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Detalhes escondidos: os mistérios da obra 'Moça com brinco de pérola'

A pintura, de Johannes Vermeer, é considerada a "Mona Lisa holandesa" — e teve seu segredos revelados com escaneamentos modernos

Wallacy Ferrari Publicado em 25/08/2020, às 13h36

Johannes Vermeer (1632-1675) confeccionou a pintura 'Moça com Brinco de Pérola' em 1665
Johannes Vermeer (1632-1675) confeccionou a pintura 'Moça com Brinco de Pérola' em 1665 - Wikimedia Commons

Uma das pinturas mais famosas do século 17 guarda uma série de segredos em relação aos métodos, autor e figura principal, tornando a obra ainda mais cobiçada. De autoria do artista holandês Johannes Vermeer em 1665, ‘Moça com brinco de pérola’ é popularmente conhecida como “a Mona Lisa neerlandesa”.

A origem de sua criação também é uma incógnita; não há ciência absoluta se o autor fez uma obra encomendada para ser um retrato ou se foi uma obra feita de maneira recreativa. A modelo da pintura também não é reconhecida por historiadores, nem teve traços identificados em outras obras de Veermer. Inclusive, está assinada como “IVMeer”, sem a atribuição de uma data de conclusão.

Sua técnica, no entanto, foi aprimorada em 1994, com a restauração mais recente trabalhando o esquema de cores e aumentando a imersão do olhar para o espectador. Financiada pelo Museu Mauritshuis — onde a obra está instalada desde 1902 — as pesquisas recentes para entender a origem da pintura têm jogado luz na história do autor e da personagem central.

Escaneamento mostra sombreado presente na obra em negativo / Crédito: Divulgação / Mauritshuis Museum

 

Em uma análise aprofundada, realizada ao longo da década passada e publicada em nota oficial no início deste ano, uma série de evidências imperceptíveis a olho nu foram localizadas por uma equipe de pesquisadores contratados pelo museu. Com isso, foi possível notar traços de cílios delicados — ausentes ao longo de restaurações com menor cuidado.

Também foi possível notar que o fundo da pintura não se trata de uma simples escuridão; a técnica utilizada por Vermeer seguiu as linhas de maneira segmentada para que tivesse pequenas oscilações atualmente nulas, mas que, quando pintadas na época, evidenciavam uma cortina verde escura. O escaneamento de camada possibilitou ver a trajetória da pincelada e os desníveis no fundo.

Com o escaneamento, houve a possibilidade de reconhecer erros do artista, posteriormente corrigidos e sobrepostos com mais tinta. Durante o processo de criação, o holandês repintou a posição da orelha esquerda, a sombra formada na parte superior do lenço na cabeça e a parte de trás do pescoço, que foi diminuído.

Escaneamento mostra outras camadas presentes na pintura / Crédito: Divulgação / Mauritshuis Museum

 

Na análise recente, com o apoio da tecnologia infravermelho, pesquisadores perceberam que a pintura foi iniciada apenas com as cores marrom e preto, sendo pinceladas de maneira densa e ampla, apenas para demarcar áreas menos delicadas. Com o último escaneamento, é possível observar contornos da figura feminina com finas linhas na cor preta.

O museu revelou um interessante ponto na nota; a pérola, pendurada no lóbulo da orelha esquerda da figura, não é pintada com tinta clara, mas sim, teve algo em cima que impediu a queda de tinta na região, de maneira que se mantivesse com a cor branca da tela. Para causar o efeito tridimensional, há apenas alguns toques finais translúcidos e opacos com tinta branca, para dar a noção de proporção e luz.

A descoberta foi enaltecida pelo chefe da equipe de pesquisa contratada pelo museu, Abbie Vandivere, que pôde esclarecer qual a condição atual da pintura: "Nosso exame científico nos aproximou de Vermeer e da Moça. Combinar e comparar diferentes tecnologias científicas forneceu muito mais informações do que uma única tecnologia teria feito sozinha. Essa é uma imagem mais pessoal do que se pensava anteriormente”.


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