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Do impressionante sarcófago a doença milenar: a saga da rainha Ahmose-Meritamon

A soberana egípcia atrelada ao deus Amon era dona de muitos títulos e casada com o irmão, Amenhotep I

Vanessa Centamori Publicado em 02/08/2020, às 08h00

Sarcófago da rainha Ahmose-Meritamon
Sarcófago da rainha Ahmose-Meritamon - Wikimedia Commons

A rainha egípcia Ahmose-Meritamon se casou com o irmão mais novo, Amenhotep I, para se tornar soberana do Egito. A consanguinidade nessa antiga civilização era algo muito comum: tanto que a faraó também era fruto dessa prática.

O pai dela, Ahmose I, igualmente havia se casado com várias irmãs dele. A esposa principal era Ahmose-Nefertari — a mãe e tia da soberana da 18ª Dinastia. Ahmose-Meritamon tinha vários títulos: era chamada, entre diversos nomes, de "dama das duas terras", "esposa do rei", "unida à coroa branca" e "mãe do rei título". 

Entretanto, a nomeação mais famosa da governante era a de "Esposa de Amon", que era o deus de culto de sua mãe Nefertari. A mulher considerada divina liderou durante o Reino Médio.

Trajetória de vida

Nascida no ano de 1550 a.C, Ahmose-Nefertari teria logo cedo perdido dois irmãos segundo registros arqueológicos. Eram eles: Ahmose Sapair e Ahmose-ankh. Os dois morreram na frente do outro irmão que seria o seu esposo e também o caminho dela para o trono.

Provavelmente, Amenhotep I se tornou faraó bem jovem, após testemunhar as mortes de causa desconhecida. Durante um período de tempo, a mãe deles, Ahmose-Nefertari, comandou o Egito como regente após a morte do pai.

A evidência para esse período regencial é que há indícios de que a mãe e o príncipe fundaram juntos um assentamento na necrópole de Theban. Depois, Ahmose-Nefertari teria se casado com o próprio irmão e assumido o trono. Não se sabe se os dois tiveram filhos juntos. 

Sarcófago de Ahmose-Meritamon  / Crédito: Divulgação/ Museu Egípcio

 

Sarcófago 

Ahmose-Meritamon morreu antes do irmão, em 1580 a.C. O túmulo dela foi instalado nas proximidades do mausoléu de Amenhotep I. Além disso, a múmia dela foi encontrada milhares de anos depois do óbito, em 1930, dentro de uma tumba com a designação TT358.

As escavações foram conduzidas por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos, liderados pelo arqueólogo Herbert Eustis Winlock. Os restos mortais, segundo os especialistas, haviam sido embalsamados por um sacerdote representativo de Amon, Pinedjem I. O líder religioso utilizou na época linho, produzido especialmente por outro sacerdote chamado Mashaharta, dedicado ao mesmo deus egípcio. 

Surpreendentemente, o sepultamento da rainha foi simplório para os padrões da realeza. Entretanto, há indícios de que o sarcófago foi violado. Saqueadores podem ter aberto o local e o alterado. De qualquer forma, o corpo estava no seu devido lugar, provavelmente pois foi retornado por membros religiosos locais. 

Além disso, orginalmente, o caixão possuía uma camada de ouro e uma ilustração da falecida com pinturas na cor azul e sobrancelhas em vidro. O sarcófago está sob a posse do Museu Egípcio, importante instituição acadêmica do Cairo.

Busto de Ahmose-Meritamon / Crédito: Divulgação/Museu Britânico

 

Doença milenar 

Em 2018, uma descoberta bem curiosa foi feita sobre a rainha egípcia. Um estudo revelou que ela sofria de doença cardíaca coronária, sendo o caso mais antigo já registrado dessa enfermidade. 

Ou seja, aquilo já atormentava a humanidade há mais de 3,5 mil anos. Mais precisamente, Ahmose-Meritamon tinha aterosclerose coronariana, uma condição causada por um acúmulo de placa arterial, que pode levar a um ataque cardíaco ou derrame.

Esses sintomas foram resultado dos requintes reais que a rainha tinha à disposição. Segundo apontaram os pesquisadores ao site History, a realeza tinha um modo de vida mais sedentário, consumindo alimentos ricos em calorias, principalmente carnes, em um período próspero na história real do Antigo Egito. 

"Se a princesa estivesse em uma máquina do tempo e eu a visse agora, diria a ela para deixar de lado a gordura, fazer bastante exercício e depois agendá-la para uma cirurgia cardíaca", brincou o co-autor do estudo, Gregory Thomas, da Universidade da Califórnia. 


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