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Do início da carreira as disputas judiciais: 5 fatos Roberto Gómez Bolanõs

Expoente da cultura latino-americana e criador dos personagens Chaves e O Chapolin Colorado, Bolaños faleceu em 28 de novembro de 2014, aos 85 anos

Fabio Previdelli Publicado em 27/11/2020, às 08h00

Roberto Gómez Bolanõs como Chaves
Roberto Gómez Bolanõs como Chaves - Wikimedia Commons

Nascido na Cidade do México, em 21 de fevereiro de 1929, Roberto Gómez Bolanõs foi um dos principais expoentes da cultura latino-americana. Dando vida a personagens memoráveis como O Chapolin Colorado e Chaves, o humorista encantou e criou protagonistas que alegraram não só a geração de centenas de mexicanos, como também milhões de pessoas ao redor do mundo, afinal, seus shows foram exibidos em mais de 120 países, chegando a ser visto por 360 milhões de pessoas por semana.  

Bolanõs faleceu em 28 de novembro de 2014, data que completa 6 anos amanhã, vítima de uma parada cardíaca, quando tinha 85 anos. Sua morte ganhou repercussão internacional. O comediante sofria de problemas respiratórios crônicos e tinha mobilidade reduzida, precisando, desde o final de 2013, da ajuda de um cilindro de oxigênio para respirar.  

Bolaños como Doutor Chapatín / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um dia após sua morte, seu corpo foi transportado em carro fúnebre de Cancún até a Cidade do México, num cortejo até a sede da Televisa, canal que tinha os direitos televisivos das séries de Roberto. Já no dia 30, o ator foi velado em uma cerimônia no Estádio Azteca. Seu corpo foi enterrado, horas depois, no Panteón Francés de la Piedad. 

Conheça 5 fatos da carreira de Roberto Gómez Bolaños, o eterno Chaves: 

1. De boxeador a o pequeno Shakespeare  

Antes de se tornar mundialmente famoso como o menino que vivia em um barril, Bolaños foi pugilista no México. Enquanto estava no ensino médio, no Colégio Francés Morelos, ele se inscreveu em um campeonato de boxe pela escola. No primeiro ano, acabou como segundo lugar, porém, a oportunidade seguinte, consagrou-se campeão. 

Roberto Gómez Bolanõs / Crédito: Wikimedia Commons

 

Entretanto, durante uma breve passagem pela faculdade de engenharia, começou a escrever roteiros engraçados e expositivos sobre a sociedade que via. Logo nos seus primeiros trabalhos, foi percebido toda a audácia e a sofisticação de sua escrita e linguajar, o que lhe rendeu o apelido de Chesperito, o “pequeno Shakespeare” hispanohablante. 


2. A disputa judicial 

Além de todo o sucesso televisivo, Bolaños chamou a atenção dos holofotes pelas diversas disputas judiciais que travou com atores com quem contracenou. Com Maria Antonieta de la Nieves, a Chiquinha, por exemplo, brigou sobre os direitos de utilização da personagem — que foi criada e registrada por Roberto em 1970.  

Maria Antonieta de las Nieves caracterizada como Chiquinha / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tudo começou quando a atriz se caracterizou com a personagem para a série “Aquí está la Chilindrina”, de 1994 — Chilindrina é o nome em espanhol para Chiquinha. A abertura da ação acarretou nos desgaste entre os dois e também em uma incessante disputa judicial, que só acabou 13 anos depois, quando Maria Antonieta ganhou a causa. Porém, com o fim do processo, eles nunca mais foram amigos e jamais voltaram a se falar novamente. 


3. A disputa amorosa 

Um caso parecido com a de Maria Antonieta aconteceu com Carlos Villagrán, que dava vida ao personagem Quico. Porém, além da parte jurídica, a rixa entre os dois também atingiu o âmbito amoroso dos atores.  

O ator Carlos Villagrán / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tudo porque, antes de Roberto se casar com Florinda Meza (a Dona Florinda), a atriz namorou com Villagrán. Com as brigas que teve, Quico e Chiquinha ficaram de fora de uma homenagem que a Televisa fez aos 40 anos da série. 


4. Opiniões políticas e Augusto Pinochet 

Ao longo dos anos, a turma do Chaves participou de exibições e shows em diversos países da América Latina. Em um deles, no Chile, em pleno regime ditatorial de Augusto PinochetBolanõs foi acusado de comparecer em uma festa de um narcotraficante colombiano. Em sua defesa, o ator disse que jamais atuaria em favor de governos ou organizações criminosas, mas que apenas se apresentava para o povo.  

Bolanõs durante uma apresentação / Crédito: Getty Images

 

Já na parte final de sua vida, o humorista passou a ser mais ativo no debate político, se mostrando muito mais adepto de uma ideologia conservadora, opinando diretamente em eleições e pautas deliberativas. 

Mais próximo do Partido de Ação Nacional, colaborou com a campanha do candidato Vincent Fox Quesada, em 2000, e, depois, se posicionou em pautas mais polêmicas, como a legalização do aborto no México, prática da qual se mostrou contrário. 


5. Filantropia e acidentes nos bastidores 

Com seu sucesso, obviamente, a partir de um certo momento, Roberto Bolanõs passou a ganhar muito dinheiro. Parte de suas rendas, inclusive, o humorista destinou a criação da Fundación Chespirito IAP, uma ONG criada em 2007 que visava levar saúde e educação para as crianças mais carentes. A ONG já ajudou mais de 200 mil crianças de 13 instituições do país.  

Já nos bastidores das gravações, Bolaños se envolveu em dois episódios peculiares. O primeiro deles aconteceu em abril de 1973, quando, acidentalmente, deu um tiro na sua própria mão. Com isso, ficou cerca de oito semanas sem participar das gravações. Então, a Televisa teve que reprisar episódios antigos para suprir as lacunas deixadas pelo programa. Apesar da recuperação, ele ficou com sequelas até o fim de sua vida. 

Bolaños como Chapolin Colorado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Já em 1979, o acidente aconteceu durante as gravações de um episódio de Chapolin, que no Brasil ganhou o nome de "Vinte mil beijinhos para não morar com a sogra". Na ocasião, uma parte do cenário o atingiu no olho esquerdo. Roberto se recuperou, mas teve que gravar dois episódios da série com um tapa-olho. 


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