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O Dia em que a Música Morreu: há 61 anos, um trágico acidente de avião tirava a vida de Ritchie Valens

As mortes dos músicos Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. Richardson davam fim à era de ouro do rock'n'roll

Redação Publicado em 03/02/2020, às 06h00

Ritchie Valens
Ritchie Valens - Divulgação/Youtube

Era madrugada de 3 de fevereiro de 1959 quando um pequeno avião fretado, um Beechcraft Bonanza B35, dirigido por um piloto inexperiente, perdia o controle e atingia o solo a 270 quilômetros por hora. Depois de capotar, derrapou por mais de 170 metros até bater contra a cerca de uma propriedade, próximo a Clear Lake, Iowa, nos Estados Unidos. Todos os ocupantes da aeronave morreram na hora.

Seria só mais um grande desastre, não fosse um detalhe: além do piloto, os mortos eram três jovens roqueiros americanos: Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. Richardson, conhecido como The Big Bopper. O acidente foi definido pelo cantor Don McLean, em 1971, como O Dia em que a Música Morreu, em sua canção American Pie. Posteriormente, essa definição seria usada em referência a outras mortes de artistas do Rock n’ Roll, como Kurt Cobain.

Aos 22 anos, Buddy Holly já era uma promessa para o mundo do rock: havia se tornado um dos primeiros artistas a compor, gravar e produzir seus próprios álbuns. Ritchie Valens, de 17 anos, surgia no cenário como o primeiro astro chicano do rock, estourando com a inesquecível versão La Bamba, e Richardson, aos 28 anos, havia escrito hits para outros artistas e havia se tornado conhecido pela música Chantilly Lace.

Buddy Holly, em 1957 / Crédito: Wikimedia Commons

Os músicos faziam parte da turnê The Winter Dance Party, que deveria cobrir 24 cidades em apenas três semanas, de 23 de janeiro a 15 de fevereiro de 1959. A grande distância entre as cidades e o tempo gasto nas viagens foi se tornando um problema ao longo da turnê. Além disso, o ônibus usado para transportar os músicos não estava preparado para enfrentar o rigoroso inverno da estação — seu sistema de aquecimento havia quebrado pouco após o início da turnê.

Durante a turnê, uma nova data foi incluída, e um show em Clear Lake foi marcado para 2 de fevereiro. Ao chegar ao local, Buddy Holly — cansado das viagens de ônibus — disse aos colegas que tentaria fretar um avião após o show para chegar à próxima parada da turnê, a cidade de Moorhead, em Minnesota.

Ritchie Valens / Crédito: Wikimedia Commons

Holly contratou Roger Peterson, um piloto de 21 anos que morava na cidade vizinha, Mason City. Peterson cobrou uma taxa de 36 dólares por passageiro para levar até três pessoas a Fargo, cidade vizinha a Moorhead, em seu Bonanza B35, fabricado em 1947.

Uma pequena discussão se seguiu, a fim de decidir quem seriam os dois acompanhantes de Holly. Dion DiMucci, vocalista da banda Dion and the Belmonts, achou o valor cobrado muito alto e recusou a vaga. Foi decidido, então, que os lugares ficariam com os músicos que acompanhavam Holly em sua carreira solo, Waylon Jennings e Tommy Allsup.

Mas Ritchie Valens, que nunca havia viajado de avião, pediu que Allsup cedesse seu lugar a ele. A vaga foi decidida na sorte: cara ou coroa. Valens venceu. J.P. Richardson, que estava gripado na ocasião, pediu o lugar de Jennings, que concordou. Quando Holly ficou sabendo da troca, disse, brincando: “Bem, espero que esse seu velho ônibus congele”. Em resposta, Jennings disse: “E eu espero que seu avião velho caia”.

O Bonanza B35 decolou por volta das 0h55. Cerca de cinco minutos depois, o piloto e dono da aeronave Hubert Dwyer viu a luz da cauda do avião descer até sumir de vista. Ele esperava que Peterson passasse seu plano de voo à torre de controlo logo após a decolagem, conforme havia sido combinado. Dwyer tentou entrar em contato com a aeronave, mas não obteve resposta.

Destroços da aeronave / Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando, às 3h30, o aeroporto de Fargo informou não ter recebido qualquer sinal do avião, Dwyer contatou as autoridades e declarou a aeronave como desaparecida. Por volta das 9h15, ele decolou de outro avião e refez o caminho planejado por Peterson. Pouco tempo depois, viu os destroços do avião.

Holly e Valens estavam caídos próximos ao avião, e Richardson havia sido arremessado através da cerca. O piloto, Peterson, ficou preso à cabine. Todos morreram instantaneamente, devido ao forte impacto.

De acordo com as investigações, o mau tempo e o erro do piloto provocaram o acidente. Peterson não havia sido treinado para pilotar aquele tipo de aeronave e não estava habilitado para pilotar em condições climáticas tão ruins. No entanto, ele não recebeu alertas adequados sobre o clima — que poderiam fazê-lo desistir de voar.

Imagens trágicas do acidente / Crédito: Wikimedia Commons

 

A morte dos três jovens marcou o fim de uma era de ouro do rock. Na época, Little Richard se tornava pastor evangélico e Elvis Presley era convocado para o serviço militar. De uma só vez, o fim de três promissores talentos acabava com a esperança de um renascimento do Rock n’ Roll.

O acidente marcou a geração dos anos 1960 e 1970, e foi citado em filmes como A História de Buddy Holly, de 1978, e La Bamba, de 1987. Além disso, o nome dos Beatles (besouros) foi inspirado na banda The Crickets (grilos), formada por Buddy Holly antes de sua carreira solo.


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