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Descaso, solidão e delírios: os momentos finais da imperatriz Leopoldina

A imperatriz sofreu muito com a humilhação e o desprestígio, que marcaram seus últimos suspiros

Caio Tortamano Publicado em 01/05/2020, às 08h00

Maria Leopoldina de Áustria, imperatriz consorte do Brasil
Maria Leopoldina de Áustria, imperatriz consorte do Brasil - Wikimedia Commons

Todos sabiam que Dom Pedro colecionava uma vasta lista de amantes mesmo sendo casado com Maria Leopoldina da Áustria. Para a imperatriz, a mais difícil de aturar, com certeza, era Domitila de Castro, que mais tarde seria nomeada como a Marquesa de Santos — cidade na qual nunca residiu.

Com o tempo, a preferência de Pedro por Domitila em comparação com Maria Leopoldina era absurdamente clara. Para se ter ideia, a Marquesa virou dama de companhia da imperatriz, o que significava que toda comitiva em que a austríaca estivesse a amante de seu marido também marcaria presença.

Como se não bastasse, a filha bastarda que os dois tiveram foi reconhecida publicamente como membro da família real. Isabel Maria de Alcântara nasceu Duquesa de Goiás, ao mesmo tempo em que Leopoldina estava grávida e perto de parir Francisca de Bragança.

Cartas

Essas situações deixavam a imperatriz completamente arrasada e humilhada, especialmente sabendo que isso era de conhecimento de todas as pessoas que estavam ao seu redor. Com isso, ela começou a se isolar, se sentir muito solitária. Percebeu que era movida pelo desejo de ter um herdeiro para o trono — que viria a ser seu filho, Dom Pedro II.

Em uma carta escrita para sua irmã, que residia na Europa, Maria Luísa, a imperatriz afirmou que : “O monstro sedutor é a causa de todas as desgraças”. O monstro em questão era a Marquesa, e confirmava o desapontamento com seu cônjuge.

Maria Domitila, a Marquesa de Santos / Crédito: Wikimedia Commons

 

A última carta que viria a escrever pra sua irmã constava: "Há quase quatro anos, minha adorada mana, como a ti tenho escrito, por amor de um monstro sedutor me vejo reduzida ao estado da maior escravidão e totalmente esquecida pelo meu adorado Pedro. Ultimamente, acabou de dar-me a última prova de seu total esquecimento a meu respeito, maltratando-me na presença daquela mesma que é a causa de todas as minhas desgraças.”

O episódio em questão trata-se de quando a imperatriz assumiu a regência do Brasil. Pedro iria até o Rio Grande do Sul para resolver questões da Guerra da Cisplatina. Para isso deveria ocorrer uma cerimônia de beija-mão, uma formalidade que representava que, a partir deste momento, Leopoldina era a autoridade máxima no império.

Porém, para despistar os boatos de que o casamento havia sido alvo do fracasso e de que possuía relações extraconjugais, Dom Pedro queria realizar essa cerimônia na presença da Marquesa de Santos. A imperatriz, com razão, achou que seria uma grande humilhação, e afrontou seu marido na hora de entrar na sala do trono.

Brigas

Os dois discutiram severamente, e há quem diga, inclusive, que Pedro a agrediu com chutes, que poderiam ter resultado em uma piora no seu estado de saúde. No entanto, uma exumação feita nos restos mortais da imperatriz, anos depois, indica que o episódio é uma lenda. Isso porque os pesquisadores não identificaram as fraturas que seriam resultados do ato de fúria do político. Todavia, não altera o que viria a acontecer com Leopoldina.

No início de novembro de 1826, o seu quadro de saúde foi agravado. Ela vomitava demais, sentia fortíssimas cólicas, sangrava e delirava numa frequência assustadora. Assim passou as últimas semanas de sua vida.

Enquanto isso, o povo estava ao seu lado. De acordo com as publicações da época, a imagem que ficava era a de que Leopoldina se tornou muito mais popular e querida do que o próprio imperador. Por diversas vezes, pessoas escreviam aos jornais em busca de informações sobre o delicado estado da imperatriz.

Paralelamente ao interesse em sua saúde, diversos boatos surgiram de que Leopoldina estava sendo feita prisioneira na Quinta da Boa Vista, ou que o médico que a cuidava estava a envenenando a mando de Domitila.

A verdade é que Maria Leopoldina morreu no Palácio de São Cristóvão, em 11 de dezembro de 1826, sob fortes convulsões, febre alta e delírios. A população, que a amava — mais do que o próprio imperador — chorava a sua perda.


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