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Do luxo ao gesso: Como a Segunda Guerra afetou o Oscar

O conflito causou uma alteração na cerimônia que era quase imperceptível para os espectadores, mas muito evidente para os premiados durante aqueles anos

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 25/04/2021, às 00h00

Ingrid Bergman em Oscar de 1945
Ingrid Bergman em Oscar de 1945 - Divulgação / Site oficial do Oscar

Quando se estuda a Segunda Guerra Mundial é fácil parecer que o mundo parou, com o conflito interferindo em todas as outras atividades. E em muitas partes do globo, isso de fato foi verdade, mas não foi assim com todas. 

Um bom exemplo disso é que o Oscar, uma cerimônia anual norte-americana em que jurados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas selecionam os filmes e os atores que eles acreditam terem sido excepcionais naquele ano, continuou ocorrendo durante o período em que os Estados Unidos estavam participando da guerra.  

Vale lembrar aqui que o país só se juntou ao conflito em dezembro de 1941, quando já durava cerca de dois anos. E a despeito do envio de soldados para campos de batalha, e do estresse emocional pelo qual passavam as famílias que ficaram para trás, os integrantes de Hollywood que se destacavam continuaram sendo premiados. 

Houve, todavia, um aspecto da cerimônia que foi mudado pelo contexto global violento da época. Para os espectadores, não passava de um detalhe - já para os ganhadores dos prêmios, fazia uma grande diferença.

Isso porque, durante esse período, as estatuetas do Oscar passaram a ser feitas de outros materiais, muito menos glamoroso que os usados costumeiramente. 

Prêmio de quinta 

Segundo divulgado pela Associated Press em uma matéria de 2009, as estátuas douradas entregues pela Academia em geral são feitas de metal derretido, que depois de esfriar dentro de um molde são banhadas respectivamente em cobre, níquel, prata, e por fim ouro 24 quilates.

Embora esse seja o método moderno de fabricação do prêmio, sendo diferente naquela época, ele estabelece bem o nível dos materiais usados para criar a icônica estatueta. 

Fotografias da estatueta do Oscar em diferentes etapas de seu processo de fabricação atual / Crédito: Divulgação/ Instagram 

 

Durante a Segunda Guerra, entretanto, havia uma grande demanda por metais, que eram usados para produzir armamentos, um recurso de natureza fundamental no front de batalha. Assim, o luxuoso procedimento de fabricação acabou sendo trocado por gesso e bronze falso. 

"Os prêmios do Oscar agora estão sendo moldados em gesso e pulverizados com uma placa de bronze enganosa, um trabalho de 12 dólares feito para parecer a tradicional coisa de 90 dólares”, publicou o New York Times em 1945, segundo foi repercutido pelo site Atlas Obscura em 2016. 

Uma das características mais perceptíveis da modificação, além da aparência consideravelmente menos dourada e brilhante, foi o peso do objeto, que geralmente tem 3,6 quilos, motivo pelo qual muitos dos ganhadores se surpreendem quando precisam pegá-lo em mãos para fazer seu discurso. 

Metal e gesso possuem uma diferença considerável nesse quesito, o que definitivamente não poderia passar batido para os premiados daqueles anos. Além disso, a nova estatueta era muito menos resistente, sendo mais facilmente danificada por arranhões. 

Bing Crosby recebendo seu prêmio de Melhor Ator pelo filme "Going my Way" no Oscar de 1945 / Crédito: Divulgação/ Site Oficial do Oscar 

 

Em um hilário caso também divulgado pelo Atlas Obscura, um dos atores nomeados em 1945, chamado Barry Fitzgerald, acabou arrancando a cabeça de seu prêmio do Oscar após atingi-lo acidentalmente com uma bola de golfe após uma tacada particularmente azarada. 

Felizmente, todos os nomeados durante essa época ganharam um vale para que pudessem trocar seu prêmio barato pela estatueta de sempre após o fim da guerra, de forma que não foram condenados a permanecer com as foscas versões de gesso para sempre.

O site da premiação lembrou o acontecido. 'Devido à escassez de metais durante a Segunda Guerra Mundial, os Oscars foram feitos de gesso pintado por três anos. Após a guerra, a Academia convidou os destinatários a trocar as figuras de gesso por outras de metal banhado a ouro'. 


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