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Enfermidade do sono: a doença que fez pessoas se "transformarem" em estátuas da vida real

Depois da Primeira Guerra, uma estranha enfermidade atingiu mais de um milhão de pessoas; muitas pessoas passaram a viver presas dentro dos próprios corpos

Daniela Bazi Publicado em 02/08/2020, às 08h00

Vítima da enfermidade
Vítima da enfermidade - Domínio Público

A doença do sono, ou encefalite letárgica, atingiu cerca de um milhão de pessoas após a Primeira Guerra Mundial e intrigou médicos e profissionais da saúde. Como consequência, milhares de pessoas morreram, enquanto outras acabaram tornando-se estátuas vivas e passaram o resto da vida presas em seus corpos, sendo impedidas de se movimentar ou até mesmo falar. 

Até os dias atuais não foi possível encontrar uma resposta para a causa da doença ou até mesmo como tratá-la. A enfermidade teria se espalhado mundialmente na mesma época em que a gripe espanhola, tendo o início da epidemia começado por volta de 1915 e 1916. 

Na época, os soldados que apresentaram sintomas da doença como sono profundo, chamado de letargia, foram examinados por médicos em Paris e diagnosticados como uma reação ao gás mostarda, bastante usado durante o conflito. Porém, o diagnóstico estava errado. 

Soldados dormindo nas trincheiras / Créditos: Getty Images

 

Após testemunhar os mesmos sintomas em civis, um neurologista de Viena, Constantin von Economo, escreveu um artigo chamado "Die Encephalitis lethargica", descrevendo de forma detalhada a doença. Em pouco tempo seu nome se associou a enfermidade que passou a ser conhecida como doença de von Economo.

De acordo com relatórios médicos, aproximadamente um terço dos infectados acabou morrendo por causa da doença, enquanto apenas 20% sobreviveu, mas necessitavam de cuidados especiais. Menos de um terço desse número teve uma recuperação completa e pôde viver sua vida normalmente. 

Os principais afetados foram jovens e adultos de 15 à 35 anos, e os sintomas iniciais eram similares ao da gripe: febre alta, dores de cabeça, sensação de cansaço e coriza. Por esse motivo, muitos não procuravam o médico de imediato, o que dava mais tempo para que o vírus se espalhasse pelo cérebro. 

As autópsias realizadas pelo neurologista constataram que uma das principais causas das mortes foi o inchaço do hipotálamo, parte do cérebro responsável por controlar diversas funções, incluindo o sono. A epidemia da doença do sono começou a desaparecer apenas 10 anos após a publicação do artigo de von Economo. 

Diversos cientistas acreditam que essa é uma doença do século passado e que não existem mais riscos. Entretanto, o virologista John Oxford discorda completamente dessa visão. “Eu certamente acho que o que quer que tenha causado, poderia atacar novamente. E até sabermos o que causou isso, não poderemos impedir que isso aconteça novamente”, disse John.

Em 1993, assim como Oxford havia dito, a doença do sono ressurgiu. Uma garota chamada Becky Howells foi diagnosticada com a encefalite letárgica e levou anos para se recuperar. Desde então, diversos outros casos também acabaram aparecendo e levantaram novas pesquisas que continuam sem respostas esclarecedoras. A doença continua sendo um dos maiores mistérios médicos da história.


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