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'Dez dias num hospício': a saga da jornalista Nellie Bly como paciente de um manicômio

Em 1887, a jornalista investigativa foi internada na instituição Blackwell's Island, constatando atrocidades cometidas contra as pacientes

Victória Gearini | @victoriagearini Publicado em 07/08/2021, às 09h00

Nellie Bly, jornalista investigativa
Nellie Bly, jornalista investigativa - Arquivos da Biblioteca Pública de Nova York / Domínio Público, via Wikimedia Commons

Nascida no dia 5 de maio de 1864, na Pensilvânia, Estados Unidos, Nellie Blyfoi uma grande jornalista investigativa, amplamente conhecida por ter dado uma volta ao mundo em apenas 72 dias. Contudo, sua história não termina por aí. 

Em 1887, a jornalista foi enviada para o hospício de Blackwell's Island, após um juiz determinar que ela fosse internada. Na época, acreditavam que ela estivesse “louca”, mas na verdade, tudo não passou de um plano bem mais complexo.

A saga de Nellie Bly 

De acordo com a BBC, em setembro de 1887, Nellie Bly, até então com 23 anos, se hospedou em uma pensão voltada para mulheres. Sob o nome de Nellie Brown, a jornalista começou a ter comportamentos que fugiam do padrão da época. Pouco tempo depois, as moradoras acionaram as autoridades, após ficarem preocupadas com a nova hóspede. 

A jornalista, por sua vez, fingiu estar com amnésia e disse que vinha de Cuba. Contudo, tudo não passou de um plano orquestrado por ela e pelo seu editor do jornal World, com o intuito de infiltrá-la no “asilo de lunáticos de Blackwell's Island”, em Nova York. 

Nellie Bly sendo recebida em Jersey City, 8 de fevereiro de 1890 / Crédito: Domínio Público, via Wikimedia Commons

 

A performance de Nellie Bly foi tão convincente que um juiz determinou que ela fosse internada na instituição. Ao longo de dez dias em que esteve infiltrada no sádico hospício, a jornalista testemunhou inúmeras atrocidades cometidas contra as pacientes. 

Abusos físicos e psicológicos 

No período em que esteve internada, Bly presenciou episódios de abusos físicos e psicológicos cometidos contra outras mulheres. Na época, a jornalista revelou que as internas eram obrigadas a tomar banho gelado em temperaturas abaixo de zero e compartilhavam a mesma toalha. Além disso, a higiene do local era inapropriada e totalmente insalubre. Já as refeições eram podres e escassas. 

Com relação ao tratamento das internas, a jornalista presenciou fatos ainda mais chocantes e desumanos. As pacientes, por sua vez, eram amarradas e espancadas pelos “profissionais” da saúde e drogadas por médicos e enfermeiros com morfina.

Bly, assim como tantas outras mulheres, dizia aos funcionários da instituição que não era louca — mas em vão. De acordo com os relatos apurados pela jornalista — mais tarde publicados em seu livro — muitas mulheres não tinham nenhum transtorno mental.

A repórter constatou, na época, que muitas internas provinham de classes menos favorecidas ou eram imigrantes. Portanto, mulheres que não se encaixavam nos padrões daquele período, que eram rejeitadas pela família ou que tinham pouco — ou nenhum — conhecimento do idioma inglês, eram aprisionadas na sádica instituição. 

A reportagem que a consagrou 

Após dez dias infiltrada no hospício, os advogados do jornal World conseguiram retirá-la do brutal local. Nellie Bly, por sua vez, produziu uma série de reportagens denunciando o manicômio, que começaram a ser publicadas em 9 de outubro de 1887. 

A repercussão foi tão grande, que resultou em reformas internas no Blackwell's Island. Além disso, a jornalista investigativa ganhou sua própria coluna no jornal e, mais tarde, publicou o livro 'Dez dias num hospício', em que contou em detalhes tudo o que viveu e presenciou enquanto esteve infiltrada no manicômio

 

Nova edição do livro

No Brasil, o livro acaba de receber uma nova edição, pela Editora Fósforo. A obra foi organizada por Rita Mattar e conta com prefácio da renomada jornalista contemporânea Patrícia Campos Mello.

Imagine uma pessoa que deu a volta ao mundo em tempo recorde, foi correspondente de guerra, presidiu uma indústria siderúrgica e registrou 25 patentes de vários produtos. Tudo isso em apenas 57 anos de vida. Agora, imagine que essa pessoa era uma mulher que vivia nos Estados Unidos no final do século 19, uma época em que as mulheres não tinham o direito de votar, e, dependendo do estado, não podiam se divorciar nem usar calça comprida”, disse Patrícia Campos Mello.

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++Leia também: Há 130 anos, Nellie Bly embarcava para tentar a volta ao mundo em 80 dias


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