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Do corredor da morte ao abrigo no Canadá: o insano caso de Asia Bibi

Condenada à morte por blasfêmia, a mulher foi perseguida no Paquistão e ainda assistiu à manifestações que exigiam seu fim

Pamela Malva Publicado em 12/09/2020, às 11h00

Fotografia de Asia Bibi, que foi condenada à morte por blasfêmia
Fotografia de Asia Bibi, que foi condenada à morte por blasfêmia - Divulgação/Youtube

Para diversos paquistaneses, um dos piores crimes que alguém pode cometer é a blasfêmia contra o nome de Maomé. Considerada um desrespeito de alto grau, a atitude pode levar à morte — uma condenação legalizada pela constituição.

Foi em 1986 que o Parlamento do Paquistão aceitou a polêmica cláusula sobre blasfêmia. A fim de transformar o país em uma nação "verdadeiramente islâmica", a lei punia com a morte quem ofendesse Maomé.

Segundo o Centro Paquistanês de Justiça Social, existem cerca de 1.550 casos de blasfêmia no país. Destes, 75 acusados foram assassinados antes mesmo de irem para seu julgamento e muitos foram mortos ainda sob custódia.

Esse teria sido o desfecho do caso de Asia Bibi se um enorme movimento social não tivesse defendido a mulher. Mãe de duas meninas, ela foi mantida em cárcere durante anos após ser acusada de blasfêmia, em junho de 2009.

Fotografia da paquistanesa Asia Bibi / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Gole mortal

Tudo começou em um dia normal de trabalho, quando Asia cuidava de uma fazenda na aldeia de Ittanwala. Naquele dia, o calor castigava os agricultores e, após horas colhendo frutas, alguém pediu que a mulher fosse buscar água para o grupo.

Ela caminhou até o poço, pegou a água para os companheiros e, antes de entregar-lhes o copo, ela bebeu um pouco do conteúdo. Indignados com a atitude da mulher, os homens muçulmanos ficaram furiosos e os dois lados começaram a brigar.

Para os agricultores que trabalhavam com a mulher, que era cristã, a mulher era uma pessoa impura, por não acreditar em Alá. Assim, ela não era digna o suficiente para consumir as mesmas coisas que eles, que eram muçulmanos.

Asia Bibi durante entrevista em 2020 / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Intolerância e perseguição

Cinco dias depois do conflito, a casa de Asia foi invadida por oficiais paquistaneses e a mulher foi levada para a prisão. Acusada de blasfêmia, ela foi julgada e condenada à morte, após sofrer fortes represálias da população, em meados de 2010.

O caso de Asia tomou as ruas do Paquistão e um intenso movimento social assumiu o lado da mulher. A pressão era enorme, mas a acusada continuou presa durante anos. Foi apenas em 2018 que ela conseguiu reverter sua condenação e acabou absolvida.

A decisão, no entanto, não foi bem vista pela parcela conservadora da população e muitos se indignaram com a suposta impunidade do caso. Para eles, a mulher deveria ser punida pela dita blasfêmia que cometeu naquele fatídico dia em 2009.

Protestos pedindo pelo enforcamento de Asia / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Liberdade e condenação

Poucas horas após a libertação de Asia, centenas de manifestantes foram para as ruas, pedindo pela morte da mulher. O líder religioso Khadim Hussain Rizvi foi um dos muitos que usaram as redes sociais para defender seus ideais extremistas contra a acusada.

Depois de três dias de puro caos nas ruas do Paquistão, o governo cedeu aos manifestantes. Uma petição foi criada, a fim de reverter o caso de Asia, e ela foi impedida de sair do país, sendo mantida em custódia protetiva.

No dia 29 de janeiro de 2019, o caso de Asia foi julgado mais uma vez. Para o alívio da acusada e indignação dos conservadores, foi inocentada novamente. "Como poderíamos enforcar alguém usando declarações falsas de testemunhas?", questionou o presidente da corte que tomou a decisão.

Livre de uma vez por todas, ela finalmente saiu do Paquistão e viajou até o Canadá, onde reencontrou o marido e suas filhas. Com o fim do episódio traumático, ela conseguiu proteção no país americano e agora vive longe da perseguição religiosa.


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