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Do casamento com a prima a morte intrigante: a vida íntima de Darwin

Apesar de sua brilhante carreira como naturalista, o autor da Origem das Espécies teve uma vida íntima muito marcada pelo incesto

Caio Tortamano Publicado em 16/06/2020, às 18h00

O naturalista Charles Darwin
O naturalista Charles Darwin - Getty Images

Muito se fala a respeito da brilhante teoria da evolução das espécies formulada pelas observações do naturalista inglês Charles Darwin, mas não tanto se sabe a respeito da vida íntima dessa figura que moldou boa parte do meio de pensar da comunidade científica atual. Lotado de polêmicas, Darwin foi uma figura ímpar também em sua intimidade.

Charles era uma pessoa extremamente pragmática, acostumada com a forma como a natureza funcionava gostava de analisar as coisas de maneira fria. Pelos seus 30 anos, decidiu que era a melhor hora para se casar e escolheu ninguém menos que Emma Wedgwood, sua prima de primeiro grau.

Casamento com a prima

Um ano mais velha que ele, pareceu a escolha mais sensata, uma vez que era a pessoa a quem tinha mais afeto e o incesto nesse nível — algo que não era tão incomum assim na Europa. Tanto que, na família de Emma, quatro dos irmãos dela haviam se casado com outros primos, e foi visto como um motivo de comemoração a união do casal.

A prima e esposa Emma Darwin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Somente uma pessoa da família foi contra, o primo Francis Galton, que desenvolvia pesquisas sobre os perigos de relações intrafamiliares e incestuosas. Apesar da estranha união, o casal era bastante harmonioso, uma vez que Darwin — focado na ciência — não questionava a religiosidade de sua mulher.

O que encantou Emma a respeito de seu noivo, inclusive, era a transparência com que agia e a de suas ideias, “cada palavra expressa seus pensamentos reais”, dizia. Darwin, por sua vez, acreditava que a esposa conseguia tirar o melhor do que ele tinha como pessoa, e que existia felicidade além construir teorias.

Filhos

Porém, o amor que sentiam um pelo outro não era capaz de passar pelo empecilho que era a relação familiar de primeiro grau. O casal chegou a ter 10 filhos ao longo da vida, de todos esses, três morreram ainda na infância.

O restante viveu com graves problemas de saúde, sendo que três acabaram por serem supostamente inférteis. Charles percebeu o erro que cometeu ao ter filhos com alguém de sua própria família, endossando as teorias de seu primo Galton, muito por conta das condições lamentáveis de saúde de seus filhos Henrietta, que vivia de cama por problemas digestivos; Horace e Elizabeth, que convulsionavam com frequência e, Charles Júnior, que faleceu criança.

Emma Darwin com seu filho Leonard / Crédito:  Wikimedia Commons

 

 

Darwin sofria com alguns problemas graves de saúde, por meio destes problemas ele tinha certeza que a desgraça de seus filhos era causada por conta de seus genes — o que, por um lado, estava correto.

Ao longo de sua vida, Charles sofreu com alguns ataques em seu miocárdio, seus problemas cardíacos traziam consigo desconfortos estomacais e náuseas. Conviveu com elas até o sofrido fim de sua vida, aos 73 anos, mas não existe consenso a respeito do que teria, de fato, causado sua morte.

Morte misteriosa

É mais comumente aceito entre historiadores e biógrafos do pai da evolução que Darwin teria morrido em sua residência na Inglaterra por conta de um ataque cardíaco fulminante, em 1882. De fato, a morte foi causada por um problema em seu coração, mas muitos acreditam que Charles possa ter sido vítima da doença de Chagas.

O naturalista teria adquirido a patologia por meio da picada do mosquito barbeiro enquanto estava na Argentina, em 1834 (quase 50 anos antes de sua morte). A doença não era conhecida naquele tempo, e os sintomas que apresentou ao final da vida são grandes indicativos de que teria a contraído.

Os sintomas podem começar a se manifestar até 20 anos depois de ter sido contraído, o que também condiz com o tempo passado desde suas viagens ao sul do trópico até o momento que começou a sofrer de complicações cardíacas, já mais velho. 

Independente da causa, a morte do naturalista foi extremamente sentida, tanto que Charles Darwin é uma das únicas cinco pessoas não pertencentes à realeza que foram enterradas na Abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton e John Herschel — astrônomo notório.


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