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“Odeio tudo o que vem dos Estados Unidos": a intensa vida política de Maradona

Com amor à Fidel e críticas ao Imperialismo, a ideologia política do ex-camisa 10 argentino sempre chamou atenção

Fabio Previdelli Publicado em 01/12/2020, às 18h21

Maradona dando uma camisa para Fidel Castro
Maradona dando uma camisa para Fidel Castro - Divulgação/ YouTube/ Gazeta Esportiva

Dentro das quatro linhas, Diego Armando Maradona era o maior ídolo não só dos argentinos, como também de todos os adeptos do Napoli, da Itália.

Considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, Dieguito também chamava a atenção em outro campo: o das polêmicas. Nisso, ele também poderia ser considerado um camisa 10.  

Uma das principais polêmicas da vida de Maradona era sua ideologia política. Apesar de apoiar o neoliberal Carlos Menem, que mais tarde se tornaria presidente de seu país, o craque se destacou, muito mais, por sua simpatia com líderes de esquerda.

Relembre momentos da vida política de Maradona.

Cuba mi amor!

Fidel Castro era um de seus grandes amigos e ídolos. Coincidentemente, os dois morreram no mesmo dia: 25 de novembro; o revolucionário em 2016, e o ex-jogador na semana passada.  

Maradona mostrando sua tatuagem do Fidel Castro para Fidel Castro / Crédito: Divulgação/ YouTube/ CNN

 

"Diego é um grande amigo e muito nobre também. Também não há dúvida de que ele é um atleta maravilhoso e manteve uma amizade com Cuba sem ganho material dele mesmo", chegou a declarar Fidel em uma entrevista.

A paixão pelo cubano era tamanha que o craque argentino tinha tatuado o rosto do revolucionário em sua perna esquerda — a qual era sua dominante.

Outro expoente da Revolução Cubana que era admirado por Maradona era seu conterrâneo Che Guevara, que foi eternizado em seu braço direito.  

Castro também foi importante em outras duas oportunidades na vida de Dieguito: a primeira foi na autobiografia do craque “Yo soy El Diego”, onde recebeu uma dedicatória. "A Fidel Castro e, por meio dele, a todo o povo cubano”, escreveu. 

A segunda foi quando o argentino conduzia um programa de entrevistas, sendo Fidel um de seus mais notórios convidados. O show também recebeu a presença de Pelé.  

Os ídolos

Além do apoio a Cuba, Don Diego também era rijo defensor do governo de Hugo Chávez. Em 2005, inclusive, Maradona foi até à Venezuela para se encontrar o presidente, sendo recebido calorosamente no Palácio Miraflores, que é a sede do governo.

Chavés ao lado de Maradona / Crédito: Divulgação/ YouTube

 

Após a reunião, o argentino declarou que foi se encontrar com um “grande homem”, entretanto, se encontrou com um “gigante”. "Acredito em Chávez, eu sou chavista. Tudo que Fidel faz, tudo que Chávez faz, para mim é o melhor", disse. 

O elo Chavéz/Maradona era tão forte que o craque argentino foi o convidado de honra de Hugo no jogo de abertura da Copa América de 2007, que foi realizada no país. Já por aqui, o camisa 10 mostrou toda sua satisfação quando o ex-presidente Lula foi solto. "Hoje se fez justiça". 

A reciproca de Luiz Inácio foi demonstrada com uma mensagem solidária pela morte do craque. "Diego Armando Maradona foi um gigante do futebol, da Argentina e de todo o mundo, um talento e uma personalidade única. A sua genialidade e paixão no campo, a sua intensidade na vida e seu compromisso com a soberania latino-americana marcaram nossa época", disse o ex-presidente através de publicação em sua conta no Twitter. 

Maradona ao lado de Lula / Crédito: Divulgação/ Twitter/ Lula

 

"No campo, foi um dos maiores adversários, talvez o maior, que a seleção brasileira já enfrentou. Fora da rivalidade esportiva, foi um grande amigo do Brasil. Só posso agradecer toda sua solidariedade com as causas populares e com o povo brasileiro. Maradona jamais será esquecido", concluiu. 

Já dentro de seu país, Dieguito foi ávido defensor dos Kirchner. Primeiro de Néstor e depois de Cristina. Do ex-presidente, aliás, foi um dos convidados de seu funeral.  

Contra os EUA

Por suas convicções, não foi surpreendente ouvir de Maradona que ele era contra o imperialismo. Em 2005, quando a Cúpula das Américas aconteceu em Mar del Plata, na Argentina, o ex-jogador protestou contra a presença do então presidente americano Georg W. Bush. Na ocasião, ele usou uma camisa com os dizeres “STOP BUSH”, sendo o “S” do sobrenome presidencial sendo substituído por uma suástica.  

Dois anos depois, em uma aparição no programa “Alô Presidente”, de Hugo Chavéz, Maradona gravou uma mensagem falando: “Odeio tudo o que vem dos Estados Unidos. Odeio com todas minhas forças”. As pazes só foram feitas, relativamente, quando Barack Obama se tornou o primeiro negro a presidir o país, do qual Maradona dizia ter “grandes expectativas”. 

Maradona com uma camisa contra Bush/ Crédito: Divulgação/ YouTube/ Insider

 

Quando Chavéz morreu, em 2013, o ex-jogador visitou seu túmulo e mostrou total apoio a Nicolás Maduro, para continuar o legado socialista do líder venezuelano. Com a crise na Venezuela no ano passado, ele dedicou uma vitória do time que comandava, o Dorados de Sinaloa, do México, a Maduro. Na mesma ocasião, ele criticou Donald Trump.  

Outra passagem polêmica de Dieguito compreende duras críticas ao Vaticano, especialmente quando João Paulo II era o Papa. “Entrei e vi o teto dourado. E pensei comigo mesmo: como pode ser um filho da p... morar com um teto dourado e depois ir para países pobres e beijar os meninos com a barriga assim. Parei de acreditar, porque estava vendo”, disse em seu livro. 

A confiança com a Igreja só mudou quando Francisco foi nomeado. “De agora em diante sou o capitão do time de Francisco”.


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