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Do casamento infeliz ao possível suicídio: 5 fatos sobre a rainha Carlota Joaquina de Bourbon

Considerada a Rainha das Intrigas, a monarca nascida na Espanha articulou contra o marido e criou problemas diversos na corte portuguesa

André Nogueira Publicado em 30/06/2020, às 08h00 - Atualizado às 10h15

Carlota Joaquina
Carlota Joaquina - Wikimedia Commons

Dona Carlota Joaquina da Bourbon foi uma das rainhas mais caricatas e singulares da História Europeia, característica por sua autonomia e capacidade política, com a qual articulou contra o marido praticamente a vida inteira. Nascida na Espanha, tornou-se rainha de Portugal e, por consequência, do Brasil, com as decorrências da invasão da Península Ibérica por Napoleão.

Uma figura repleta de lendas ao redor, que passam por atribuí-la hábitos ninfomaníacos, a autoria da criação da caipirinha e uma série de boatos políticos de uma Europa conservadora, ela foi um importante quadro do absolutismo no momento em que ele sofria uma grave crise.

Conheça cinco fatos essenciais para compreender a trajetória política de Dona Carlota!

1. Casamento infeliz

Retrato oficial do casal Carlota e João / Crédito: Wikimedia Commons

 

A união entre Carlota Joaquina e seu marido arranjado, Dom João de Bragança, tinha como origem uma busca por ambas as coroas de uma paz diplomática e uma união de interesses. Criando-se uma relação de confiança mútua, a associação entre Espanha e Portugal permitia uma vizinhança tranquila e a perda das ameaças de uma nova União Ibérica.

Porém, essas motivações políticas não permitiram que os cônjuges minimamente se gostassem. Com um ódio profundo pelo marido, que foi obrigada a se casar com apenas dez anos, uma pessoa com personalidade diametralmente oposta a ela: mais bonachão, conservador e tranquilo, ele era incompatível com a pretenciosa, articuladora, autônoma rainha de personalidade forte.


2. Desprezo recíproco pela corte portuguesa

Ao ser levada a Lisboa em 1785, Carlota teve um choque relevante. Criada pelo rei espanhol Carlos III sob uma ótica mais liberal, aprendendo artes e a agir independentemente, ela era incompatível com a corte portuguesa. Uma mulher extremamente inteligente e livre, sofreu reveses de uma corte conservadora e fechada que a exigia postura e decoro.

Dona Carlota na juventude / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em contrapartida, a corte portuguesa também detestava Carlota. Sua atuação afrontosa e controladora (sabia ser disciplinada, mas não necessariamente queria), além das rixas com o próprio marido, levaram-na a ser represada pelos aristocratas lusitanos, que a deram o infeliz apelido de Megera de Queluz.


3. Pretensões de poder

Carlota Joaquina nunca escondeu sua sede pelo poder, inclusive sua pretensão de assumir o trono de Portugal e da Espanha. Absolutista e pretenciosa, articulou diversas vezes golpes de Estado e movimentações obscuras no sentido de tomar o governo do próprio marido, que julgava ser um inapto. Associando-se com intrigas do interior da corte, entretanto, nunca conseguiu ascender como queria.

Dom João VI / Crédito: Wikimedia Commons

 

 

Porém, várias dessas articulações foram importantes no contorno das relações políticas da monarquia portuguesa. Uma das maiores pretensões da rainha era a de assumir, por sua origem espanhola, o controle das colônias hispânicas na Bacia do Rio da Prata e tornar-se rainha autônoma na América. Com isso poderia articular até uma derrubada da coroa portuguesa e, no limite, criar uma nova União Ibérica centrada em si.


4. Exílio e separação

Com as invasões napoleônicas e a crise política gerada, a Família Real Portuguesa decide finalmente transferir as cortes para o Rio de Janeiro, o que desencadeara mais tarde no nascimento do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Carlota se vê enojava com o plano, não vendo sentido em uma rainha se submeter a viver numa colônia. Para piorar, a vigem para lá foi degradante e marcada pela famosa epidemia de piolho que tomou os monarcas e os deixou carecas.

Chegada da Família no Rio de Janeiro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Indignada com a situação em que estava, pelo menos conseguiu a abertura para fazer algo que já planejava: viver separada e distante do marido. Então, passou a viver fora dos círculos da monarquia, no Palácio de São Cristóvão, morando em locais mais bucólicos, como o Aterro do Botafogo. Ela e o marido apenas se encontravam em cerimônias oficiais, e mal se conversavam.


5. Intrigas políticas e morte solitária

Com a Revolução do Porto em 1820 e a exigência de retorno das cortes a Lisboa, Carlota voltou a se articular com membros da família real, no intuito de tomar o poder. O cenário político colocara os liberais constitucionalistas e os conservadores absolutistas em embate, e a rainha Joaquina passou a articular com o filho Dom Miguel em favor do segundo grupo, que se opunha a Dom João VI.

Dona Carlota no fim da vida / Crédito: Wikimedia Commons

 

Recusando-se a jurar a Constituição, ela integrou a oposição forte ao governo do marido, mas com o tempo, minou também suas relações com aliados. Gradativamente, se isolou até entre os absolutistas, incluindo Miguel, passando a viver sozinha no Palácio de Queluz, onde foi assolada por uma depressão e morreu aos 54 anos, em 1830. Hoje, se discute se a rainha tirou a própria vida com envenenamento, o que é bastante plausível.


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