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Descoberta marítima: os detectores de bomba nuclear que revelaram uma nova população de baleias

A descoberta foi feita no Oceano Índico e mostrou a dificuldade dos cientistas em estudar os mares e oceanos

Victória Gearini | @victoriagearini Publicado em 13/06/2021, às 07h00

Imagem meramente ilustrativa de baleia azul
Imagem meramente ilustrativa de baleia azul - Imagem de janeb13 por Pixabay

A partir de detectores de bomba nuclear subaquática, os cientistas descobriram que uma população de baleias azuis pigmeias vive no Oceano Índico. Contudo, segundo as pesquisas recentes, elas estão na região há décadas, mas ao longo dos anos conseguiram passar despercebidas.

De acordo com o Live Science, os especialistas as classificaram como Balaenoptera musculus brevicauda. Tal fato comprova a dificuldade que os pesquisadores ainda têm de estudar os mares e oceanos ao redor do mundo.

A descoberta surpreendente 

Recentemente, os detectores de bomba nuclear subaquática — pertencentes à Organização do Tratado de Proibição de Testes Nucleares Abrangentes (CTBTO) — registraram um som incomum e único dentro do Oceano Índico. A partir disso, os pesquisadores conseguiram detectar a presença das baleias azuis pigmeias na região. 

"Acho legal que o mesmo sistema que mantém o mundo a salvo de bombas nucleares esteja disponível para pesquisadores e permita que uma série de cientistas, incluindo nós, façam ciência marinha que não seria possível sem tais sofisticados arranjos hidroacústicos", ressaltou a ecologista marinha da Universidade de New South Wales (UNSW), Tracey Rogers, em entrevista ao Live Science.

Imagem de baleia azul / Crédito: Divulgação / Youtube / Coongo

 

Ainda segundo a especialista, tal fato ajuda em outras descobertas de “populações ausentes do maior animal que já existiu", uma vez que os estudos sobre mares e oceanos ainda são complexos. 

Conforme as pesquisas, esta subespécie é menor que a baleia azul, que pode atingir até 24 metros. Em homenagem a um grupo de ilhas no Oceano Índico, a nova população foi chamada de população de Chagos.

Segundo a pós-doutoranda na UNSW, Emmanuelle Leroy, as baleias azuis são extremamente difíceis de serem encontradas, pois muitas foram levadas à beira da extinção em decorrência da caça ilegal. 

Estima-se que apenas entre 5.000 e 10.000 desses mamíferos vivam no hemisfério sul, um número bem inferior ao passado, já que chegavam a 350.000, conforme estudos do Centro de Diversidade Biológica. 

Imagem de baleia azul / Crédito: Divulgação / Youtube / Coongo

 

"A melhor maneira de estudá-los é por meio do monitoramento acústico passivo. Mas isso significa que precisamos ter hidrofones gravando nas diferentes partes do oceano", revelou Leroy em entrevista ao Live Science.

O canto único

Sabe-se que cada subespécie de baleia azul possui um canto único, embora seja simples, dada a repetição sonora. Contudo, cada tipo desse mamífero têm cantos que divergem na duração, estrutura e número de seções.

Os estudos mostraram que nos últimos 18 anos, o canto dos Chagos tem sido predominante no Oceano Índico. Os sons emitidos pela nova população nunca tinha sido ouvido antes, isso porque, tem três seções. 

No entanto, mesmo com todas essas descobertas surpreendentes, os especialistas não identificaram, ainda, quantas baleias azuis pigmeus compõem essa nova população, conforme revelou Leroy ao Live Science.

Em 2020, Rogers e Leroy encontraram outra população de baleias azuis perto de Omã. Para as pesquisadoras, tais descobertas "não teriam sido possíveis" sem o uso de pesquisas acústicas, conforme argumentou Rogers ao Live Science.


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