas que já vira na vida, Andrew mandou uma mensagem esperançosa para a esposa. “Vejo você às 9 da manhã de domingo”, afirmou. Ele estava a 128 quilômetros de seu destino.

Em algum momento do dia seguinte, todavia, as condições da viagem ficaram ainda mais precárias e o aventureiro pediu socorro para a Guarda Costeira da Nova Zelândia. “Estou em um caiaque a cerca de 30 km de Milford Som. Preciso de um resgate. Meu caiaque está afundando. Caí no mar e vou afundar”, ele dizia, desesperado.

A menos de 50 km de sua família, então, Andrew perdeu o controle da situação. O corpo do aventureiro nunca foi encontrado. No caiaque, equipes de busca descobriram o telefone via satélite, o GPS e o farol do explorador completamente intactos.

Em uma câmera à prova d'água, Vicki e seu filho puderam ouvir algumas das últimas palavras de Andrew. “Tenho muito para quê retornar. Uma linda esposa, meu pequeno Googie Egg… Mal posso esperar para te ver novamente. Papai ama você." Na parte da frente do caiaque, uma foto de Finley sorria para o pai durante toda a viagem agoniante.


++Saiba mais sobre o tema através das obras abaixo, disponíveis na Amazon:

O Desaparecimento De Josef Mengele, de Olivier Guez (2019) - https://amzn.to/2SDhvIL

A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joël Dicker (2015) - https://amzn.to/3dn5sXE

O desaparecimento de Stephanie Mailer, de Joël Dicker (2019) - https://amzn.to/3dhUi6H

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W