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Do casamento com a ex-enteada a escândalos sexuais: O lado B de Woody Allen

Por dentro dos bastidores das maiores polêmicas do controverso cineasta de Hollywood

Penélope Coelho Publicado em 10/05/2020, às 11h00

Woody Allen no Festival de Cannes em 2005
Woody Allen no Festival de Cannes em 2005 - Wikimedia Commons

Conhecido por retratar a cidade de Nova York como ninguém, Woody Allen ficou famoso por seu trabalho como cineasta em Hollywood. O roteirista já foi indicado ao Oscar 23 vezes, levando para casa três estatuetas. Em uma longa carreira recheada de sucessos, a vida pessoal de Allen não ia tão bem, aparentemente, sua conduta nunca fora tão correta como se pensava.

A jornada do artista começou como escritor, trabalhando na produção de piadas e roteiros para programas de televisão, além de publicar livros e escrever peças curtas. Em 1960, o norte-americano atuou em alguns stand-ups, revelando também um lado como ator. Em seus filmes, sua personalidade é sempre neurótica e inquieta, na vida real, Allen parece ser mais incisivo.

Desde a década de 1990, a reputação do diretor é colocada em cheque. O ator carrega um histórico de acusação de abuso sexual em uma menor de idade, envolvendo casos familiares. 

Denúncias

Em 1992, Allen era casado com a também atriz, Mia Farrow. O casal tinha decidido adotar uma criança, algo que Mia já tinha feito anteriormente. A filha adotiva deles era Dylan Farrow, menina que Woody Allen foi acusado de ter estuprado.

Na época, em 1993 o cineasta foi inocentado das acusações, após 14 meses de investigação por parte do Departamento de Polícia e Serviço Social de Nova York. O juiz do caso disse que as provas eram inconclusivas, porém, afirmou que o roteirista era um homem autocentrado, indigno e insensível.

Em 2014, anos depois da acusação de abuso e já adulta, Dylan veio a público afirmando que em 1992, aos sete anos de idade, ela foi abusada pelo pai adotivo. Farrow contou que Allen havia tocado suas partes íntimas: “Ele segurou minha mão e me levou para um local sombrio e escuro, no segundo andar da nossa casa [...] então, me assediou sexualmente.”, escreveu Dylan, que hoje em dia também é atriz. 

Mia Farrow em 2018 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Allen sempre negou os atos e até mesmo tentou conseguir a custódia completa da filha adotiva na justiça, mas, seu pedido foi negado. Woody e Mia se separaram, com o acordo de que o diretor não iria se aproximar de seus filhos, Dylan, Moses e Satchel.

Apesar de ter sido absolvido, o depoimento do diretor sobre as acusações de estupro mudou diversas vezes. Primeiro ele afirmou nunca ter ido ao local onde o crime teria sido cometido — a casa de campo de Mia, em Connecticut. Depois mudou de ideia, dizendo que já teria ido lá algumas vezes, quando policiais acharam um fio de cabelo do homem no local.

O motivo do divórcio

Além das acusações de abuso sexual, o casal enfrentava outro grande problema. Mia e Woody foram casados por 12 anos, porém naquele mesmo ano das acusações de abuso com Dylan, eles resolveram se separar.

Farrow descobriu que Allen tinha um caso com, Soon-Yi, filha adotiva de Mia e do músico André Previn, com quem Farow foi casada por nove anos. Soon-Yi Previn, hoje com 49 anos, foi adotada pela atriz em 1978, quando era apenas uma criança. 

Allen com Soon Yi Previn em 2009 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Soon-Yi  foi criada pelo cineasta, porém, eles iniciaram um relacionamento amoroso no fim da década de 1980, quando Farrow e Allen ainda estavam juntos, na época Soon tinha por volta de 20 anos.

A atriz havia descoberto fotos da filha nua na máquina fotográfica daquele que até então, era seu marido. Por outro lado, Soon-Yi sempre negou ter sido vítima de assédio ou abuso. Ela e Woody se casaram em novembro de 1992, os dois estão juntos desde então.

Tempos atuais

Hoje com 84 anos, o cineasta continua na ativa produzindo, dirigindo e atuando em seus próprios filmes. Em 2018, ele voltou a ser alvo de críticas durante o movimento de mulheres e atrizes de Hollywood.

Woody Allen no Festival de Cannes em 2011 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O MeToo, se tornou viral entre 2017 e 2018, as ações tem o objetivo de relatar casos de agressão sexual e assédio em geral e no ambiente de trabalho. O movimento levou à denúncia dos assédios sexuais cometidos pelo produtor de cinema Harvey Weinstein.

Na ocasião, Allen não se abalou com as críticas e ainda disse ser 100% a favor do movimento. Algumas atrizes como Mira Sorvino, Jessica Chastain e Ellen Page deixam bem claro suas opiniões sobre Woody e não demonstram o menor interesse em trabalhar numa produção do cineasta.

Em sua recente autobiografia, intitulada Apropos of Nothing, Allen afirma que não se arrepende do relacionamento com Soon-Yi: “faria de novo em um piscar de olhos.", conta o diretor.


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