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Divórcio fatal: O bizarro assassinato cometido por Betty Broderick

Em um relacionamento abusivo regado a ciúme, a dona de casa movimentou os Estados Unidos após se vingar do ex-marido advogado

Wallacy Ferrari Publicado em 19/08/2020, às 09h28

Fotografia do casal Betty e Dan Broderick quando casados
Fotografia do casal Betty e Dan Broderick quando casados - Divulgação / Oxygen

Elisabeth Anne Bisceglia nasceu nos Estados Unidos em 1947, sendo criada por uma família de católicos para se tornar uma dona de casa, induzida a se amparar em um companheiro cristão. Com um desempenho invejável na escola durante a adolescência, a aluna exemplar formou-se em educação infantil e recebeu um diploma adicional em inglês com seu crédito estudantil.

Tudo estava encaminhado para seu sucesso profissional quando conheceu Dan Broderick, em 1965, enquanto realizavam cursos de especialização na Universidade de Notre Dame, em Indiana. Juntos, formaram um casal academicamente respeitado; Dan havia concluído o curso de medicina e iniciaria o curso de direito por Harvard. Seus fundos monetários, no entanto, estavam esgotados, e Dan teve de usar um empréstimo estudantil enquanto Betty pagava todas as contas da casa.

Tiveram dois filhos enquanto Dan se formava. Contratado por um escritório de advocacia, o rapaz gradativamente fez seu nome na comunidade profissional, enquanto Betty trabalhava meio período e acrescentava a renda com venda de cosméticos e utensílios caseiros. Em 1978, Dan já tinha segurança financeira o suficiente para aliviar a esposa, mas preferiu abrir o próprio escritório. Betty não apenas apoiou, como auxiliou na construção.

Betty Broderick em entrevista a Oprah Winfrey no ano de 1992 / Crédito: Divulgação/Youtube/OWN

 

Colapso no casamento

Em quatro anos, Dan se tornou uma referência em San Diego atuando em casos de negligência médica, fazendo fortuna e expandindo o escritório com outros associados. Nesse meio tempo, a esposa teve certo conforto, mas passou a sofrer com uma nova funcionária; Linda Kolkena, de 21 anos, foi contratada por Dan para ser a assistente pessoal do advogado. Acompanhando o marido em todas as ocasiões, começou a ser o principal motivo de desconfiança na união.

Em episódios atritados, Betty chegou a colocar fogo em ternos personalizados do cônjuge, que assumiu o relacionamento com a secretária e solicitou o divórcio imediato. Enquanto o divórcio era organizado, Dan se tornou o presidente da Ordem dos Advogados de San Diego, dificultando o acesso da ex-companheira a um advogado. Com um duradouro processo, que durou quatro anos, Betty sofria com a perda dos bens conquistados, da guarda dos filhos e do abandono afetivo.

Com o casamento marcado com Linda, Broderick temia a presenta da ex-esposa, que não compareceu no evento, mas já planejava sua vingança. Metodicamente, perguntava aos filhos — quando os encontrava — sobre os cômodos da nova casa do pai e onde ficavam os principais itens. A peça-chave foi a filha Kim, que cedeu uma das chaves para a mãe fazer uma cópia.

Betty Broderick em fotografia recente após recorrer por liberdade / Crédito: Divulgação

 

itens. A peça-chave foi a filha Kim, que cedeu uma das chaves para a mãe fazer uma cópia.

A tragédia

Durante a madrugada de 5 de novembro de 1989, Betty foi a casa do marido e, silenciosamente, desligou o circuito de segurança. Entrou tranquilamente e também desligou os telefones, de maneira que a emergência não fosse chamada. Ao entrar no quarto, se deparou com o casal dormindo. Foi o suficiente para a fúria; disparou cinco tiros de um revólver calibre 38, matando os recém-casados.

Presa horas depois, a defesa do advogado foi composta por grandes nomes do direito no condado, porém, a defesa de Betty conseguiu adicionar provas de que, ao longo de anos, a moça foi torturada psicologicamente e fisicamente pelo marido, realizando o ato por um acesso de fúria que não condiz com sua personalidade. Em dois julgamentos, o júri terminou empatado, sem concluir uma sentença.

Betty declarou em seu livro e em diversas entrevistas que não tem remorsos do ato, mas não aprova que o mesmo seja justo. Acrescenta que só fez após a criação dos filhos, de maneira que não fossem crianças para não serem psicologicamente afetados. Betty está até os dias atuais na prisão e teve sua solicitação de liberdade condicional recusada em 2017, podendo recorrer somente em 2032. Apesar a reclusão, recebe cartas de mulheres por todo os EUA, afirmando que compreende o ato e manifestando apoio.


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