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Do Colonialismo ao Macarthismo: 8 coisas absurdas promovidas em nome do capitalismo

Em seus 200 anos de existência, o capitalismo foi responsável por diversas situações de completa desumanização. Conheça alguns casos

Jânio de Oliveira Freime Publicado em 25/05/2019, às 08h00 - Atualizado às 22h00

Trabalhadores italianos em elevador de mina na Bélgica
Reprodução

1. Colonialismo

Exemplo de colonização, no Congo Belga / Crédito: Reprodução

 

O Colonialismo dos séculos 19 e 20, ou Neocolonialismo, foi consequência direta da Revolução Industrial. Com a consolidação do capitalismo industrial, a busca por matéria prima, mercados consumidores e mão-de-obra barata levou a Europa a mais um ciclo de invasão e dominação de países periféricos — principalmente África e Ásia —, em proporções muito maiores que o ciclo do século 16.

A colonização durante o capitalismo foi brutal. Açoitamentos, destruição de vilas, assassinato de etnias, trabalho escravo, extinção de animais, trabalho infantil ou mesmo sanções que fizeram populações coloniais morrerem de fome faziam parte do sistema de exploração do Terceiro Mundo. 


2. Expulsão dos campos

Na passagem dos sistemas econômicos para o capitalismo, o processo de expulsão dos camponeses de suas terras foi consideravelmente ameaçador. Entre os séculos 16 e 18, a formação das classes que comandaram a Revolução Industrial envolveu a retirada do camponês de sua terra, a apropriação dos terrenos pelos ricos e a transformação do trabalhador rural em um servente assalariado.

Com esse movimento, muitos camponeses foram obrigados a migrar para cidades contra a vontade, ou a trabalhar na terra por compensações insuficientes para a sobrevivência das famílias.

Foi possível então, ver na Europa um bizarro movimento de acumulação da terra, principal fonte de riquezas nessa época. Na visão do trabalhador do campo, o desenvolvimento do capitalismo foi a destruição dos modos tradicionais de sobrevivência para uma mudança drástica em que a vida se resumiria a trabalhar até morrer pelo seu salário.


3. Exploração fabril

Crianças em fábrica têxtil / Crédito: Reprodução

 

Antes das leis trabalhistas, os limites da exploração do trabalho nas fábricas europeias eram os limites da fadiga humana. Era comum que se usasse, para o trabalho fabril, mão-de-obra feminina e, principalmente, infantil até a exaustão e em condições insalubres de sobrevivência.

Principalmente em fábricas que trabalhavam com minérios, metalurgia e indústria têxtil, os trabalhadores eram obrigados a produzir em lugares com pouco sol e muita poeira em jornadas de até 16 horas diárias, sem direitos de remuneração para além da carga horária, e sem qualquer regulação para impedir acidentes de trabalho.

O abuso do trabalho infantil nas fábricas também sufocou a integração familiar de muitas pessoas. Historiadores apontam que, com o desenvolviemnto da Revolução Industrial, muitos pais de família, que viviam no campo e foram expulsos para as cidades, tinham seus filhos trabalhando em fábricas e os vendo muito pouco, ou até nunca mais.

As crianças, levadas a trabalhar para impedir o padecimento completo pela pobreza, recebiam um quinto do salário de um adulto e eram usadas nos trabalhos mais insalúbres, que envolviam corpos pequenos que acessavam partes escondidas do maquinário.


4. Genocídios indígenas

Por mais que o genocídio indígena seja um processo anterior ao capitalismo, foi com a globalização do sistema econômico que se dinamizou, e se cresceu, a dimensão da expansão dos Estados em cima de territórios indígenas na América, África e Ásia.

Países como EUA, Brasil, África do Sul, Índia, México e Austrália foram responsáveis pela morte de mais de 70 milhões de indígenas, atribuídas à necessidade de expansão das redes de comércio e de produção para o mercado nacional e internacional.

Nesse ponto, é relevante entender que o capitalismo está intrinsicamente ligado a uma necessidade pelo Estado. O Estado nacional é um veículo pelo qual as empresas puderam acessaram os elementos necessários para a produção, como terra, mão-de-obra e matéria prima. Por isso, as expansões territoriais dos países nos séculos 19 e no 20 fizeram parte de um recorte maior ligado à História do Capitalismo.


5. Guerras e Invasões

Entre os séculos 19 e 20, o capitalismo atingiu uma dimensão mundial, levando ao momento conhecido como Globalização. Nesse período, muitos países foram submetidos à vontade das grandes potências e dos mais poderosos elementos do sistema capitalista — principalmente EUA e Europa.

Como legado do colonialismo, um dos procedimentos que as potências mantinham para a hegemonização do sistema era a invasão e a guerra com outros países.

As guerras foram de diferentes naturezas, mas há uma diverisidade de conflitos no mundo causados pelo ímpeto das potências capitalistas de manter seu poderio econômico.

Existiram e existem diversas guerras por dominação econômica (Síria, Irã, Sudão, Nicarágua, Palestina, etc.), guerras de ocupação (Israel, China, Cuba, etc.), guerras civis fomantadas por pressões das potências (Ruanda, Ucrânia, Vietnam, etc.) e mesmo situações nacionais de massacre instiucionalizado que foram alimentados pelos EUA e pela Europa (África do Sul, Camboja, Argentina, etc.).


6. Golpes pelo mundo

Operação Brother Sam, Brasil, 1964 / Crédito: Reprodução

 

Se tem uma atrocidade conhecida na vida do capitalismo é a quantidade de golpes e ditaduras que tais países fomentaram pelo mundo. De Khomeini a Pinochet, de  Ferdinand Marcos a Pedro Carmona, muitos países sofreram com intervensões e influências que acabaram com a derrubada de regimes e implantação de governos pró-ocidente e em favor do capitalismo.

Para esses golpes, principalmete financiados pela CIA e pela OTAN, foi muito comum o uso da justificativa de que, sem eles, haveira uma iminente revolução comunista em curso.

O apelo à continuidade do sistema capitalista não pestanejou em implantar ditaduras sangrentas como ocorreu no Brasil, Paraguai, Chile, Coreia do Sul, Paquistão, Egito, Uganda, Haiti ou Filipinas.

Em diversos países como Iraque e Angola, os países do Bloco Capitalista, durante a Guerra Fria, incentivaram golpes internos e guerras civis que, resultando em situações contrárias à vontade ocidental, levaram seus países a ditaduras e isolamentos econômicos que colocaram boa parte da população numa situação de miséria.


7. Apoio ao fascismo europeu

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o fascismo não era mais considerado um inimigo público, nem mesmo uma ameaça. Depois que os impérios anti-EUA — Alemanha e Itália — foram derrubados, os remanescentes fascistas, que se mantiveram neutros na Guerra, foram plenamente apoiados pela comunidade europeia e pelos EUA.

Esses países, principalmente Portugal e Espanha, mantiveram regimes ditatoriais de perseguição e morte de milhares de cidadãos com a aprovação e, às vezes, financiamento, dos mesmos países que derrubaram Hitler e Mussolini.

Uma das principais justificativas para o apoio aos fascismos ibéricos entre os anos 1940 e 1970 era a própria manutenção do sistema capitalista. Enquanto Franco e Salazar estivessem no poder, estaria barrada qualquer tentativa de tomada do poder por ordens comunistas. 


8. Macarthismo

Senador J. McCarthy / Crédito: Reprodução

 

Movimento inicialmente interno dos EUA, o Macarthismo foi uma onda de acusações e prisões fomentadas pelo senador americano Joseph McCarthy contra uma diversidade de cidadãos acusados de traição ou subversão, por suposta aliança com grupos antiamericanos e comunistas.

A maioria dessas acusações não tinham nenhum tipo de fundamento, só foram usadas para reprimir movimentos que pudessem ameaçar o poder do governo.

Milhares de estadunidenses foram afetados pela cruzada moral que expandiu o poder da paranoia anticomunista nos EUA, e a lógica macarthista foi exportada aos diversos países alinhados aos EUA e à Escola Superior de Guerra, que assumiu destaque na luta contra a suposta ameaça comunista e pela manutenção do capitalismo global.