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Esquecido da História: o desaparecimento do pioneiro do cinema Louis Le Prince

Um dos precursores da sétima arte, ele foi vítima de um sumiço misterioso que só foi solucionado após muitos anos

Paola Churchill Publicado em 04/12/2020, às 13h00

Foto de Louis Le Prince
Foto de Louis Le Prince - Wikimedia Commons

Quando pensamos nos pioneiros do cinema, automaticamente citamos os nomes dos irmãos Lumière ou de Thomas Edison, no entanto, antes desses grandes homens ajudarem com a criação de sétima arte, Louis Le Prince, com apenas uma câmera de lente única e um rolo de filme, passou a registrar imagens em movimento, em 1888.

Ao perceber o potencial que a invenção poderia ter, queria patentear. O visionário passou a filmar bondes elétricos, cavalos correndo pelos campos e até mesmo pedestres passeando pelas ruas.

As películas ganharam nome: Roundhay Garden Scene, Traffic Crossing Leeds Bridge, Accordion Player e Man Walking Around A Corner. Foram exibidas no mesmo ano, em uma pequena fábrica em Leeds, na Inglaterra, mas não seriam distribuídas para o público em geral. No entanto, essa exibição foi considerada a primeira exposição em movimento do mundo.

Imagem do primeiro filme em movimento da história feito por Louis/Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar da grande invenção, suas conquistas para o cinema tanto americano como europeu acabaram sendo ofuscadas por um episódio insólito: o próprio desaparecimento.

Em setembro de 1890, numa sexta-feira, Louis se despediu dos amigos na Inglaterra, prometendo que voltaria depois de uma viagem pelos Estados Unidos com o objetivo de mostrar a sua mais nova câmera. Na segunda-feira, os colegas e sua família foram buscá-lo na estação. Após horas e horas de espera, o homem não apareceu. Acreditaram que havia perdido o embarque, no entanto, a situação era ainda pior.

A única pista que tinham sobre o sumiço, envolvia a sua última aparição, no dia 16 de setembro, à bordo do trem que ia até Dijon, na França. Assim, a polícia francesa, a Scotland Yard e todos os entes queridos do rapaz realizaram buscas exaustivas por meses, mas nem o corpo ou a mala foram detectados. 

Teorias

Surgiram ideias mirabolantes sobre o destino do rapaz que tinha um futuro promissor. A primeira é que durante a viagem que o homem fez para a França, ele desapareceu. Ninguém soube explicar muito bem o motivo, talvez porque queria começar um nova vida ou para que ninguém roubasse sua ideia, ele decidiu sumir do mapa. Nenhuma dessas teorias foram comprovadas.

A segunda, é que Le Prince estava quase à beira da falência e se suicidou. A viagem que faria até a França, não passava de fachada para o seu real plano. Já a terceira, era a mais peculiar e bizarra de todas.

Muitos queriam a invenção de Louis: sabiam que o objeto era uma mina de ouro. No momento que desapareceu, Le Prince estava prestes a patentear a sua mais nova câmera e iria exibi-la em Nova York. Seu principal concorrente na época era Thomas Edison, a rivalidade dos dois era bem conhecida.

Primeira câmera criada por Le Prince/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Então, alguns estudiosos do caso, afirmam que Edison mandou matar o rival e ficar com sua patente. No entanto, nada foi compravado. Foram várias e várias teorias para tentar explicar o que havia acontecido com Le Prince.

Apesar da inveção ser indiscutível, seu trabalho foi perdido ao longo das décadas, e toda a glória da criação do cinema ficou com os Irmãos Lumière e Thomas Edison. Além de sumir, ele foi apagado da história da sétima arte.

Em 2003, mais de 100 anos depois do sumiço, é que o caso teve uma conclusão. Foi descoberto, através de arquivo da Polícia Francesa, a fotografia de um homem no momento de um afogamento. O personagem, infelizmente, era Louis Le Prince. Autoridades acreditam que ele cavaça patos no momento da tragédia.

O nome do pioneiro do cinema foi relembrado e várias homenagens foram feitas, para a felicidade da família. Em Leeds, cidade onde nasceu, ele é considerado um herói local, e no mesmo que o caso foi solucionado, o Centro de Cinema Fotografia e Televisão da Universidade de Leeds foi batizada em sua homenagem.


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