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Do sucesso a polêmica amizade com a 'verdadeira' Alice: Há 123 anos, morria Lewis Carroll

Romancista, poeta, fotógrafo, matemático, foi a obra Alice no País das Maravilhas que eternizou Carroll em nossas mentes

Joana Freitas Publicado em 14/01/2021, às 10h00

Fotografia do autor Lewis Carroll
Fotografia do autor Lewis Carroll - Wikimedia Commons

Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, personagem envolto em mistério e muita imaginação. Carroll foi um romancista, poeta, fotógrafo, matemático e, entre outras coisas, reverendo da igreja anglicana. Contudo, foi o livro "Alice no País das Maravilhas" que eternizou o seu nome.

Nascido em 27 de Janeiro de 1832 em Daresbury, Reino Unido, veio a falecer a 14 de Janeiro de 1898. "Alice no País das Maravilhas", foi um sucesso enorme desde o dia que foi criado, tanto que é republicado desde então e já foi palco para várias peças de teatro e filmes.

Carroll entrou para a universidade de Oxford com 18 anos para cursar matemática e onde, posteriormente, passou a lecionar. O aspeto mais íntimo da sua vida sempre foi muito discreto, assim como suas relações. E foi assim, no ano de 1855, que conheceu a família Liddell quando estes começaram a frequentar a mesma igreja.

A inspiração

Rapidamente se tornaram muito próximos. Neste momento Carroll conheceu as filhas da família e, em especial, a pequena Alice, que mudaria a sua vida para sempre.

Em uma tarde de Julho de 1862, as irmãs Liddell foram passear de barco com Carroll e foi precisamente nessa tarde que a ideia de base para o que se viria a tornar um livro de sucesso tomou forma.

Fotografias de Alice, aos 10 anos, tiradas por Lewis Carroll / Crédito: Wikimedia Commons

 

Alice Liddell, na altura com 10 anos de idade, pareceu entusiasmada por compartilhar o nome com a personagem principal da história e, mais tarde, pediu um manuscrito para que a conseguisse eternizar.

Como referido, Carroll era entusiasta de fotografia embora fosse uma tecnologia relativamente recente à época. Durante a sua vida tirou cerca de 3.000 fotografias.

Mais de metade delas eram de crianças e, em algumas dezenas estas apareciam nuas ou semi-nuas. Talvez esta questão nos cause algum desconforto à luz da nossa sensibilidade atual, mas, na época tal ato era mais ‘convencional’.

Dúvidas

Alice foi a protagonista de alguns destes retratos. A relação de Carroll com a família da jovem parece acabar repentinamente no ano de 1863, sem que o motivo tivesse sido esclarecido.

Várias hipóteses foram levantadas, entre as quais que existia um interesse romântico de Carroll para Alice. O tipo de relação que Carroll mantinha com Alice e com outras crianças começou a suscitar outras interpretações no meio académico.

Em 1933, o escritor A. Goldschmidt escreveu um ensaio intitulado "Alice no País das Maravilhas, uma psicanálise", onde sugeriu que Carroll tinha pensamentos impuros em relação a Alice, existindo uma objeção sexual da menina.

Esta ideia acabou por ser rebatida por outros estudos dizendo que o autor não era psicanalista e estava profundamente influenciado pelas ideias de Freud.

Outros argumentaram que a sociedade atual tem tendência a corromper mesmo as relações mais puras e facilmente tornam algo inocente em algo perverso.